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Contar histórias é uma das formas mais eficientes de se ensinar ou levar ideias novas para as crianças. É a arte mais antiga. Quase toda criança gosta de ouvir uma historinha, mesmo que das mais simples, antes de dormir. E a atividade proporciona diversos benefícios àqueles que estão se formando. Enriquece do vocabulário, instiga a imaginação, aumenta o nível de atenção e motiva a leitura, além de explorar a diversidade cultural e promover o senso crítico. A partir dos dois anos a criança já consegue se estimular com as histórias. E para cada fase da infância há uma forma diferente de se explorar os contos, indo de narrativas sobre bichinhos, com textos curtos, passando por casos reais e com personagens superpoderosos, até relatos históricos e descrição de viagens.

Contar histórias para os pequenos é uma atividade que não requer muito esforço, muito menos habilidades específicas. Pais, irmãos, tios, madrinhas e padrinhos já são contadores de histórias em potencial. Entretanto, há profissionais especializados nessa arte. As pessoas que viveram a infância na década de 1990 provavelmente se lembram de um quadro chamado Contadores de Histórias, do programa Ra-Tim-Bum, na TV Cultura. O bloco, apresentado por Arthur Kohl e Helen Helene, expunha histórias ilustradas com fantoches e objetos que representavam os personagens. Colheres, travesseiros, copos, rolos de papel higiênico, canetas, palito de sorvete, papel, caderno. Os objetos utilizados variavam de acordo com o enredo. Não existem regras na hora da contação.

A contadora de histórias penhense Ingrid Silverol, 43, que é também musicista e pedagoga, usa a música como componente das histórias que conta, tanto que é autora do projeto Contação e Cantoria, que visa justamente essa integração. "Existe uma infinidade de recursos. Mas o contador de histórias precisa ser capaz tanto de sentar numa roda de pessoas e narrar sem a necessidade de nada, senão sua voz, assim como narrar num palco cheio de alternativas. O que importa é a história", comenta. Algumas pessoas costumam apenas abrir o livro e dissertar a história da forma mais tradicional possível, alternando apenas a entonação da voz. Outros já conhecem a história, e apenas a reproduzem sem a necessidade do livro. Os cursos profissionalizantes têm, entre outros, o objetivo de ensinar técnicas e formas diferentes de se expor a narrativa, a fim de ilustrar melhor e prender a atenção do ouvinte.

Ingrid Silverol detectou cedo o interesse pela contação de histórias. Aos 17 anos já reunia grupos de crianças em sua casa para contar histórias, cantar e brincar. Para o ela, o termômetro que indica que o trabalho está sendo bem realizado é o olhar de cada criança do grupo e a maneira como se comportam. "Quando as vejo grudadinhas sem piscar, quietas e ouvindo com atenção sei que está tudo correndo bem. No geral, dá pra perceber pelo brilho nos olhos dos ouvintes. Já teve criança querendo me levar pra casa dela. Isso é emocionante.", conta Silverol. Os interessados em começar nessa atividade, seja por hobby ou profissionalmente, têm de se acostumar a ler livros de variados temas e estilos, contar histórias informalmente para outras pessoas e treinar num local onde se sintam confortáveis. No mercado também existem cursos e oficinas que abordam a temática.

Para despertar a curiosidade e estimular o conhecimento nas crianças, o Shopping Penha promoveu durante um mês, entre 13 de setembro e 13 de outubro, em parceria com a livraria Nobel, o evento Vila do Livro. Foi disponibilizado no interior do shopping um espaço de leitura para adultos e crianças, além da contação de histórias realizadas pela Cia. EspalhaContos e pelos contadores Ingrid Silverol e Edmilson Avila. "Nunca deixe de contar as histórias que ficam dentro de você. Elas existem e estão aí, doidas pra encantar muitas pessoas", finaliza Ingrid, que busca parcerias para a realização de trabalhos sociais na região da Penha.


 

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