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É preciso prudência e bom senso para elaborar um currículo competitivo
por Arilton Batista



As promessas de uma vida melhor, mais saudável, com mudanças significativas e evolução no âmbito pessoal, financeiro e profissional são típicas do Ano Novo. As pessoas planejam mudar tudo a partir de janeiro. Um desses planos, talvez o mais significativo deles, é sobre a renovação do emprego ou a conquista da primeira oportunidade no mercado de trabalho. O primeiro passo para se aproximar da realização dessa tarefa é a elaboração de um currículo que esteja dentro dos padrões e no formato esperado pelas empresas contratantes.

A fase mais crítica num processo de recrutamento para a pessoa que está procurando emprego é ter o currículo selecionado dentre dezenas, centenas e até milhares de candidatos buscando a mesma vaga. É por isso que o documento de apresentação do profissional tem de ser bem elaborado, ter boa aparência e conter as informações necessárias para que seja escolhido pelo recrutador. Para facilitar a assimilação do setor de Recursos Humanos da empresa e também não poluir demais o currículo, é importante deixar disponível apenas as últimas e mais significativas experiências profissionais. O excesso de empresas no campo “experiência” pode dar a impressão de instabilidade. As passagens mais antigas por empresas e cargos menos expressivos ou fora da atual área de atuação podem ser comentadas durante a primeira entrevista.

Outro aspecto a ser analisado e levado em consideração é o tamanho do currículo. Sempre se ouviu dizer que uma folha sulfite era o ideal e a dimensão máxima para produção do currículo. Mais que isso poderia fazer com que o selecionador não o lesse e partisse para a análise de outro candidato. De fato isso não mudou muito. Segundo Durval Luchetti, mestre em administração e diretor da D. Luchetti Consultoria e Gestão de Pessoas, o recrutador quer bater os olhos e enxergar rapidamente se o candidato reúne as características essenciais que justifiquem uma convocação para entrevista. “Nada mudou em relação ao tamanho do currículo ideal. Ou seja, uma ou duas páginas no máximo. Mas, se até a metade da primeira página o recrutador não encontrar informações relevantes, provavelmente ele não o lerá até o final. Por essa razão é fundamental que as principais forças do candidato estejam retratadas na primeira página. As menos significativas devem ser deixadas para o final”, explica o profissional.

Cada profissão tem seus jargões – ou termos técnicos – específicos. Outras expressões são utilizadas em quase todos os setores, como se houvesse um dicionário próprio para conversar dentro e sobre o mercado de trabalho. Algumas das palavras mais comuns são software, feedback, deadline, know-how e mailing. Mas é preciso ter cuidado com exagero nessa questão, principalmente com termos estrangeiros. “Termos estrangeiros podem ser utilizados se forem compatíveis com o nível do cargo. Para um cargo gerencial, por exemplo, que requeira o domínio do idioma inglês, termos ou chavões comumente utilizados no ambiente corporativo podem ser bem vistos. Já para um cargo comum o exagero desses termos pode causar um efeito negativo”, comenta Durval Luchetti. Há uma preocupação grande também com relação ao conteúdo do currículo. 

Muita gente, na ânsia de conquistar a vaga desejada, chega a inventar cursos e informações sobre si no currículo, a fim de impressionar o selecionador. Especialistas estimam que aproximadamente 30% da população brasileira conta inverdades no documento. “É um grande risco para o candidato, porque uma falsa informação detectada pelo selecionador, por mais insignificante que seja, poderá comprometer todas as demais informações contidas no CV (Curriculum Vitae. Do latim, Trajetória de Vida). Em outras palavras: queimará o currículo”, alerta Luchetti.

Se para profissionais experientes a montagem do CV é uma tarefa que requer cuidado, atenção e gera dúvidas na montagem, para um jovem em busca da primeira oportunidade no mercado de trabalho pode ser ainda mais complexo. Afinal, eles não têm experiências para disponibilizar no currículo. Para não pecar nesse momento, a analista de RH e gestão de pessoal Barbara Tramarin e a assistente de RH Priscila Esperança orientam que, estando nessa situação, o melhor a fazer é dar ênfase a informações acadêmicas e metas dentro da companhia. “Realmente é difícil elaborar um currículo quando não se tem experiência. O ideal é colocar as qualificações acadêmicas, como cursos, workshops e engajamento em atividades escolares e voluntárias. É bem legal expor o interesse e a disposição para aprender novas funções, disponibilidade de horários e os objetivos na empresa”, explica Barbara.

Salvando algumas exceções bem específicas em que a empresa solicita que o currículo seja entregue presencialmente, impresso, hoje quase todas as vagas de emprego são anunciadas na internet. E é através do e-mail que o CV é enviado. Nesses casos, o mais indicado é que no assunto da mensagem seja colocada a palavra “Currículo” mais o cargo pretendido. Por exemplo, “Currículo – Agente de Atendimento”. Muitas pessoas têm a dúvida se enviam o documento em arquivo anexo ou no próprio corpo do e-mail. Segundo Durval Luchetti, a melhor forma é enviá-lo no corpo da mensagem. “O CV no corpo do e-mail é uma forma mais eficiente por duas razões: elimina a dúvida ou risco de vírus e a visualização é mais rápida”, comenta. O profissional de RH ainda ressalta a importância de um breve texto para ser enviado com o CV. “No corpo do e-mail, um texto curto, como ‘Busco uma oportunidade no cargo tal’, adicionando informações que possam despertar o interesse do recrutador, como ‘Tenho disponibilidade para início imediato, resido próximo da empresa, etc.’”, diz.

Os erros mais comuns praticados na produção dos currículos são a má formatação do texto, com a utilização de fontes e espaços entre as linhas pequenos demais, tornando a leitura difícil e escondendo dados importantes; deixar as informações mais relevantes no final do CV, em vez de no começo; endereço incompleto, sem CEP e com e-mails e telefones errados; indefinição do cargo pretendido (Por exemplo: Assistente Administrativo, Comercial ou de Qualidade); e a utilização do termo “Currículo Vitae”. “Muita gente digita “Currículum Vitae” no topo da página e em letras garrafais. O ideal é que se substitua a expressão em latim pelo seu nome e sobrenome do candidato”, orienta e finaliza Durval Luchetti.


 

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