FOTOS

Como uma dor transforma-se em crônica?



Todos nós já sentimos alguma dor, não é? Ainda bem, porque dessa forma conseguimos soltar rapidamente uma flor com espinhos, retiramos o pé de um prego, nos ajeitamos na cadeira ao ficar muito tempo sentado... 

Precisamos sentir dor quando alguma coisa ameaça do nosso corpo. A dor é uma sensação desconfortável que chama nossa atenção para resolvermos o problema causador da dor. Na maioria das vezes que sentimos dor, fizemos alguma coisa que funcionou e a dor desapareceu. Talvez ficamos em repouso, esfregamos a região, protegemos o local, evitamos algum movimento, fomos ao médico, tomamos um remédio, passamos uma pomada e a dor passou após algum tempo.

No entanto sabemos que existe a possibilidade de ficarmos com a dor por muito tempo, mesmo com o tratamento. Porque será que isso acontece?

Para isso você precisa entender como nosso corpo funciona. 

Quando um estimulo entra em contato com nosso corpo milésimos de segundos antes de uma dor, os músculos contraem e relaxam como uma resposta emergencial para nos afastarmos de um perigo. Normalmente os estímulos que fazem os músculos reagirem, desaparecem com um movimento e não sentimos dor. No entanto se não melhorarmos nossa posição por exemplo, os músculos se contraem enquanto outros relaxam podendo causar tensão ou instabilidade nas articulação do nosso corpo. Logo após desse processo emergencial do corpo lidar sem avisar sua consciência de um possível problema, a informação consegue chegar no cérebro, ficamos desconfortáveis e dizemos que sentimos dor. 

O interessante é que isso acontece antes mesmo de qualquer lesão. Ou seja, podemos ter uma dor, sem ter lesão. 

Somente quando o estimulo é muito forte, as células começam a liberar substancias ditas inflamatórias. Essas substancias têm a tarefa de tocar a “campainha” de outras células que por sua vez tem a tarefa de levar informações de dor ao cérebro. Essas substancias também podem aumentar a temperatura do local, deixa-lo vermelho e até um pouco inchado (sinais de inflamação). A dor aumenta, mas o seu próprio corpo oferece condições para essa inflamação desaparecer aos poucos. Ao sentir a dor ficamos em repouso, tomamos um remédio e tudo passa cedo ou tarde, na maioria das vezes. Quando isso não acontece é porque muitas vezes estamos impedindo a melhora! Por exemplo: tenho uma dor no punho, mas meu trabalho é mais importante do que qualquer coisa nesse momento da minha vida, e continuo digitando tanto quanto antes ou sem nenhuma mudança.

Ao invés de melhorar, vou piorar. Pois, afinal de contas, estamos recebendo uma mensagem para fazermos algo diferente, mas não estamos escutando. Então nosso sistema começa a “falar” mais alto até começar a “gritar”! Sozinho, às vezes não conseguimos perceber os fatores que estão “alimentando” uma dor. As “ferramentas” que temos para fazer uma dor melhorar muitas vezes são insuficientes e por isso precisamos de um especialista para nos ajudar. 

Com tanto tempo de inflamação, tratamento mal sucedido, comportamentos, posições e movimentos que dificultam a melhora, as células nervosas (aquelas com a tarefa de levar a informação de dor para o cérebro) começam a funcionar de forma alterada. 

Às vezes, mesmo com a cura da lesão, as células nervosas continuam enviando mensagens de ameaças físicas com muita facilidade. É nesse momento que uma pessoa cruza a linha que divide a dor aguda da dor crônica. O problema inicial pode ter sido solucionado, mas as células nervosas continuam mais fáceis de levarem mensagens de dor. O problema inicial já não é mais tão sério, mas as células nervosas continuam entendendo inadequadamente que precisam enviar mensagens de dor ao cérebro.

É como se estivesse pegando fogo em um prédio, o alarme começa a disparar e muitas pessoas correm de um lado para outro porque são avisadas que alguma ameaça está acontecendo. Os bombeiros chegam e apagam o fogo. Não existe mais nenhum perigo, mas o sistema de alarme continua disparando e as pessoas continuam correndo porque elas acham que o problema ainda está lá.

Temos que evitar chegar nesse estágio. Para isso precisamos “ouvir” os sinais do corpo e fazer algo para melhorar o quanto antes. A maioria dos tratamentos não atuam quando uma pessoa chega no estágio da dor crônica. É por isso que muitas pessoas continuam com dor por meses e anos. Então se você conhece alguém que faz tratamento para dor e não obtém resultados, procure um médico ou fisioterapeuta especializado em dor crônica.

Ft. Rodrigo Rizzo • Fisioterapeuta Responsável pelo Instituto do Movimento (Pilates, Yoga, Treinamento Físico e Atendimentos)
www.InstitutodoMovimento.com.br  • 27913266


 

Voltar