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Surgido nos Estados Unidos na década de 1970, o esporte se consiste em caminhar e executar manobras equilibrando-se numa fita elástica esticada e presa em dois pontos fixos – postes ou árvores. As fitas geralmente têm entre 25 e 50 milímetros de largura e ficam suspensas a partir de 30 centímetros do chão, variando de acordo com o nível de cada praticante. O esporte chegou ao Brasil em 1995 e começou a ganhar seguidores no início dos anos 2000, tendo como principal foco as praias do Rio de Janeiro e se espalhando por quase todo o país nos anos seguintes. Hoje o slack também está presente em outros grandes centros, como São Paulo, Minas Gerais, Salvador, Fortaleza, Brasília, entre outros.

A prática do slackline traz inúmeros benefícios para o corpo, principalmente os relacionados ao fortalecimento muscular dos membros inferiores, ombros e abdômen, além trabalhar as articulações por conta da flexibilidade da fita. Outro aspecto positivo para quem se equilibra na corda bamba do slack é o auxílio para a prática de outros esportes. "Eu pego onda. E o surf exige um mínimo do corpo. Comecei um fortalecimento através de ginástica natural, exercícios funcionais e, agora, o slackline. Uma coisa sempre presente nesse esporte é a superação", conta o design gráfico Jessé Ruiz, 25.

No caso do praticante Bruno Gomes Efraim, 27, o esporte foi além do simples prazer. Com uma cirurgia recém-realizada para a retirada de uma hérnia de disco lombar, o slackline funciona para ele como uma fisioterapia, fortalecendo a musculatura profunda e prevenindo possíveis lesões por meio da isometria – contrair a musculatura sem a necessidade de movimento. "Hoje sem um pedaço do disco vertebral, retirado na cirurgia, eu preciso compensar este esforço mecânico através de uma musculatura forte e mais resistente", explica.

Entre os benefícios ligados à mente estão o relaxamento, o desestresse, o aumento da concentração e do reflexo e o desenvolvimento do equilíbrio. Esses fatores são potencializados porque geralmente o esporte é praticado ao ar livre, em locais com muitas árvores e abertos. O funcionário público Fábio Araújo Soares, 38, praticante de slackline há um ano e meio, conta que sentiu grandes mudanças desde que começou no esporte. "Percebi que fiquei mais tranquilo. Eu era muito agitado e tinha problemas de ansiedade. Depois de um ano e meio estou bem melhor. Eu saio dos meus treinos, que duram três horas, com uma paz de espírito", diz.

Por ser uma região bastante arborizada e aberta, o Parque Tiquatira foi o local escolhido por um grupo de praticantes moradores da Penha e região. O local exato onde se encontra o pessoal do "Slackline Outros 500" – como se autobatizaram – é no gramado que cerca a pista de corrida e caminhada, próximo ao AMA - Assistência Médica Ambulatorial. Liderado por Fábio Araújo e Bruno Gomes Efraim, o grupo tem como objetivo propagar a cultura e a prática do slackline. Há também a ideia de se criar um slackpoint – local adaptado para o esporte –, pois há poucas árvores grossas no parque, o que acaba limitando a prática em um único ponto. A criação do point, segundo Fábio, beneficiará também outros setores, como o meio ambiente, já que mais espécies de árvores seriam plantadas. O local pensado é ao lado da atual pista de skate. "O primeiro objetivo é beneficiar as crianças da comunidade da Tiquatira, além de fortalecer a prática do slackline", explica Fábio, que busca apoio de entidades para conseguir executar o projeto. Os que quiserem ficar por dentro das atividades do grupo "Slackline Outros 500" podem procurar pela página no Facebook.


 

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