FOTOS

Mitos e Verdades sobre o câncer de pulmão

O câncer de pulmão é o mais comum de todos os tumores malignos e de acordo com estimativa do Inca, atingiu em 2012 aproximadamente 27 mil brasileiros.  O que muita gente não sabe é que o câncer de pulmão não acomete apenas fumantes (cerca de 10% dos casos estão relacionados a outros fatores) e que charutos e cachimbos são tão prejudiciais quanto os cigarros comuns, entre outros equívocos. 

Veja abaixo alguns pontos importantes, tendo como base informações do Inca e do Instituto Oncoguia. O dr. Gustavo Colagiovanni Girotto, oncologista clínico do Hospital de Base de São Jose do Rio Preto e presidente da Associação Brasileira de Biomarcadores Tumorais (ABMT), esclarece os mitos e verdades:  

O câncer de pulmão é uma doença frequente?

Verdade - É o mais frequente de todos os tumores malignos, excluindo os cânceres de pele não-melanoma,  apresentando aumento de 2% por ano na sua incidência mundial. No fim do século XX, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis.

É o tipo de câncer com a maior mortalidade?

Verdade - O câncer de pulmão é diagnosticado tardiamente na maioria das vezes e por tal fato. A detecção precoce é mais difícil, porque os sintomas surgem quando a doença está em estágio avançado. Somente nesse momento o paciente procura o médico e descobre a doença.

Apenas quem fuma tem chances de desenvolver câncer de pulmão?

Mito - Na maioria das populações, os casos de câncer de pulmão relacionados ao tabaco representam 80% ou mais, mas cerca de 10% dos casos estão relacionados a outros fatores de risco como a exposição a produtos químicos - arsênico, asbesto, berílio, radônio, níquel, cromo, cádmio e cloreto de vinil - principalmente encontrados em alguns ambientes de trabalho, além do histórico familiar de câncer de pulmão.

Charutos e cachimbos provocam menos câncer de pulmão que cigarros comuns?

Mito - Tanto os cigarros como os charutos e fumo para cachimbos consistem em folhas de tabaco secas, além de outras substâncias. Como há mais fumantes de cigarros do que de charutos e cachimbos, a ocorrência de câncer por cigarro é maior, no entanto charutos e cachimbos são igualmente prejudiciais à saúde. Há evidência  recente que drogas ilícitas como a maconha podem também aumentar o risco de aparecimento de câncer de pulmão.

Fumante passivo não tem risco de ter câncer de pulmão?

Mito - O fumante passivo pode desenvolver câncer de pulmão em 25% dos casos, além de outras doenças como bronquite e enfisema pulmonar.

O câncer de pulmão é uma doença grave?

Verdade - Se torna grave quando é diagnosticado tardiamente, como qualquer outro tipo de câncer. Em estágios avançados, é uma doença muito séria e o tempo de sobrevida pode estar abreviado. Para evitar essa situação, o melhor é consultar o médico, não fumar e realizar exames periódicos de prevenção.

O câncer de pulmão tem cura?

Verdade - Quando diagnosticado precocemente (estágio inicial da doença), o câncer de pulmão tem chance de cura. Devemos lembrar, porém, que é um tipo de câncer que geralmente é diagnosticado em fase mais avançada. Por isso a recomendação é evitar fumar e realizar consultas médicas e exames preventivos regularmente.

O câncer de pulmão é uma doença assintomática?

Mito - Os sintomas mais comuns do câncer de pulmão são a tosse, falta de ar e o sangramento pelas vias respiratórias. Nos fumantes, o ritmo habitual da tosse é alterado e aparecem crises em horários incomuns para o paciente. Pneumonia de repetição pode, também, ser a manifestação inicial da doença.

Parar de fumar evita o câncer?

Depende - Se alteração celular já aconteceu, parar de fumar não evitará o aparecimento da doença. É fundamental, no entanto, que o fumante pare de consumir tabaco para diminuir a possibilidade de desenvolver a doença. O risco de câncer é proporcional à quantidade de cigarros consumidos, mas não existe tempo de tabagismo nem quantidade de cigarros que sejam seguros. O importante é não fumar. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que, entre 1989 e 2010, um em cada três brasileiros que largaram o cigarro o fizeram graças a medidas de controle à publicidade do tabaco, incluindo a adoção de avisos nas embalagens sobre os riscos de fumar. 

Câncer de pulmão é hereditário? 

Depende - O fator hereditário é importante, entretanto não é determinante. No câncer de pulmão, o papel da hereditariedade não está bem estabelecido; no entanto, possuir história familiar de câncer de pulmão aumenta o risco em certo grau, porém são raros os casos de câncer de pulmão relacionados exclusivamente a fatores hereditários. Casos de câncer de pulmão hereditários são mais frequentes em mulheres, não fumantes e pacientes com câncer de pulmão de início precoce (que ocorre antes dos 60 anos). 

A conjunção de fatores genéticos e exposição a agentes cancerígenos (cigarro, por exemplo) fazem com que a chance de aparecimento da doença aumente proporcionalmente aos fatores, como: 

Grau de parentesco: possuir parentesco de primeiro grau (pais, irmãos ou filhos) com pacientes de câncer de pulmão praticamente dobra o risco de desenvolver a doença. Esse risco é maior para as mulheres e para fumantes. Ter um parente de segundo grau (tia, tio, sobrinho ou sobrinha) com câncer de pulmão aumenta o risco em cerca de 30%.

Tabagismo: indivíduos fumantes que desenvolvem câncer de pulmão são menos propensos a ter uma história familiar do que os indivíduos não fumantes que desenvolvem câncer de pulmão. 

Tipo de câncer de pulmão: os estudos variam quanto aos tipos de cânceres de pulmão que têm o maior componente hereditário, mas aqueles com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) são mais propensos a ter uma história familiar de câncer de pulmão do que aqueles com câncer de pulmão de pequenas células.

 – Raça: negros com parentes de primeiro grau com câncer de pulmão têm um maior risco para a doença de início precoce do que os brancos. Esse risco aumenta em fumantes.

Existe mais de um tipo de câncer de pulmão?

Verdade – O câncer de pulmão é classificado em dois tipos principais: pequenas células (15%) e não-pequenas células (85%). O tumor de não-pequenas células corresponde a um grupo heterogêneo composto de quatro tipos histológicos principais e distintos: carcinoma epidermóide, adenocarcinoma,  carcinoma de grandes células e carcinoma bronquíolo-alveolar(que muitas vezes é uma variante do adenocarcinoma).  Um dos tipos de câncer de pulmão é causado por uma mutação no gene EGFR e para isso já existe um tratamento especifico denominado “alvo molecular”, com drogas orais (como a Gefitinibe e o Erlotinibe, usados no tratamento de câncer de pulmão de não pequenas células). 

O tratamento é feito com quimioterapia?

Depende - Os tumores malignos do pulmão podem ser tratados com cirurgia, quimioterapia (tradicional ou pelas novas drogas orais) ou radioterapia.
Atualmente, um tipo específico de câncer de pulmão pode ser tratado com medicamentos orais que agem em pontos específicos das células do tumor impedindo a sua proliferação e promovendo a sua autodestruição. Um dos benefícios para os pacientes é que esses medicamentos poupam um grande número de células normais, apresentam uma maior eficácia de tratamento, menos efeitos colaterais quando comparada a quimioterapia e é capaz de proporcionar uma melhor qualidade de vida. O médico decidirá o tratamento de acordo com o tipo celular do tumor, seu estágio e com as condições do paciente.


 

Voltar