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Aprendendo com uma DOR 

Com três anos de idade iniciei, junto com meus amiguinhos de escola, a prática do Judô. Naquela época era mais brincadeira do que arte marcial. Alguns anos se passaram e tanto eu quanto os professores perceberam que eu levava jeito nesse esporte. Comecei a ficar motivado porque grande parte dos objetivos que eram colocados para mim, eram alcançados. O efeito era prazer e satisfação.  

Os objetivos iam crescendo à medida que minha habilidade aumentava. Os objetivos também cresciam à medida que as exigências sociais também aumentavam com a idade.

Eu não percebia, mas a “luz” da espontaneidade e alegria durante a prática do esporte estava sendo coberta pelas pressões externas e internas em busca de resultados.
A exigência física, emocional e psíquica era cada vez maior. Nem sempre conseguia lidar com todas elas.

Não percebia muito bem, mas parecia que parte de mim queria descansar e uma outra parte queria continuar treinando e treinando...

Então dores e lesões frequentemente apareciam. E aquela parte que queria se livrar da pressão ficava feliz enquanto a outra parte que queria ser o melhor naquela atividade, ficava angustiada para voltar a treinar. Algo tapava meus olhos e impedia minha visão de enxergar essa realidade.

A parte que queria ser o melhor na atividade, acelerava o processo de recuperação e do alivio da experiência dolorosa. E mesmo se tivesse que conviver com uma dor física, não via problema. Aliás, culturalmente, conviver com uma dor física era sinal de grandeza, mérito e esforço. Dessa forma, ter uma lesão, dor e se recuperar, também me recompensavam de alguma forma. Talvez uma vaga luz de consciência aparecia, mas logo era encoberta. Você sabe, não é tão fácil assumir a responsabilidade pelas lesões e dores. Somos espertos, porém não tão inteligentes. Somos espertos para encobrir aspectos que não são tão confortáveis de aceitar. Então eu pergunto para você.
O que você não aceita em você? A não aceitação gera conflito e o conflito predispõe a doenças e dores.

A crença que eu precisava treinar cada vez mais para ser o melhor era tão forte que cegava todas as outras percepções. Sempre ouvi dos meus treinadores e familiares isso! Apesar da intensão positiva que atualmente eu enxergo, eu generalizei e acreditei cegamente neles! Eu colocava os créditos dos bons resultados no meu esforço e treinamento. Por um lado isso me fazia bem porque era merecedor de reconhecimento. Um ponto positivo: eu aprendi ser persistente e ir em busca daquilo que eu quero! No entanto é possível ser muito mais inteligente do que isso.

As crianças absorvem com muita facilidade, não tem senso crítico e muitas vezes não tem acompanhamento do que realmente ela interpretou dos exemplos obtidos e ensinamentos passados. Somos adultos, mas será que continuamos fazendo às cegas coisas que “travam” o nosso desenvolvimento?

Ft. Rodrigo Rizzo • responsável pelo Instituto do Movimento – “Resultados para sua Saúde” e idealizador do conceito Mapa da Dor – “Uma nova maneira de pensar a dor” • www.impdor.com.brwww.mapadador.com.br • 2791-3266


 

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