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Como planejar seus objetivos profissionais para o próximo ano
Estou Preparado?

Às vésperas de um novo ano é muito comum – e esperado - que as pessoas façam planos ou renovem os antigos. “Esperado” sim e isso porque o clima das festas de final de ano, as confraternizações e a virada do calendário compõem aquilo que chamamos de ritual de passagem.

Na moderna cultura ocidental tais rituais foram praticamente esquecidos ou deixados de lado, no entanto, são de primordial importância para as mudanças ocorridas no dia a dia. São como marcadores para situações relevantes na vida das pessoas.

Atualmente, a preocupação e cuidados com a carreira afetam boa parte dos profissionais, seja qual for a região, nível hierárquico e área de atuação. Chegando nessa época então, é como se passasse o tal filme com o levantamento do planejado versus realizado e daí surgem os sucessos ou insucessos para lidar. Não importa o resultado final dessa avaliação, a necessidade de novos planos vem como um turbilhão de novas ideias e junto com ele a ansiedade e angústia por onde e como começar.

Vários pontos precisam ser pensados para se começar a desenhar um bom plano:

- Acredito que o atual trabalho e/ou investimento numa profissão me dará satisfação? O que sei sobre ele(a)?

- O que entendo e busco como realização profissional: fazer o que gosto, remuneração x, reconhecimento de terceiros, poder e status?

- Sou subordinado e quero futuramente liderar uma equipe de trabalho. Tenho o perfil de competências para assumir essa responsabilidade? Já conversei com outros profissionais que atuam nessa função para saber como é a rotina real de trabalho? Sou hábil e positivo no relacionamento interpessoal?

- A organização em que trabalho atende às minhas expectativas não apenas no que se refere a salário e cargo, mas também quanto à cultura e clima organizacional? Sua missão, visão e valores são compatíveis com os meus?

- A minha insatisfação com a remuneração e cargo é coerente com a aquela praticada no mercado?

- Na possibilidade de mudança de organização, tenho vantagem competitiva? Estou preparado e tenho estrutura (inclusive financeira) para arriscar uma nova posição nesse momento?

- Meus objetivos profissionais estão claros ao ponto de saber quais as metas quero alcançar? São viáveis no sentido dos recursos necessários e tempo para realização (curto, médio e longo prazos)?

- Tenho clareza que o mundo corporativo pede cada vez mais profissionais com visão holística e atuação sistêmica, ainda que seja um cargo operacional? Sei que tarefas podem ser aprendidas, mas postura adequada já deve fazer parte do meu repertório comportamental? Quais atitudes devo modificar, realçar, excluir ou manter?

- Acredito que sou um agente de mudanças e melhorias e que não posso e não sou sujeito de uma condição que me desagrada no ambiente de trabalho?

Ainda que tais indagações pareçam óbvias, as respostas comumente não são e serão estas responsáveis pelo ponto de partida e de chegada bem sucedidos. Levantar expectativas, potencialidades e nível de comprometimento, prazos, mercado e recursos certamente permitirão iniciar um plano. O desejo de mudança só se tornará mudança mediante um plano efetivo de mudança.

Além disso, entender o contexto histórico do mundo corporativo favorece a compreensão da necessidade do autoconhecimento suscitado aqui. Em menos de um século passamos da era do produto para a era do conhecimento. De uma gestão operacional para uma gestão estratégica e de mudanças. Do estudo de tempos e movimentos para a valorização da emoção. De estruturas de comando e controle para estruturas autônomas e de compartilhamento do poder e da responsabilidade. De equipes obedientes para equipes criativas. Do compromisso impresso para o mundo virtual. Do reconhecimento de estrelas individuais para reconhecimento de equipes de trabalho e sinergia. Da competição regional para a competição global e sem fronteiras. Do potencial medido pelos testes de Q.I. ao potencial da intuição e imaginação. Do estímulo pelo outro para o estímulo do resultado do próprio trabalho. Dos processos de trabalho para os modelos mentais.

Fica aqui parte do discurso de Lou Gerstner, CEO da IBM: “quero dirigir por princípios e não por procedimentos. Isso significa que quando surge uma situação, você não vai a um manual, pois sabe em seu coração e em sua cabeça o que fazer”.

Compreender-se com a possibilidade de reconstrução diária, deixando de lado o repetir-se toda a vida, favorece e facilita o planejamento da vida profissional e contar com os bons ventos da virada de ano inspiram a transpiração que virá a seguir.

Sheila Nobre Lazaro • Psicóloga e Consultora em Gestão de Carreira e Pessoas • CRP 06/89136


 

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