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É tradição reunir a família, os colegas do trabalho, do curso, da escola ou da faculdade para brincar de amigo secreto no fim do ano, como forma de confraternização e comemoração pelo Natal e pelo Ano Novo. É uma atividade que, por muitas vezes, tem o papel de aproximar as pessoas, uni-las e estreitar as relações, principalmente no ambiente profissional, onde todos se preocupam exclusivamente com as atividades do trabalho. O Amigo Secreto, entretanto, exige dos participantes envolvidos certa atenção, para que a festa seja sadia e não cause nenhum tipo de desconforto ou estresse em nenhuma pessoa.

O consultor em treinamentos Luiz Gabriel Tiago, conhecido no mercado como o Senhor Gentileza, é diretor da empresa Sr. Gentileza Educação Corporativa, voltada para o ramo de consultoria em treinamentos empresariais. Para ele, a primeira coisa a ser feita é consultar todos os colaboradores sobre sua intenção em participar do Amigo Secreto. “Esse tipo de interação permite a integração de pessoas que, até então, não se conheciam bem, e permite que estreitem seu relacionamento”, comenta o profissional. O ambiente criado nessa ocasião do ano deve ser aproveitado da melhor maneira possível. No Natal as pessoas costumam se sensibilizar mais umas com as outras. E a brincadeira da troca de presentes reforça essa ideia.

Para o coach de carreira e consultor de imagem Pedro Rodrigues, é essencial que, para que atividade lúdica seja bem desenvolvida e agrade a todas as pessoas que participarão do jogo, é importante compartilhar a lista dos inscritos com todos. Além disso, os envolvidos devem ter a oportunidade de trocar ideias e dar sugestões, para que não haja aborrecimentos no decorrer da brincadeira. “No documento é bom ter um campo para sugestões. Assim, se algo desagradar ou faltar, os organizadores serão comunicados a tempo por um dos participantes”, diz Rodrigues.

Dentro de quase todos os grupos que brincam de Amigo Secreto existe o tradicional hábito da troca de bilhetinhos anônimos, que são deixados geralmente dentro de alguma caixa num local fixo. Essa é uma maneira de dar mais dinamismo à brincadeira e levar os participantes a estimularem a curiosidade. Claro que o intuito maior é facilitar a vida dos “amigos secretos” e dar a oportunidade de brincadeiras à parte e charadas, a fim de gerar uma dúvida sobre quem tirou quem. Mas há um cuidado especial nesse caso exclusivamente. Mais comum de ocorrer dentro das empresas, devido à pouca afinidade e até a aversão entre funcionários, os bilhetinhos servem como uma ferramenta para fazer piadas mal-intencionadas e ofender colegas. “Essa situação acaba fugindo do controle, porque os bilhetinhos, na maioria dos casos, são secretos. Por isso é interessante incluir normas de conduta antes de a brincadeira começar. É bom criar um formulário padrão para o envio das mensagens. Essas ações ajudam a inibir possíveis bilhetes indesejados”, explica Pedro Rodrigues.

As regras gerais do jogo – ou da brincadeira – devem sempre ser bem definidas e todos precisam estar de acordo, para que não haja desistências após os sorteios e para que ninguém se sinta desconfortável. Afinal, a intenção do Amigo Secreto é propiciar alegria e não preocupação. “A regras são importantes para deixar claro quais presentes podem ser comprados, suas faixas de preços ou temas. Além disso, podem passar uma lista de preferências. Ou seja, cada participante já determina qual presente prefere ganhar. Os responsáveis pela organização podem entregar aos participantes um lembrete com as intenções dessa brincadeira. Podem também especificar a data, horário e local da entrega dos presentes”, orienta Luiz Gabriel, o Senhor Gentileza.

A jornalista Juliana Santiago, 23, sempre brincou de amigo secreto em família. O grupo geralmente contém de 15 a 20 pessoas, entre pais, tios, primos, avós e até alguns amigos. A regra básica, no caso dela, é a definição de um valor para os presentes. “Se a pessoa quiser comprar mais de um, não tem problema. Para mim, esta regra é importante para que todos participem, pois não sabemos quanto cada um poderá gastar com um presente e isso facilita na hora de escolher. Não temos outras regras”, conta. O mesmo ocorre com Thaís Gonzales, 28, que também é jornalista e atua como diretora da Gonzales Comunicação. Ela sempre participou dos grupos de Amigo Secreto, seja na escola, na faculdade, no trabalho e, atualmente, mais em família. Lá, a premissa básica é o valor a ser gasto com o amigo. “Já participei de muito Amigo Secreto. Quando não se define o valor do presente é um grande problema. Você compra algo bacana, gasta um valor considerado e ganha qualquer coisa, geralmente em valores bem inferiores. Não acho que precise de um livro com regras, mas definir o valor do presente evitará confusões e desentendimentos”, explica.

Há, no entanto, os que não querem ou não podem participar da brincadeira, mesmo após a definição das regras e a estipulação do valor a ser gasto com o presente. É, de fato, uma situação delicada, que requer bastante jogo de cintura. Os demais amigos, que participarão do jogo, podem interpretar de maneira deturpada e achar que a pessoa que negou o convite é inconveniente ou antipática. Segundo especialista a melhor forma de sair educadamente dessa situação é sendo o mais sincero possível e não se sentir inibido em dizer que o valor está acima do esperado, se este for o caso. “O ideal é ser sincero. Comentar sobre o valor não é visto como um problema. O participante pode dizer que as despesas de final de ano serão altas, pois, além dos gastos com festas de Natal e Ano Novo, também terão os presentes dos familiares e demais amigos”, indica o consultor Pedro Rodrigues. Luiz Gabriel Tiago reforça essa tese e ressalta que participar da brincadeira sem ter condições ou omitir a realidade pode ser pior. “É muito melhor ser sincero do que participar do sorteio dos nomes e no dia não aparecer com o presente. Já imaginou que vergonha? Isso não seria nada gentil. O ideal é falar a verdade e não participar”, aponta.

A forma mais clássica da brincadeira de Amigo Secreto é com o sorteio dos nomes e a troca de bilhetinhos feitos com papel e depositados numa caixa física, geralmente de papelão, instalada em algum canto da empresa – ou da residência, se for o caso. De alguns anos para cá, porém, como em todos os campos, a brincadeira ganhou uma versão moderna e digital. O sorteio e a troca de recadinhos são feitos através de sites específicos disponíveis na internet. A grande vantagem desse formato é que ele permite a integração de pessoas que estão fisicamente longe e só irão se encontrar no dia da troca dos presentes. É uma boa ferramenta também para filiais de empresas que geralmente se encontram apenas na festa de confraternização de fim de ano e aproveitam para trocar os presentes. “Já participei de Amigo Secreto usando sites especializados. Funcionam bem. Mas na minha família as pessoas não se acostumam com novas tecnologias e os papeis ainda são usados”, diz a jornalista Thaís Gonzales.

Amigo da Onça

Enquanto no Amigo Secreto a ideia é presentear a pessoa que foi sorteada com uma coisa agradável, que ela goste, ou até com algo que já foi antecipadamente escolhido através das trocas de bilhetes e recados, no Amigo da Onça o esforço é para caçoar com o sorteado. Se a pessoa não gosta de cachorros, dá-se um de pelúcia. Se ela tem pavor de barata, embrulha-se uma de borracha no papel de presente e entrega. Se for fanático torcedor de um determinado time, o presente pode ser a camisa do principal rival. A intenção é mesmo incomodar e fazer com que todos riam da situação. Nos dias de hoje podemos chamar de trollada, como é conhecido o ato de zombar com o amigo.

Mas o cuidado deve ser redobrado. Algumas pessoas costumam usar a brincadeira para ofender o colega. O coach Pedro Rodrigues não indica esse formato de brincadeira no ambiente de trabalho. “Na empresa o Amigo da Onça deve ser evitado. Pois, na maioria das vezes, o presente fará referência a alguma situação constrangedora. Seja ele o ‘gordinho’, o ‘pegador’, o ‘cachaceiro’, a ‘pirigueti’. O objetivo sempre será denegrir a imagem do outro, ainda que seja brincadeira. Ele pode achar que é uma opinião da empresa e não dos colegas de trabalho. Isso não é nada bom”, defende o profissional.

No caso das pessoas que escolhem mesclar o Amigo Secreto com o Amigo da Onça é necessário criar, também, algumas regras e saber ao certo quem serão os convidados, para que o que é para ser uma descontração não se torne um momento estressante e constrangedor. “Essa brincadeira é super divertida e saudável quando bem administrada. Quem organiza esse perfil de “Amigo Secreto” deve estar atento ao comportamento e relacionamento interpessoal dos prováveis participantes. Normalmente já temos um termômetro durante o ano que nos indica essa possibilidade”, complementa o consultor Luiz Gabriel.


 

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