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Um dia, revirando as coisas lá de casa, descobri alguns discos de vinil que meu pai mantém mesmo depois da era do CD ter chegado! Entre muitas peças daquela época achei o primeiro álbum de estúdio gravado por Tim Maia, em 1.970. Na época dos chamados "bolachões", a pirataria era quase inexistente devido aos problemas técnicos que envolviam a prensagem deles, o que ficou facilitado com a entrada dos CD’s, mas não é sobre esse tema (LP’s) que escreverei desta vez, e sim sobre o Tim. Esse disco trazia uma sucessão de músicas que marcariam sua carreira ao longo dos anos, uma carreira que foi tão repentinamente encerrada, porém, acredito eu, da forma que ele sempre sonhara ou seja, em um palco, reclamando do retorno e todas as outras coisas que fizeram dele, Tim Maia, o verdadeiro "síndico" da música brasileira. Esse achado não foi por acaso, já que o He Saike estava pensando sobre qual o tema do seu próximo trabalho!

Mas eu disse acima que esse LP apresentava muitas canções que naquela voz rouca e inimitável ficariam marcadas para sempre e isso não foi à toa, pois lá estavam: É primavera; Azul da cor do mar; Coronel Antonio Bento; Padre Cícero (que à época seria tema da novela irmãos coragem em sua primeira versão, recebendo uns leves toques para servir ao personagem João Coragem, interpretado por Tarcísio Meira) e outras que seriam mais ou menos conhecidas do grande público.

Perguntei ao meu pai o que o levara a comprar aquele disco, já que Tim Maia era pouco conhecido, e ele me respondeu que atendeu ao seu faro (rs) de discófilo! Na verdade ele me confidenciou que a compra se devera à canção Azul da cor do mar, mas que depois de ouvir o LP inteirinho, concluiu que havia feito uma excelente aquisição, tanto que aquele "discão" foi um dos poucos que ele não vendeu.

Desde o final do ano passado (2012), Tim Maia vem ressurgindo em grande estilo, já tendo sido alvo de um musical no teatro, brilhantemente interpretado pelo Thiago Abravanel. Algumas de suas músicas tem servido de tema para propagandas na televisão e no rádio e está prometido um filme baseado no livro do Nelson Motta. Nada mais justo do que falar-se muito desse grande interprete (pleonasmos viciosos à parte) que deixou a cena há 13 anos.

Ouvindo cada faixa daquele LP, fui descobrindo muito mais do que eu sabia a respeito do Tim Maia. Interpretações acima do magistral, com arranjos diretos e sem rebusques, deixando fluir um vozeirão que passeava entre o agressivo e o mais que sutil. A respiração sempre bem colocada deveria realmente fazer a quem o ouvisse viajar em cada frase.

Interessante dizer que muitas daquelas canções foram compostas não pelo Tim e sim por compositores que até então eram desconhecidos. Fazer parte da obra de Tim Maia foi, certamente, um prêmio que tiveram em suas caminhadas. Depois desse disco viriam outros igualmente geniais trazendo para o nosso dia a dia sucessos como O descobridor dos sete mares; Chocolate; e tantas outras.

O LP não trazia nenhum nome a não ser Tim Maia e, cá entre nós, nem precisaria, pois esse nome já bastava como bastaria para identificar de quem se tratava!

É possível que se encontre nos sebos essa pérola da MPB misturada à mais pura interpretação da Black Music nacional ou, quem sabe, uma remasterizarão em CD. Qualquer empenho para encontrá-lo valerá a pena e permitirá a quem ouvir dar uma passadinha nos anos 70 e ver de onde tudo começou.

Não vou escrever sobre a vida do Tim até chegar nesse LP pois muitos já sabem e o que não faltará será oportunidade para aprender um pouco da vida desse cara muito louco que preencheu o espaço em aberto dentro do cenário musical brasileiro. Importante mesmo é que conheçam esse cara, sua trajetória e principalmente sua obra, pois só assim será possível entender a razão de tanto estar-se falando dele nos últimos tempos!


 

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