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Na saúde, na doença e na divisão das tarefas
Atualmente, com a expansão da igualdade de gêneros, cresce o conceito de casais donos de casa e que, conjuntamente, são os provedores financeiros da família
Por Arilton Batista

É lugar comum dizer que todo dia é o dia da mulher. Mas é preciso recorrer a esse clichê, sim, para dizer que a força feminina é o principal fator de mudanças importantes no âmbito político, no mercado de trabalho e também nos modelos de família. Dia 8 de março foi instituído oficialmente como o Dia Internacional da Mulher, uma maneira simbólica de lembrarmos e refletirmos sobre o papel delas na sociedade. Para se ter ideia do espaço justamente conquistado pelas mulheres, no cenário político brasileiro, por exemplo, elas passaram de meras espectadoras – quando nem votar podiam, até 1932 – à Presidência da República Federativa do Brasil, representadas por Dilma Rousseff (PT), eleita no ano de 2010.

Ainda há adaptações e ajustes a serem feitos. Mas uma mudança clara que se pode notar atualmente é com relação às tarefas de casa, como lavar, passar, cozinhar, cuidar dos filhos, fazer compras, etc. Há algum tempo era comum ouvir dizer que “estes serviços são para mulher”, mesmo com elas já possuindo as mesmas responsabilidades e deveres que os homens, como o de sair para trabalhar e estudar, por exemplo. Atribuir às mulheres todas as atividades residenciais era um costume. Hoje, porém, é comum vermos famílias em que o homem, além de trabalhar – assim como a esposa –, também é responsável por tarefas do lar.

O mais importante nestes casos, para evitar discussões e desconforto, é conversar e combinar tudo até mesmo antes do casamento, se possível. Segundo o Especialista em Família e Políticas Públicas Emerson Fabris, 37, o ideal é equilibrar as atividades entre o casal. “É uma mudança cultural. A geração atual já evoluiu nesse sentido. A divisão é feita antes mesmo do casamento, com o objetivo de se ajudarem na organização e financeiramente. É preciso criar uma rotina diária de tarefas em que cada um disponibiliza o mesmo tempo e realize aquilo que está mais habituado”, diz Fabris, que ressalta ainda que as tarefas podem ser realizadas em dupla e que podem se tornar um momento de integração, além de otimizar o tempo. “Neste momento o casal pode trabalhar, conversar, ouvir música e o tempo passa rapidinho”, salienta.

Exemplo dessa sintonia é o caso do músico e designer Erik Magalhães, 32. Ele é casado com a enfermeira Lívia Silvestrini, 29, com quem tem um filho, o pequeno Luigi, de um ano e sete meses. Com a correria do dia a dia do casal, eles chegaram a um acordo de que o trabalho mais pesado de limpeza seria realizado semanalmente por uma faxineira e a organização e as atividades mais leves seriam divididas de acordo com os horários de cada um. “O que sobra do dia a dia nós intercalamos. Levamos em conta o nível de cansaço e quem chega mais cedo em casa. Louça, roupa para lavar e estender, quintal dos cachorros, tudo tentamos intercalar para que possamos aproveitar melhor o tempo. O casal tem que se ajudar”, conta Erik.

Um detalhe particular na história do casal Lívia e Erik é que ela, sendo enfermeira, ensinou a ele algumas técnicas para cuidar do bebê, o que facilitou bastante para a divisão das tarefas e o convívio entre eles. Segundo ela, os ajustes e adequações no comportamento aconteceram aos poucos e após algumas conversas. “Depois do casamento eu tive um pouco de dificuldade pra fazê-lo entender que o cenário mudou. A mulher não fica mais em casa como doméstica e mãe, exclusivamente. Eu trabalhava tanto ou mais que ele e, obviamente, não daria conta de fazer tudo sozinha. Acho que enlouqueceria, se assim fosse. Fui aos poucos falando, conversando e mostrando que tínhamos que dividir as tarefas. Ou teríamos muita dificuldade no relacionamento”, diz Lívia.

Casada há pouco mais de um ano com Felipe dos Anjos, 21, profissional de mídias sociais, a jornalista Luana Vieira Capucho, 24, relembra que antes mesmo de se casarem já conversavam sobre as questões que envolvem a divisão das tarefas da casa. ”Desde que planejávamos nos casar eu sempre deixei claro que, se os dois trabalham fora de casa, os dois devem trabalhar dentro também. Ele concordou”, diz. As responsabilidades dela são de lavar e passar as roupas, cozinhar e limpar a casa. As dele são as de lavar a louça, fazer as compras e lavar o banheiro, a lavanderia e o quintal. Segundo o especialista em família Emerson Fabris, é comum também que a divisão das atividades seja feita com base na afinidade com o afazer. “Pode ser levado em consideração também a questão da habilidade. As mulheres geralmente acabam encarando os desafios considerados maiores, como dobrar, passar e tirar o pó. Já os homens ficam com os mais básicos, como a louça e a limpeza do chão”, explica.

Luana se considera metódica em algumas situações. Uma delas é na hora de passar e estender as roupas no varal. Para a jornalista, o marido “não leva muito jeito” para isso. “Sou sistemática com roupa, na hora de lavar, estender e passar. Por isso essas tarefas ficaram pra mim mesmo”, conta Capucho. O marido, Felipe dos Anjos, garante que gosta de contribuir com a ordem da residência e procura sempre ajudar com a limpeza. “Sei que ela trabalha tanto quanto eu e, por mais que as principais tarefas sejam feitas por ela, eu estou sempre à disposição. Casamento é isso. Tem que dividir, tem que ajudar, é uma parceria”, sustenta.

Aos que contam com empregada doméstica vale uma dica. Segundo Emerson Fabris, é importante ter bem definido qual dos dois será o responsável pelas questões que envolvem as atividades da funcionária. A ideia é evitar o desconforto de ter informações contraditórias ou encavaladas. Além disso, é válido que o casal defina em conjunto previamente quais serão as tarefas da diarista. “É importante negociar quem cobra, para evitar mal entendido e respostas como ‘ele me disse isso e a senhora está me dizendo outra coisa’”, orienta Fabris.

Para incentivar e promover o espírito colaborativo e de organização nos filhos pequenos é interessante ensiná-los a guardar seus próprios brinquedos e também a recolher copos, pratos e talheres. Segundo Fabris, crianças com idade superior a dois anos já têm condições de participar da organização da residência, reservando, é claro, as devidas proporções e limitações de cada uma. “Desde que eles têm dois anos já podem começar arrumando os seus brinquedos. Com quatro anos é possível colocar a roupa suja no cesto e tirar o copo plástico da mesa. À medida que crescem, vão assumindo novas responsabilidades”, complementa e finaliza o profissional.


 

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