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Mudança de escola no segundo semestre: sim ou não?




Nesta época do ano é muito comum alguns pais pensarem sobre a mudança de escola no segundo semestre. Inúmeros motivos perpassam tal decisão e muitos deles fazem parte de dois grandes grupos: o da insatisfação qualitativa e o do descontentamento emocional.

A insatisfação qualitativa remete-se – muitas vezes - aos aspectos pedagógicos ou estruturais, ou seja, os pais percebem certa defasagem nos conteúdos ensinados, na qualificação docente, ou até mesmo notam que a estrutura física, tecnológica e organizacional da escola deixa a desejar.

Por outro lado, a questão emocional tem um cunho muito mais profundo. Ás vezes os relacionamentos entre os alunos ou entre alunos e professores são fator primordial para a mudança e, dependendo da faixa etária, os conflitos e frustrações são campões nesta decisão.

Outra situação que se encaixa perfeitamente aqui é o relacionamento entre os próprios adultos - os pais. Existe na escola um grupo social bem conhecido por todos: a amizade de pais e mães que frequentam o horário de entrada e saída. Neste círculo de pessoas é possível perceber uma competição desenfreada.

Competição por quem educa melhor, por quem proporciona um cenário mais estimulador e, claro, o status financeiro também é levado em consideração.
Mas aqui cabe a reflexão do que realmente é valido para uma mudança desta proporção.

Diante de uma visão educacional, é preciso refletir profundamente sobre a condição integral da própria criança ou adolescente, pois o aluno já possui uma caminhada percorrida, já possui vínculos com amigos, com professores, com a escola e até mesmo com os conteúdos.

Já do ponto de vista pedagógico, o aluno já passou pelo processo de adaptação, o qual proporciona um crescente no processo de ensino e aprendizagem e dita o ritmo da sala de aula.

Fundamentando esta visão, consideramos que a trajetória do sujeito ocorre através de uma ação continuada, a qual resulta na evolução da inteligência.
Logo, mudar o aluno no meio do ano implica em reconquistar tudo isso, além da adequação ao perfil da escola e de seu currículo.

Mas os desafios não terminam por aí. O aluno precisa correr atrás das amizades, familiarizar-se com o ambiente educacional e, com um olhar adolescente, o maior dos obstáculos: a aceitação grupal.

Podemos pensar que tais aspectos não passam de uma disputa poética, mas muitas relações se perdem nesta mudança. Quer um exemplo?

Aqueles trabalhos realizados em casa, as conversas durante uma pesquisa na biblioteca ou até mesmo a experiência que um evento como a festa junina proporciona têm como um dos objetivos a interação grupal.

Então, podemos concluir que a mudança não deve ser realizada?

Pelo contrário, devemos refletir sobre ela. Alguns casos são emergenciais, uma situação de bullying, de uma falência escolar ou de uma troca de professores sem previsão nem justificativa são argumentos sólidos e que necessitam de uma mudança.

O que temos certeza é que a mudança de escola deve ocorrer no segundo semestre, ou em qualquer período do ano letivo, quando a vida escolar do aluno estiver sendo prejudicada E entende-se como vida escolar o conjunto de aspectos pedagógicos e relacionais.

Mas, antes de qualquer coisa, os pais, assim como os alunos, devem esgotar todas as possibilidades, isso quer dizer que você deve dialogar com a escola, com os professores, com a coordenação ou orientação, explanar a situação e buscar através do diálogo, da paciência e principalmente da razão a solução para a problemática.

Caso nenhuma tentativa seja contemplada, aí sim é possível pensar na mudança a curto ou em longo prazo. Afinal de contas, tanto a escola como a família querem o melhor para o aluno.

E na educação os conflitos, as frustrações e as vivências nada mais são do que aprendizados para a vida.

Rosangela Miguel • Coordenadora Pedagógica e Educacional


 

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