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Nos Tempos do “Nome Sujo na Praça”
 
O Serviço de Proteção ao Crédito ou Central de Crédito, popularmente conhecido como SPC é um serviço de informações de adimplência e inadimplência de pessoas físicas ou jurídicas para fins de decisão sobre crédito.
No Brasil, o SPC surgiu em Abril de 1955 em São Paulo, quando o Sr. Vicente Botacine, proprietário das “Casas Minerva Roupas LTDA.” e associado da Associação Comercial de São Paulo, pediu à entidade que se responsabilizasse pela centralização de todos os dados do comércio.
Um grupo de empresários já havia percebido a necessidade de se facilitar e agilizar a troca de dados sobre consumidores. O então presidente, Emílio Lang Júnior, convocou os lojistas para tratar do assunto e, em 14 de julho, o primeiro serviço de proteção ao crédito foi criado. “A discussão envolveu os principais dirigentes lojistas da cidade e até de outros estados”. Mas foi São Paulo que tomou a iniciativa de buscar uma solução que evitasse prejuízos para o comerciante.
Um serviço que a princípio foi fundamental para o comerciante, beneficiaria também os bancos.
Mas antes de existir o SPC, os bancos e o comercio precisavam avaliar os riscos de concessão de crédito a uma determinada pessoa. E como faziam? Bem, aí que entra a nossa história desta edição: o cafezinho.
Podemos notar que, tradicionalmente, sempre existiu um café ou uma padaria próxima ao centro comercial e bancos. Era comum ver estes estabelecimentos repletos de homens de negócio conversando vários assuntos. Dentre eles haviam os informantes, funcionários contratados para averiguar se uma determinada pessoa tinha adimplência ou inadimplência em algum banco ou comércio. Os comerciantes dependiam destes informantes para validar uma operação, e a concessão de um crédito podia demorar até 10 dias, dependendo se era um nome fácil ou difícil de obter informação.
Quando alguém dava um “calote” numa loja, o comerciante prejudicado ia até o café das proximidades e dava o nome do infeliz para os informantes que ficavam por ali. Então, este inadimplente ficava com “o nome sujo na praça”, dito popular usado até nos dias de hoje para identificar um sujeito sem crédito.
A Penha de França de outrora teve vários pontos de cafés que serviam para obter informações de créditos. A mais movimentada era a Padaria Aquário, que ficava no número 412 da Av. Penha de França, bem no centro comercial e das agências bancárias da colina. Nos anos 50, o ponto era a Padaria Modelo e nos anos 60 a Marquesa, mais famosa pelo ponto de café e lanches do que o pão que fazia como padaria. Todas ficavam na Av. Penha de França.
O Sr. Nicolau Schalche, de 86 anos, sempre morador no Belém, foi contador da agência Penha de França do Banco Auxiliar de São Paulo, que ficava na Rua Cap. João Cesário nos anos 50.
Nicolau conta que utilizava o saudoso bonde para o trabalho. Como contador, exercia a função de fazer todos os cálculos operacionais realizados pela agência. Tudo era feito com máquinas calculadoras mecânicas, não havia computador e tudo tinha que ser revisado mais de uma vez para que não surgissem erros no balanço final do dia.
Além das tarefas operacionais de dinheiro, registros em livros, cofre, etc. uma das funções mais importantes que exercia era a de tomar café na Aquário em torno das 9h00 da manhã e à tarde, em torno das 15h00. O gerente do banco entregava-lhe um pedaço de papel com o nome de alguém que pedia empréstimo e era um trabalhador autônomo, ou seja, não tinha registro em carteira do trabalho. O Sr. Nicolau então ia para o seu cafezinho e lá buscava dados com os informantes a respeito da pessoa interessada num empréstimo bancário. Se não tivesse o nome sujo na praça já era um bom começo. Mas se também não tivesse o nome limpo, cabia ao gerente pedir um avalista para a concessão do empréstimo. O nome deste avalista também seria pesquisado junto aos informantes.
Nos dia de hoje, o SPC é um sistema muito eficiente, principalmente depois da informatização iniciada em 1977.
Não há mais nomes sujos na praça. Agora eles ficam sigilosamente contidos em computadores. Para manter a qualidade dos serviços com uma grande estrutura tecnológica, a ACSP investiu cerca de US$ 1 milhão, em média, entre 2002 e 2005. Como consequência deste enorme investimento, o serviço hoje tem um grande grau de excelência.
 
Fotos: Acervo do Memorial Penha de França
 
Memorial Penha de França
bondepenha@uol.com.br • www.memorialpenha.com.br

 

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