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Instituições de ensino preparam alunos para o Enem e o vestibular
Por Arilton Batista

Colégios iniciam força-tarefa no primeiro ano do Ensino Médio e propõem reforços aos sábados para que os alunos conquistem boa nota no Enem e ingressem na faculdade

Chegar ao terceiro ano do Ensino Médio é um momento bastante aguardado pelos adolescentes, pois representa uma tomada importante de decisão, que é a escolha da carreira e da faculdade onde irão estudar e se preparar para o mercado de trabalho. Os pais e responsáveis naturalmente também aguardam com certa ansiedade pelo momento que deve definir o futuro profissional de seus filhos. Um dos caminhos de acesso às faculdades é o Enem – Exame Nacional do Ensino Médio. A nota conquistada no exame, que é aplicado em todo o país, é somada à nota adquirida no vestibular e contribui para o ingresso nas universidades públicas e ajuda na aquisição de descontos em instituições particulares. A avaliação é importante também para medir o nível de ensino das escolas em que os futuros universitários vão se formar.

Um dos maiores aliados, talvez o mais forte deles, é o colégio. É ele quem serve de fio condutor para que o jovem esteja de fato preparado para o Enem e para o tão esperado vestibular. E uma das preocupações é a maneira como os alunos serão reforçados para esses dois desafios, já que também têm de absorver o conteúdo programado para o terceiro ano do Ensino Médio. “Nós trabalhamos todos os sábados com as questões de Enem e vestibular. São aplicados simulados para preparar os alunos. Então, isso só tem a acrescentar”, explica Karina Fereguetti, diretora pedagógica do Colégio Fereguetti. Outra forma de aplicar a força-tarefa e contribuir com um bom desempenho é o remanejamento do plano das aulas, adiantando o conteúdo aplicado e deixando disponível a segunda metade do terceiro ano exclusivamente para revisão e treinamento. “Nós aplicamos simulados desde o primeiro ano do Ensino Médio. Os professores trabalham o conteúdo do terceiro ano até o segundo bimestre. No decorrer do ano eles aplicam todas as questões de Enem, que são embutidas nas provas”, conta Adriana Bressan, coordenadora pedagógica do Colégio Júlio Botelho.

Quem utiliza um método semelhante ao do Júlio Botelho é o Colégio Casagrande, que aplica todo o conteúdo do Ensino Médio nos dois primeiros anos e disponibiliza o último período para a revisão e preparação para o vestibular. Simulados, aulas extras, cursos e oficinas também são aplicados com a proposta de preparar os adolescentes da escola para a realidade dos exames das faculdades e Enem. “No final do segundo ano o aluno já viu todo o conteúdo que normalmente ele veria em três anos. E o terceiro ano é inteiro somente de revisões. Nós fazemos revisão de todas as disciplinas e aplicamos, em média, 30 simulados no ano”, explica a diretora pedagógica do colégio, Cristine Almeida, que avalia o esforço dos colégios em preparar os alunos para a faculdade como essencial. “Se a escola não fizer essa atividade o aluno não vai querer ir para o vestibular, porque, para eles se sentirem motivados, precisam perceber que a proposta da escola é essa”, comenta Cristine. Os simulados feitos com os alunos seguem os padrões de universidades renomadas, como Fuvest, Unicamp e Unesp.

Alguns métodos alternativos também são importantes para motivar e capacitar os alunos do Ensino Médio. Segundo Sônia Piconi Rabetti, coordenadora do Colégio Martins Penna, os simulados aplicados também somam pontos nas notas escolares e são corrigidos pelos professores e repassados para os alunos, a fim de sinalizá-los sobre o que e onde estão errando. “Para que os alunos se sintam mais valorizados, é dada uma pontuação pelo desempenho nos testes. No terceiro ano eles estão mais preocupados, focados para a formação. Mas nós trabalhamos desde o primeiro ano, para que eles comecem a valorizar esse tipo de avaliação. Depois dos simulados é feita a correção e passado para o aluno, com acertos e erros. Eles sempre pedem que os professores façam uma discussão especial de cada disciplina sobre algum exercício que gerou dúvida”, diz Sônia. O Colégio Objetivo utiliza o método de aplicar o conteúdo do Ensino Médio num período menor e utilizar o restante do tempo para trabalhar as questões do vestibular e desenvolver o aluno para o Enem. “O nosso conteúdo do Ensino Médio é dado num tempo menor do que três anos. Aí no último semestre do terceiro ano nós não temos mais conteúdos novos. Com isso, nós fazemos uma revisão de todo o Ensino Médio, preparando o nosso aluno para o vestibular. Nós levamos o nosso aluno a ser crítico, a questionar, a pensar”, comenta a orientadora pedagógica Rose Melito.

Muitas pessoas costumam conciliar a escola com algum curso preparatório ou pré-vestibular, a fim de reforçarem e recapitularem toda a substância do Ensino Médio e terem mais chances de se saírem bem no vestibular. Para a diretora adjunta do Colégio São Vicente de Paulo, Soreny de Espírito Augusti, os cursinhos são válidos para os que necessitam de apoio na hora do estudo ou aos que estão afastados há algum tempo da escola. “O Colégio São Vicente oferece todos os subsídios ao aluno que pretende ter êxito no Enem ou nos melhores vestibulares. Conciliar cursinho com a escola pode levar o aluno a um desgaste físico e emocional intenso”, diz. O São Vicente utiliza como reforço a aplicação de simulados e cursos específicos, além de orientação vocacional. Rose Melito, do Colégio Objetivo, defende a ideia de se fazer curso preparatório após a conclusão do Ensino Médio, se for o caso. Para ela, a conciliação das duas atividades atrapalha o foco. “O curso junto com o terceiro ano acaba se tornando cansativo para o aluno, que nem sempre vai render bem. Não vai assimilar bem nem o terceiro ano, nem o cursinho”, diz.

Para Cristine Almeida, diretora do Colégio Casagrande, os cursos preparatórios são uma alternativa para os que tentam passar no vestibular e não conseguem, pois, quando conciliados com o terceiro ano, podem atrapalhar o rendimento do aluno e não gerar o resultado almejado. De acordo com ela, fazer o cursinho após a primeira tentativa de entrar numa universidade conceituada é o mais adequado porque o jovem já está mais maduro e preparado. “O jovem, aos 17 anos, é muito imaturo para conseguir conciliar tudo isso. Se for ao curso também, ele vai ficar extremamente cansado e não vai se dedicar como  precisa aos estudos no colégio”, diz. As aulas do Ensino Médio no Casagrande são em período integral, com intervalo de 40 minutos.

Sônia Piconi Rabetti, coordenadora do Colégio Martins Penna, explica que os alunos que optam por fazer cursinhos preparatórios conjuntamente com o colégio têm total apoio da escola, pois, segundo a educadora, administrar as duas atividades de maneira eficaz depende do aluno, do interesse dele. “O aluno que é bom, que está envolvido, que está preparado, é capaz de conseguir trabalhar tanto o Ensino Médio normal e no contraturno fazer o cursinho. Só vai acrescentar. Tenho muitos alunos aqui que fazem cursos técnicos em outros períodos”, conta Sônia. O Colégio Júlio Botelho procura se adequar com os anseios dos pais e dos próprios alunos no quesito cursinho, desde que não o prejudique com as atividades propostas pela escola. “Aqui no colégio tem alunos que fazem o cursinho na parte da tarde. E nós até adequamos as questões de horário para que eles não se prejudiquem. Eu não acredito que sobrecarregue o aluno”, diz Adriana Bressan, coordenadora pedagógica.

Karina Fereguetti, diretora pedagógica do Colégio Fereguetti, reforça a ideia de que a escola é base do saber, pois no nosso caso, o aluno é preparado em sala, além de contar com apoio complementar no pós período e aulas específicas aos sábados. “Pode-se pensar no cursinho pré-vestibular para aqueles que estão fora da escola há algum tempo, ou que precise de revisões mais intensas, por terem apresentado dificuldades maiores no ensino médio”.

Os familiares também possuem papel fundamental nesse processo, já que estão presentes diariamente com os jovens e são fortes incentivadores. Há algumas dicas que podem servir de referência nesse sentido. Entre elas, evitar pressão, demonstrar interesse pelo o que ele está estudando, valorizá-lo, não tomar como referência o comportamento de outras pessoas, ajudar e não superproteger, não o deixar estudando e viajar com o restante da família, não impor uma profissão e ajudá-lo a fazer contatos com especialistas da área escolhida.

O Exame Nacional do Ensino Médio de 2013, realizado nos dias 26 e 27 de outubro, contou com mais de 7 milhões de inscritos e 5 milhões de testes realizados, tendo 29% de ausência.


 

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