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Levar marmita para o trabalho é um hábito prático e saudável, mas exige atenção
Arilton Batista



De alumínio, plástico ou vidro. Com divisórias, redondas, quadradas. Rasas e fundas. A marmita, além de ser mais em conta do que almoçar fora, é mais confiável e saudável, tendo em vista que a comida é feita em casa, por gente realmente de confiança, e quase sempre não é carregada de gorduras e conservantes encontrados nos fast-foods. Os cuidados com a “quentinha”, porém, têm de ser redobrados, porque descobrir que a comida estragou não é uma surpresa agradável.

Alguns macetes podem ser adotados para minimizar esse risco. Especialistas orientam a não levar na marmita alimentos à base de molhos de tomate e maionese. Eles estragam mais rapidamente quando mal refrigerados. “Minha marmita azedou uma vez por causa do tempo seco que estava no dia e também porque não deixei guardada no devido lugar, que seria a geladeira”, explica Felipe Brito, 26, web designer. “Quando tirei a tampa logo subiu um cheiro horrível”, relembra.

A nutricionista Elizangela Maux reforça que o transporte, assim como o armazenamento, é determinante para a conservação da comida. “É bom usar uma bolsa térmica para transportar a comida e, assim que chegar ao trabalho, guardá-la na geladeira. A salada deve ser temperada na hora que for comer para as folhas não murchem. E usar um recipiente de vidro que suporte a temperatura de micro-ondas é o mais adequado, em vez do plástico, que conserva cheiro e pode não ser tão higiênico, e o alumínio. Congelar a marmita também ajuda a inativar as bactérias”, orienta Maux. 

Montar a marmita pode ser algo mais trabalhoso para os que não cozinham e têm pouco tempo. Aproveitar o que foi feito para o jantar do dia anterior é, geralmente, o mais comum entre pessoas que trabalham e estudam. “Como eu chego tarde em casa, por causa da faculdade, coloco na marmita o que está pronto mesmo”, conta Bruno Mota, 25, analista de projetos e estudante de arquitetura e urbanismo. Pensar na mistura antes de preparar a marmita pode evitar algumas situações um pouco delicadas. “Bife de fígado acebolado e carne com batata e cenoura deixam um cheiro bem forte no ambiente”, diz Bruno, que complementa: “O cheiro dá mais fome, mas acaba ficando no ar”. Outros produtos que podem causar forte odor ao serem aquecidos são peixes, pimentão e ovo.

“É bom evitar frituras e optar por carnes grelhadas, assadas ou cozidas. Cremes à base de leite também não são aconselhados, pois estragam facilmente. A marmita deve ser montada de preferência em dois recipientes, sendo um para as saladas cruas e outro com alimentos cozidos ou refogados”, orienta Elizangela Maux, que explica também a importância de se consumir alimentos diversificados. “Não exagere num único grupo de alimentos. Coloque diversos grupos. Por exemplo, arroz, feijão, carne, legumes, etc.”.

Outro fator que incomoda quem come marmita no serviço é um clássico: a comida resseca quando aquecida em forno micro-ondas, principalmente o arroz. A dica é colocar uma ou duas colheres de sopa de água por cima antes de esquentar. Com isso, a água evapora, umidifica e solta os grãos do arroz. Certamente tornará a refeição mais agradável. No caso do banho-maria (colocar a marmita dentro de outro recipiente maior com água quente) o ressecamento praticamente não ocorre, por ser um processo mais natural e lento.

A sobremesa e os lanches antes e depois do almoço também são importantes. Mas deve ser regrado, para que a alimentação seja equilibrada e saudável.  “Frutas e doces à base de frutas são ótimas sugestões para a sobremesa. Na hora do lanche, se a pessoa quiser, a fruta pode ser substituída por iogurtes, cereais, ou vitaminas”, explica a Elizangela. Após a refeição geralmente dá aquela moleza e vontade de descansar antes de voltar ao trabalho. Mas a higiene da marmita não pode ser dispensada. “Lave sempre o recipiente após o uso para não ficar com cheiro ou restos capazes de causar intoxicação alimentar”, finaliza Elizangela Maux.


 

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