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Festejado em julho, o rock é clássico, moderno e mistura gerações
Arilton Batista


Rodeado de subgêneros, o rock´n´roll é comemorado em julho. O motivo se dá por causa do festival Live Aid, realizado nos Estados Unidos e Inglaterra, em 13 de julho de 1985. Organizado pelos músicos Bob Geldof e Midge Ure, o evento teve como principal objetivo arrecadar fundos para minimizar a fome na Etiópia. Bandas e artistas renomados do rock mundial participaram do evento, como U2, Queen, The Who, Elton John, Freddie Mercury, Paul McCartney, Led Zeppelin, Bob Dylan, entre muitos outros.

Do clássico ao heavy metal, passando pelo punk, hardcore e emocore ; indie rock, skapunk, Oi! e psychobilly. O rock nasceu entre 1940 e 1950 nos subúrbios dos Estados Unidos, se espalhou por todo o mundo, serviu e serve como importante ferramenta de cunho político e social, além de ter revelado grandes nomes da música. Entre eles estão Stevie Wonder, Marvin Gaye e Elvis Presley, que é universalmente considerado o rei do gênero, possui na bagagem hits que marcaram época e um estilo único e irreverente, que o tornaram não apenas um ícone do rock, mas também da música no geral. Elvis também fez filmes, comerciais e foi um símbolo entre o público feminino nas décadas de 1950, 1960 e 1970.

“Passados quase 36 anos de sua morte, Elvis ainda é referência mundial de música, em especial para o rock. Não precisamos ir longe. É só fazer uma busca em seu nome para ver, mundialmente, uma quantidade enorme de eventos, shows tributos e atos artísticos ligados a ele”, conta Erik Presley, 31, que atua como cover de Elvis à frente da banda TSB – The Suspicious Band. Para Erik, a maior prova do talento do rei do rock é o fato de até hoje ele ser admirado, lembrado e estar em primeiro no ranking dos artistas falecidos que mais lucram com o nome, além de ter sido referência numa época de descobertas, em que o público era mais exigente. “Elvis inventou um estilo musical. Isso faz com que ele seja conhecido, imitado e admirado até hoje”, diz Erik, que complementa: “Antes de alguém fazer alguma coisa, Elvis Presley fez tudo”.

Entre os ícones do rock´n´roll vindos depois de Elvis pode-se citar Beatles, The Rolling Stones e Jimmy Hendrix, em 1960. E também Pink Floyd, Led Zeppelin, The Doors, Black Sabbath e Deep Purple, já nos anos de 1970. Todos esses artistas se ascenderam na época dos discos de vinil, passaram pelo ponto alto das fitas cassete, chegarem ao boom dos CDs e hoje são consumidos nos formatos compatíveis com a internet e celular. De três anos para cá, porém, os vinis têm voltado à tona e ganhado mais força no mercado. Para Luiz Calanca, 60, proprietário da loja mais famosa de música de São Paulo, a Baratos e Afins, os discos nunca deixaram de circular. “Existem pessoas que arriscam afirmar que o disco de vinil está voltando no mercado, mas isso não é verdade. Os discos nunca saíram da cena. O que passou foi o glamour pelo CD. As pessoas que gostam de musica preferem ter o disco físico original em suas discotecas. E continuam comprando esse formato”, diz.

Calanca começou no negócio da música quando teve de vender boa parte de sua coleção de discos para alavancar o orçamento. O motivo era nobre: o nascimento de sua primeira filha. A Baratos e Afins, localizada na Galeria do Rock, é detentora de uma gama gigantesca de títulos em vários formatos, indo do vinil ao CD, e passando pela fita cassete. Devido ao avanço da tecnologia e a facilidade em se ter acesso às músicas muitas vezes sem nenhum custo, diversas lojas fecharam as portas. “Em termos globais, é verdade que menos pessoas procuram por lojas de disco. Mas, por outro lado, a grande maioria delas fechou e sobraram apenas algumas segmentadas. E, sem aquela velha concorrência, que era muito salutar, eu diria hoje que o que temos é uma loja de disco, e não de arquivos digitais”, explica o roqueiro. Luiz conta que a satisfação é grande em poder dizer que a Baratos e Afins é uma das mais tradicionais lojas de rock da cidade e explica que procura manter as ofertas dos produtos, buscar lançamentos e, principalmente, fazer a manutenção e reposição de materiais considerados clássicos. “Faço isso para tornar aqui todo dia o Dia do Rock”, finaliza Calanca. 

Oportunismo e autenticidade são ingredientes para novas bandas

Robinson Cavalcante, ou Robinho Causador, 40, é ex-vocalista da banda Causadores de Tumulto, advogado, DJ e mentor do projeto POP SUCKS! – que visa abrir espaço para novos artistas por meio do rock. Para ele, o momento do rock’n’roll nacional está ótimo, tendo em vista a facilidade que se tem para montar uma banda e as diversas maneiras para se estudar e pesquisar sobre música. O que ainda deixa a desejar, segundo Robinson, é a integração do movimento roqueiro. “Falta uma cena consistente, em que o público se envolva mais e que surjam mais espaços para a celebração da cultura do rock”, comenta.

Sobre a banda em que era vocalista, a Causadores de Tumulto, Robinho lamenta o fim do grupo, que surgiu no início dos anos 2000, quando o hardcore estava em elevação. “Nós fazíamos um som punk rock, hardcore e surf music. Apesar da ascensão que vínhamos experimentando show a show, não soubemos aproveitar as oportunidades e a partir do momento em que ficou claro que isso se dava em parte porque nem todos estavam dispostos a se empenhar o tanto necessário, o ambiente tornou-se insustentável e aos poucos os principais músicos da banda foram se retirando”, relembra o ex-Causador de Tumulto.

Traçando novos caminhos, em busca de solidificar o trabalho e formada por Endell Magalhães (vocalista), Rodrigo Hiroito (baterista), Bruno Badau (baterista) e Caio Henrique (guitarrista), a banda penhense Lados Opostos está na estrada desde 2012 e tem como proposta “lutar por ideais sociais e contra a banalização da arte”, como define a discrição na página oficial do grupo no Facebook. Eles tiveram uma primeira formação em 2004 que não vingou. Nessa nova fase a banda foi reformulada desde a filosofia até os integrantes, mantendo apenas o vocalista Endell. “Vamos fazer shows, compor e gravar. O segredo é fazer um som sincero, que agrade primeiramente a banda, sem esquecer as verdadeiras origens, além de correr da moda e rótulos”, conta Caio Henrique, 18, baterista.

Robinho Causador define assertivamente o papel do rock: “Ele sempre foi um estilo multifacetado e sempre refletirá transformações sociais. Isso faz dele não só um tipo de música, mas uma cultura e um estilo de vida. Imagine o mundo sem o rock e perceberá facilmente a influência que ele exerce”.


 

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