FOTOS

Dia 25 de dezembro comemoramos o Natal. Por ser uma tradição cultural, essa festa se manifesta de diferentes formas no mundo, dependendo da região ou mesmo da religião. 

Natal é uma festa de gostos, cores e cheiros próprios que apelam aos sentidos e à emoção. Difícil não pensar na comemoração sem se recordar da decoração luminosa e de cores vibrantes, das canções, da mesa farta, dos presentes surpresas, da maior arvore que já vimos e da Missa do Galo. 

Há tantas variações que vão desde a data da comemoração até as preferências gastronômicas. Enquanto para a maioria do mundo a festa acontece na véspera e no feriado do dia 25 de dezembro com a troca de presentes, muita comida e família reunida, para outros passa quase despercebido. 

Com a globalização, o Natal chega a ser comemorado mesmo em nações nas quais o cristianismo não é predominante, como Japão e Países Árabes, cada um à sua maneira. 

O Brasil, país de misturas, do branco, do negro, do moreno e do amarelo, onde se encontram uma infinidade de nacionalidade e religiões. Um dos maiores países em área e diversidade, pois é no Brasil a terra dos índios e que abriga também dezenas de povos diferentes, que distribuídos por nossa terra espalham cultura e religiosidade. Aprendemos a conviver naturalmente com essa miscelânea de informações e tradições. Muitas vezes, até sem percebermos, inserimos os costumes, cultura e religião no nosso dia a dia já há algum tempo. 

Em cada lugar no nosso país há diferentes sotaques, que incluem desde o caipira ao estrangeiro. Diferentes ritmos de música e dança, como pagode, rock, forró e funk. Das inúmeras descendências: japonesa, africana e indiana e dos diversos pratos típicos, como, por exemplo, feijoada, acarajé e chimarrão. 

A diversidade do Brasil chama a atenção não só de nosso povo, como também de todos os outros países, que admiram essa grande diversidade e a troca de aprendizagem que o Brasil proporciona com essa multiculturalidade. 

É marcante na tradição brasileira, herdada em grande parte dos costumes europeus, encontramos outros sentidos e variações, o que não impede que a data seja lembrada com as características próprias de cada lugar acrescentando as nossas raízes.
 
Através da educação, da facilidade de interagirmos, da abertura para a sociabilização, a cultura é veiculada por instituições educadoras e apreendida pelas novas gerações. 

Por isso, é importante entender como a educação viabiliza o multiculturalismo e possibilita a diversidade cultural, criando um espaço democrático que dê lugar ao encontro e à convivência entre as culturas e as religiões, sendo capaz de operar verdadeiros “milagres”. 

Variedade gastronômica e cultural faz parte das ceias brasileiras.
 
O contato com diversas culturas não faz com que se dispense a comemoração natalina à moda brasileira, enriquecida pelas tradições do bem receber, fartura na mesa e acolher o menos favorecido, o solitário, o novato; fazendo na hora da refeição comemorativa um momento de confraternização entre amigos e familiares, e o mais interessante: os amigos e familiares de nossos amigos. 

Para percebemos claramente que esta adesão aos hábitos nos são muito familiar, até mais do que pensamos, na família libanesa, para a ceia natalina, pernil, castanhas, frutas e frango com farofa são tão indispensáveis como a oração feita às 23h, de mãos unidas. 

Católico ortodoxo, seus familiares celebram o nascimento de Cristo e não abrem mão de muitas comidas típicas, como quibes, charutos, ariche (queijo temperado), frutas e castanhas. É um momento de fartura e reunião familiar. E, ao final, dançam, como é comum em toda festa libanesa. 

Com a influência de uma cultura europeia, de acordo com o descendente de italianos, o encontro natalino é sinônimo de festa, animação e boa comida. Massas como ravióli, nhoque, peixes e a sobremesa tiramisu são as preferências neste período. “Evita-se comer maçã no dia porque está relacionada ao pecado”, afirmam os tradicionalistas. A entrega dos presentes é feita só no dia 6 de janeiro, Dia de Reis, em lembrança à visita dos Reis Magos ao Menino Jesus. Em todas as igrejas são montados presépios. As crianças esperam a visita da Befana, que traz presentes para os bons e castigo para os maus meninos. 

Para a tradição portuguesa é que as crianças deixam um sapato em um lugar escolhido estrategicamente para que o Papai Noel coloque os presentes, que podem ser abertos somente no dia 25 de dezembro. Na ceia, comem o bolo-rei e um pão de frutas que contém um presente dentro e é a grande diversão da data. O prato principal da ceia é o bacalhau, seguido por arroz de polvo. O doce mais tradicional do Natal português é a rabanada. 

Natal americano é rico em cor e brilho, e as decorações das lojas e shoppings são conhecidas em todo o mundo. Nas casas, a decoração é feita com lâmpadas coloridas, bonecos de neve, velas vermelhas e guirlandas. As crianças penduram meias perto da lareira para esperar a chegada do Papai Noel. Na véspera de Natal, vizinhos se unem para cantar músicas de Natal, mostrando o espírito de confraternização. Os presentes são abertos na manhã do dia 25 de dezembro. O prato típico é peru recheado acompanhado de frutas tropicais. 

O Natal não é muito difundido no Japão, mas os japoneses abraçaram o ritual ocidental de troca de presentes neste período, costume muito apreciado na sua cultura. Os japoneses enfeitam as casas, cantam músicas e servem peru, além de pratos como sashimi, oniguiri e legumes picados. Outro hábito também foi adotado pelos japoneses: como as bonecas sempre foram muito valorizadas em suas tradições, o presépio encantou os japoneses – especialmente as meninas, que gostam de montar os seus próprios presépios. 

Os franceses cultivam a tradição da reconciliação no Natal, em que as pessoas visitam a casa de um inimigo para lhe pedir perdão. A reconciliação é, então, brindada com vinho. Para a ceia, cada região tem o seu prato tradicional. 

Para os parisienses, Natal é sinônimo de ostras e foie gras. O doce típico é o buche, feito de marzipã, coberto com chocolate e em forma de tronco de árvore. Nas creches, as crianças representam cenas da vida de Jesus e dos santos. 

Na ceia polonesa não se come carne vermelha, mas sim peixes, acompanhados de vinho branco, sopa de cogumelo, pão, doces de mel e torta de sementes de papoula. Depois que a família senta-se à mesa, somente a dona de casa se levanta para servir as iguarias. À meia-noite, os poloneses assistem à Missa do Galo. No dia 25, a festa começa no café da manhã, quando pode ser servido presunto e carnes à vontade. Este desjejum é a refeição mais festiva do dia. Já os presentes são trocados em seis de dezembro, dia de São Nicolau. 

Percebemos que algumas iguarias nos são muito familiares e para continuar sempre com o conceito de um povo gentil e acolhedor, vamos seguir algumas dicas: 

Quando souber que vai receber convidados de outra cultura e outra religião, seja sempre educado e gentil demonstrando o respeito da escolha da cada um. 

Não o bombardeie de perguntas e questionamentos constrangedores, não é uma boa hora, podendo mostrar total indelicadeza. 

Se souber com certa antecedência desta visita, se informe um pouco sobre itens que considere relevante. Jamais deboche ou ironize algum comportamento cultural ou religioso que desconheça, portanto, busque informações sempre, podendo até demonstrar carinho preparando um prato típico de sua terra para matar as saudades. 

Mas não precisa chegar ao extremo de decorar a casa em função dos convidados, afinal, as confraternizações são para todos. A neutralidade seria de bom tom. Quando iniciar a ceia, depois de sua oração tradicional, peça ao seu convidado para que diga algumas palavras ou faça uma oração para fortalecer aquele momento. Seu convidado se sentira lisonjeado. 

A nossa bandeira representa muito bem essa misticidade, pois com seu colorido descreve a nossa terra e o nosso povo, que sempre com alegria e diversão vêem a colorir as terras desse país, que é um país multicultural e multireligioso, acolhendo sempre o ser humano com generosidade e aberto para compreender o que é de novo e de bom que podemos acrescentar. Fará a todos muito bem, afinal, é o sentido verdadeiro do Natal.
 

Cida Lopes • Coach de Eventos Corporativos, Sociais e Gastronômicos • MBA em Hospitalidade • cida.aparecida.lopes@gmail.com


 

Voltar