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Conheça a Doença do Mau Humor
Por Priscila Martinho
Jornalista do Grupo São Cristóvão Saúde


Irritabilidade, pensamentos negativos constantes, mau humor excessivo, baixa autoestima. Muitas pessoas já passaram por essas situações em algum momento da vida, mas a questão é: A permanência desse tipo de comportamento é normal?

De acordo com o Psico-Oncologista da ANETECLIN, serviço de Oncologia do Grupo São Cristóvão Saúde, Dr. Marcelo M. S. Gianini, a estabilidade dos sintomas apresentados acima é típica da chamada Distimia. “O número de pessoas com transtornos emocionais cresce gradativamente, afetando qualquer idade e classe social. A distimia, mais conhecida como doença do humor, surge de fatores genéticos ou ambientais. Pode aparecer em qualquer fase da vida, decorrente de perdas, questões afetivas, cobrança social, busca financeira, ritmo de vida acelerado, frustrações, alto nível de exigência, estresse, entre outros”.

Os sintomas geralmente são distintos. O paciente possui um elevado senso de autocrítica e comportamento depressivo, prejudicando sua vida pessoal, social e profissional. Pode, também, sofrer com alterações no sono. Enxerga somente o lado negativo das coisas, reluta a tomar decisões e os problemas do dia a dia parecem ser mais difíceis de se resolverem. Geralmente, a pessoa não possui consciência ou não quer assumir a distimia, fazendo com que o indivíduo tenha a sensação de que essa é sua maneira natural de agir, dizendo “Eu sempre fui desse jeito”. Essa atitude acaba interferindo em suas relações profissionais e familiares, facilitando o isolamento social.

Mas não é só o paciente que sofre com esse transtorno. Segundo a Classificação Internacional das Doenças (CID 10), a distimia afeta cerca de 5% da população e é um quadro depressivo crônico, trazendo sofrimento e prejuízos significativos, tanto ao paciente, como aos que o cercam. “Muitas pessoas se anulam ao conviverem com distímicos e acabam se isolando também. Por isso, deixar de realizar as coisas importantes para si fortalece a atitude adotada pelo paciente, contribuindo para que ele mantenha esse tipo de comportamento”, afirma Gianini, e completa “As pessoas que convivem com distímicos devem tentar convencê-los a procurar apoio médico, encorajá-los a conhecer o transtorno e admitir seus sentimentos, reconhecendo que ninguém é perfeito e que todos precisam de ajuda, além de apontar o quanto tais comportamentos afetam a relação entre eles”.

É muito importante que a distimia seja diagnosticada precocemente. Pessoas que apresentam os sintomas por mais de dois anos consecutivos podem estar com o transtorno emocional. Para evitar que o paciente se submeta ao sofrimento e a descrença diante da vida, existem tratamentos adequados, como a associação de medicamentos antidepressivos e inibidores seletivos de recaptação da serotonina e norepinefrina, com o auxílio da psicoterapia, que ensina as pessoas deprimidas novas formas de corrigir pensamentos negativos, aprendendo a enfrentar seus problemas.  Já a psicodinâmica ajuda a atender os fatores psicológicos que podem estar por trás de comportamentos e sentimentos depressivos. “Essa doença exige acompanhamento, pois pode se transformar em um quadro depressivo profundo, conhecido como Depressão Dupla”, alerta o Psicólogo.

 Algumas dicas são essenciais para evitar a distimia, como: Mantenha a saúde física e mental; Não se irrite com situações que estão fora do seu alcance resolvê-las;
Abstraia sempre o lado positivo das coisas; Não vá além das suas próprias limitações; Ao invés de murmurar, procure alternativas que solucionem os problemas e faça atividade física regularmente. “Devemos proporcionar a nós mesmos momentos agradáveis, buscando o prazer, a alegria, o equilíbrio emocional e espiritual”, finaliza Gianini.


 

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