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No mês do aniversário do bairro, penhenses reconhecem o potencial da região e almejam mudanças
Por Arilton Batista



Lei de zoneamento, uso e ocupação do solo e ampliação do sistema viário da região estão entre as perspectivas de avanço, além da verticalização do bairro

Muito mais importante que aquela lista de metas pessoais que muita gente faz na virada de um ano para o outro é a elaboração do Plano Diretor Estratégico, o PDE, que serve como um fio condutor para as expectativas de desenvolvimento da cidade. É com ele que são traçados os rumos da cidade e a qualidade de vida dos munícipes. Com base Plano Diretor é que são propostas ideias de melhorias para que haja o desenvolvimento urbano de determinada região, envolvendo temas como trânsito, uso e ocupação de solo, transporte público, entre outros. E 2013 é o ano em que o PDE será remoldado pela Prefeitura da Cidade de São Paulo.

Sendo um dos bairros mais antigos e tradicionais, a Penha é composta por moradores acostumados a conservar os laços com a vizinhança. É comum ver pessoas sentadas nas calças, em frente aos portões das casas, conversando durante a tarde. Senhoras e senhores, casais de meia idade, moças e rapazes. E algumas crianças ainda mantêm o hábito de brincar na rua, soltar pipa e jogar futebol. Essa é a Penha, que no passado serviu como centro comercial para os demais bairros da Zona Leste, como Guaianazes, Ermelino Matarazzo, Arthur Alvim, Itaquera, etc. Algumas lideranças da região que representam diversos setores e camadas sociais, entretanto, defendem a ideia de que o bairro pode e deve passar por mudanças, principalmente nos campos do empreendedorismo, da verticalização imobiliária e do sistema viário. 

Para Johnny Soares, proprietário dos restaurantes Panelão do Norte, Tiquatirão e idealizador do projeto “Av. Tiaquatira – Avenida da Copa”, as pessoas têm de ter mais liberdade para construir na região, mas não focar na total verticalização das moradias, e sim na mescla entre casas e prédios. “Não verticalizar totalmente, mas sim uma grande parte da nossa região. Os empreendimentos verticalizados são bons principalmente pela segurança que oferecem”, defende Johnny. Reinaldo Martines Ruiz, responsável pelos projetos do Plano Diretor para o bairro, explica que a tal verticalização da Penha não tem como interesse fazer com que a região perca suas características, como aconteceu em bairros vizinhos. “Não queremos transformar a Penha num paliteiro, como é o Tatuapé. Nosso interesse é a verticalização em áreas delimitadas e muito bem pensadas. Não queremos perder a característica do bairro. É a modernidade em comum acordo com a tradição”, conta Ruiz.

O sistema viário, de entrada e saída do bairro, principalmente para as avenidas Radial Leste e Marginal Tietê, é outro ponto que o penhense aponta como primordial e que precisa ser modificado. Com acessos limitados, a Penha tem como alternativas para entrar na Radial Leste as Ruas Mirandinha e o Viaduto Dona Matilde, próximo ao Metrô Vila Matilde. E a principal forma de contato com a Marginal Tietê é através da Avenida Governador Carvalho Pinto, a Tiquatira, passando pelo Viaduto Milton Tavares de Souza. “Nós precisávamos ter uma saída pelo viaduto Aricanduva. São coisas simples, mas necessárias. Porque esse tipo de saída que nós temos hoje é péssimo”, diz o Dr. Abel Ferreira Castilho, advogado, ex-vereador e autor da lei que institui 8 de setembro o aniversário da Penha. Luciano Carlos Araujo Lima, superintendente da Distrital Penha da Associação Comercial de São Paulo, reforça que o sistema viário da região tem mesmo de ser revitalizado, mas reconhece o potencial da Penha. “É um bairro que está pronto para o desenvolvimento”, comenta Lima.

Há uma expectativa de que a Penha retome o potencial no âmbito comercial quando essas mudanças no sistema viário acontecerem no bairro, que se tornará mais acessível. “Isso vai tornar o nosso espaço mais competitivo e uma possibilidade de a gente retornar ao volume de comércios de anos atrás. Nós ficamos no ostracismo durante muitos anos. Esse ostracismo foi definido por conta da falta de planejamento urbano, da falta de mobilidade urbana e saídas”, diz Luiz Carlos Picone de Araujo, presidente do Clube Esportivo da Penha, que salienta que a região está em um processo de valorização. Outras duas figuras penhenses que defendem a ideia de mudanças nos acessos ao bairro são Francisco Biagini, presidente do Rotary Clube Penha, e Manuel Gonçalves, proprietário da loja Art-Flora. Para Biagini, “falta muito para que o poder público olhe para o bairro”. Já o comerciante aponta que essa dificuldade para entrar e sair da Penha tem prejudicado o mercado de vendas. “Eu sinto que os clientes vêm diminuindo. Antes o comércio era forte”, conta Gonçalves.

Outra questão que envolve o trânsito dos moradores da Penha é o transporte público. A instalação de um corredor de ônibus que virá da Avenida Celso Garcia e possivelmente cruzará a Penha, rumo a Ermelino Matarazzo e São Miguel Paulista, está projetado e segue sob análise dos órgãos competentes, como a SPTrans. Ainda não é certo que o corredor passará mesmo pelo bairro devido às ruas estreitas que contemplam a região. Eugênio Cantero Sanchez, diretor do jornal Gazeta Penhense e conselheiro nato da Distrital Penha da Associação Comercial de São Paulo, acredita que, com o corredor de ônibus viabilizado, o bairro sofrerá menos com congestionamentos e se tornará mais tranquilo tanto para a entrada quanto para a saída. “O penhense hoje fica meio prisioneiro aqui com essa dificuldade de transporte para outros locais. E o corredor de ônibus que está projetado será uma via a mais de alternativa para a chegada e a saída da região”, diz Sanchez. Para o Dr. Hatiro Shimomoto, presidente do Grupo King Contabilidade e ex-deputado, também “deveria haver um elevado da Celso Garcia até a Rangel Pestana, para ligar a Penha com outros bairros”. O representante do Lions Club Penha, o presidente da instituição, Progresso Cabrera, comenta que, além das melhorias nos transporte e o acesso ao bairro, deve-se dar atenção às questões que envolvem saúde e educação. “Eu acho que as escolas estão um pouco carentes, assim como a saúde. O Lions, que não tem nada a ver com os Governos Estadual e Federal, até disponibiliza espaço para a UBS – Unidade Básica de Saúde, quando necessário”, conta Cabrera.

Mesmo com as necessidades de melhorias – o que não é exclusividade da Penha, e sim do toda a cidade –, o bairro possui suas grandes forças, como a Avenida Tiquatira, que serve de ligação com diversos bairros da região leste, como Vila Ré, Ermelino Matarazzo, Arthur Alvim e Itaquera. Este último, inclusive, é onde se encontra em fase de conclusão um dos estádios da Copa do Mundo, a Arena Corinthians. Entre mão e contramão, no canteiro central da avenida, há também o Parque Tiquatira, composto por campo de futebol, quadra de esporte, pista de skate, de caminhada e outras ferramentas de entretenimento disponíveis para a população. O espaço é considerado o maior parque linear de São Paulo. “Para a região da Penha a Tiquatira foi um presente fantástico”, comenta Johnny Soares, autor do projeto “Av. Tiaquatira – Avenida da Copa”, que tem como principal objetivo garantir que a Penha se beneficie efetivamente com a realização da Copa de 2014. Entre os projetos que pretendem alavancar a Penha a outro patamar está a construção de uma nova estação de Metrô, que provavelmente ficará no centro do bairro, onde hoje se encontra a Praça 8 de Setembro.

No âmbito judicial há ainda uma boa expectativa para o bairro, como explica o Dr. Márcio Gonçalves, presidente da 94ª Subseção Penha de França da OAB/SP. “Temos a feliz expectativa da instalação na Zona Leste, mais precisamente em nosso bairro, da Justiça Federal Trabalhista, o que indubitavelmente trará novas perspectivas aos operadores do direito, bem como a comunidade local”. Grato e com uma visão positiva sobre o desenvolvimento do bairro, Tadeu Ferraz, superintendente do Shopping Center Penha, comenta que um diferencial dos penhenses é a fidelidade com as opções oferecidas, o que impulsiona e consolida o ambiente familiar. “Sabemos que, como um dos primeiros empreendimentos da região, somos uma referência para o entorno. Por isso estamos comprometidos com a busca constante de novas possibilidades que promovam melhorias para a comunidade e para o bairro”, diz Ferraz.

O subprefeito da Penha, Miguel Perrella, do Partido dos Trabalhadores (PT), afirma que a busca é por mudanças e que a Penha é um centro de desenvolvimento. “Futuramente, com as duas estações de Metrô que teremos aqui, ela [a Penha] vai dar um novo salto. Vamos fazer as melhorias para que quem faz parte do turismo cultural da região, dos negócios e comércio se sinta bem com um lugar bem cuidado, com uma evolução de estrutura viária, corredores de ônibus, facilidades de acesso, de entrada e saída. Essa é a principal coisa que tem que mudar para a Penha ser reinserida como um centro de importância cultural, de serviço e comércio”, finaliza Perrela.


 

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