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Grafite busca traduzir a realidade





Criado nos Estados Unidos nos anos de 1970, a arte do grafite sempre teve relação com a realidade das ruas e buscou retratar a opressão vivida pela sociedade, principalmente as ligadas aos menos favorecidos. Um forte movimento que colaborou assertivamente para a ascensão do grafite foi o Hip Hop. De forma direta, o grafite é uma inscrição feita com tinta em paredes ou espaços públicos.

No Brasil o grafite chegou ao final da década de 1970, especificamente no estado de São Paulo, e logo foi incrementado pelos brasileiros por meio de aprimoramento e inserção de novas técnicas e estilos. Hoje o grafite brasileiro é reconhecido e está entre os melhores do mundo. Muitas polêmicas, porém, envolvem a tal arte urbana. A principal delas é a distinção do grafite, que tem como base a arte e geralmente é com autorização, da pichação, que é eminentemente proibida e está presente nos muros, monumentos e edifícios.
Entre os nomes mais famosos do grafite nacional estão Os Gêmeos, Tikka, Binho, Alex Senna, Crânio e Rage, entre outros. Uma característica dessa arte que não se perdeu no tempo é a crítica política e social empregada pelos artistas em suas obras. Esse fator, inclusive, se acentuou ainda mais nos últimos tempos. Além disso, o grafite, sendo uma arte popular e de fácil acesso, tem o poder de integrar jovens e misturar diferentes camadas sociais, o que promove a quebra do preconceito, discriminação e previne a introdução de adolescentes no mundo do crime. Muita gente é grafiteiro não apenas por um hobby, mas o faz também como o ganha-pão, a profissão.

Os principais materiais necessários para a prática do grafite são uma tela, um muro ou algum espaço para se pintar, uma lona para proteger o chão, spray de tinta, luvas protetoras, máscara, rolos de espuma e pincéis. O artista não precisa se limitar a apenas esses objetos, colocando em prática toda e qualquer criação que considere útil e que valorizará ainda mais a obra. No caso das tintas, por exemplo, pode ir do spray ao látex.

Penha recebe 1º Mundo Grafite Fest

Coordenado pelo grafiteiro e tatuador Jefferson Ventura, o Jéff, 37, e com apoio da Colorgin – que tem uma linha de produtos direcionada para grafiteiros chamada Colorgin Arte Urbana –, o evento Mundo Grafite Fest aconteceu no dia 13 de julho na Santa Rosa Shopping das Tintas e marcou o lançamento de um espaço totalmente destinado aos artistas da região. Intitulada como Mundo Grafite, a loja será inaugurada ainda no mês de agosto e terá como objetivo não apenas a venda de materiais para arte, mas também a exposição de trabalhos feitos por grafiteiros locais. “O espaço foi idealizado pela carência que nós identificamos na Zona Leste. Porque aqui tem um grande número de grafiteiros. E eles não tinham um lugar adequado para adquirir produtos. Nós não estamos apenas montando uma loja para vender produtos para grafiteiros, e sim um espaço para o artista mostrar seu trabalho”, explica Paulo Eduardo Baz, gerente administrativo da Santa Rosa Shopping.

Jefferson Ventura, o idealizador do projeto, também vê como principal vantagem o fato de os grafiteiros locais não terem de ir para outros bairros para adquirir materiais de trabalho e também salienta que a região está em desenvolvimento. “A Zona Leste está crescendo em todas as áreas, e no grafite não poderia ser diferente. Eu não tenho condições de abrir nenhuma loja, mas pude dar minhas ideias para o Paulo da Santa Rosa. Ele abraçou e nós vamos dar continuidade em tudo isso”, conta.

Grafiteiro desde 1992, Jéff enfatiza a importância de uma participação mais ativa por parte dos próprios grafiteiros em prol do bairro onde moram, a quebra do preconceito com esses artistas e a valorização da categoria. “Se a pessoa se julga grafiteiro, tem que fazer algo pelo bairro. A gente pede que as pessoas de bem respeitem mais o artista. O grafiteiro tem família, paga água, luz, telefone e doa parte do seu tempo para embelezar a região”, defende Jefferson. Em 1996 e 1997 a Penha era considerada a região com o maior número de grafites do país. No começo dos anos 2000 o posto foi assumido pelo bairro da Vila Madalena.

Estiveram presentes na primeira edição do Mundo Grafite Fest mais de 150 artistas, entre convidados especiais, espectadores e grafiteiros locais. Entre eles estavam Ricardo Cadol, Três, Urso, Vauiris Sprart, Siprus, Bó Treze, Maze e Amanda Pankill, que grafitou para a última edição do Big Brother Brasil, da TV Globo. “Ela teve seu trabalho no BBB e aqui no bairro quase ninguém a conhecia. O evento foi muito importante para que os moradores da região conhecessem os artistas locais”, conta Jéff.

Paulo Eduardo Baz, da Santa Rosa, explica que a loja Mundo Grafite terá também todas as características do universo das artes urbanas, além de um atendimento feito por quem entende do tema. “O grafiteiro terá um espaço todo especial para ele, uma loja com toda linguagem e visual do grafite. É muito prazeroso poder colaborar de alguma forma para que os grafiteiros tenham um reconhecimento maior”, finaliza.


 

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