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Vinhos Portugueses

O Sabor da Diferença




Portugal é um dos países produtores de vinhos mais tradicionais do mundo e, embora tenha sofrido as mesmas influências romanas que grande parte dos países europeus, possui qualidade particular em seus grandes produtos em comparação aos seus vizinhos como Itália e França. Reconhecido pelo inesquecível Vinho do Porto, conhecido desde o período das grandes navegações, esse país também é visto pela grande variedade de uvas autóctones (videiras nascidas no território) e de suas regiões tais como: Vinhos Verdes, Douro, Porto, Dão, Bairrada, Beira Interior, Bucelas, Tejo e Alentejo.
Ao contrario do que se pensa, o vinho verde não é mais um tipo de vinho, como há branco, tinto e rose. É antes de tudo uma DOC ( Denominação de Origem Controlada), que pertence à região do Minho. O nome “verde “ tenha vindo do clima e da paisagem minhota, que é muito verde. A colheita da uva, a vindima é feita em no meio do mês de Setembro. Portanto, há vinhos brancos verdes e tintos verdes, o primeiro, mundialmente mais conhecido, tendo nos vinhos as uvas: Alvarinho, Loureiro, Pedernã (Arinto) e Trajadura; este é um vinho leve e fresco, deve ser consumido na temperatura de 09ºC a 11ºC, acompanha saladas e frutos do mar e pode ser servido também sozinho para acompanhar uma boa piscina e dias quentes. Os vinhos verdes tintos são elaborados à base da uva Espaldeiro, é tinto de corpo médio e fresco, serve se na temperatura de 13ºC a 15ºC, acompanha pratos à base de bacalhau, carnes de ave como pato. É consumido mais a nível local.
Um dos lugares mais famosos de Portugal, reconhecido pela Unesco como patrimônio da humanidade e conhecido historicamente pela qualidade e excelência de seus vinhos, o Douro. Situado no nordeste português, esse local é rodeado de montanhas e é banhado pelo rio que leva o nome da localidade. Os néctares desse lugar tem o seu diferencial pelo terroir; as videiras são plantados num solo derivado de xisto, geralmente em socalcos (fileiras de videiras plantadas envolta de montanhas e serras). Suas castas tintas mais predominantes são: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinto Cão, dão origem a vinhos encorpados e estruturados, de grande elegância, harmonizam com carnes vermelhas, massas acompanhada de molhos intensos, carne de caça, cordeiro e queijos maduros; devem ser servidos na temperatura de 16°C a 18ºC. As castas brancas durienses são: Rabigato, Gódega do Larinho, Síria , Esgana Cão, Gouveio, Malvasia e Viosinho, dão origem a vinhos frescos de toques frutados e cítricos com notas minerais e até florais, harmonizam com frutos do mar, carnes brancas e queijos de cabra, devem ser servidos entre 10ºC a 12ºC.
Falando sobre a região duriense, temos que falar sobre o tão célebre vinho do Porto. Este vinho, é elaborado com base de vinhos da região demarcada do Douro com a adição de aguardente vínica. É armazenado em caves em Vila Nova de Gaia, na cidade do Porto. Seus estilos mais comuns são o Branco, Rose, Ruby, Tawny, LBV, Vintage. São de caracteristicamente fortes, acompanham sobremesa: branco com doces a base de frutas brancas, secas e mel; rose com doces a base de frutos vermelhos; os tintos com doces a base de chocolate. Todos vão bem também como aperitivo. Branco e o Rose servidos na temperatura de 12 ºC a 14ºC e os tintos de 16ºC a 18ºC
A região do Dão, assim como todas as regiões portuguesas são fantásticas e tem suas particularidades. É a primeira região demarcada de vinhos tranqüilos, rodeada por serras, como a da Estrela, do Caramulo e da Nave, foi berço de poetas e escritores, assim também como Terra de Reis. Sua viticultura é baseada na famosa casta tinta, a Touriga Nacional, a rainha das uvas portuguesas, natural dessa região. Além dessa, as uvas tintas são a Jaen, Alfrocheiro Preto, Tinta Pinheira. São vinhos de características elegantes, com taninos macios. Harmonizam muito bem com carnes vermelhas, cordeiro, massas com molhos intensos e estruturados e queijos de média maturação. Possuem aromas florais, de frutas vermelhas e negras maduras e toque de especiarias. Os brancos são elaborados a base das castas: Dona Branca, Cercial, Bical, Borrado das Moscas e Encruzado, sendo esta última a mais famosa. Harmonizam muito bem com carnes brancas, bacalhau, aves e peixes. Seus aromas remetem à frutas brancas e mineralidade.
Apesar da sua pequena dimensão, a região da Bairrada, apresenta contrastes interessantíssimos, capazes de satisfazer os gostos mais diversos. Cercada pelas serras do Buçaco e Luso, essa região é super conhecida pela sua gastronomia e pelo seu vinho, sendo o leitão o seu prato principal e o vinho tinto elaborado a base da uva Baga. Há informações que o vinho desta localidade é um dos mais antigos, remontando a época dos romanos e da fundação de Portugal, já que o primeiro Rei teria autorizado o plantio de videiras nesta região. Os vinhos tintos são em sua maioria como mencionado da uva Baga, o qual tem potencial para guarda. Sua característica é de corpo médio e de uma sensação aromática de frutos vermelhos e especiarias. Sua típica harmonização é com o leitão da Bairrada, carnes vermelhas grelhadas e massa de molhos leves. As castas brancas são: Maria Gomes e Bical, dando origem a vinhos frescor com grande particularidade.
Cercada por castelos e histórias, há uma região chamada Beira Interior, localizada na região do Distrito da Guarda. Segundo a história, a introdução de vinhas pelos monges da abadia cisterciense. Essa localização tem em seu histórico uma grande influência judaica, principalmente na cidade de Belmonte. Seus vinhos tintos são elaborados a base de castas: Rufete, Touriga Nacional e Tinta Amarela. Os brancos pela casta Síria. Como mencionado o histórico judaico, essa região é famosa pelo vinho Kosher, um método de elaboração com práticas judaicas. A características dos tintos são corpo médio, frutado e um agradável retrogosto. Os brancos são leves e agradáveis com um elegante frescor. Aromaticamente remetem à frutas brancas e cítricas com toques herbáceos.
Além de paleáceos e exuberância, a região de Lisboa também produz grandes vinhos. Brancos da casta Arinto em Bucelas, tintos da casta Ramisco em Colares, fortificados na região de Carcavelos. Estes três vinhos são os mais conhecidos na região lisboeta. Para os enófilos, apenas o primeiro representa uma produção mais em destaque, isto porque Colares, apesar de ter resistido a praga da filoxera , está cada vez mais ameaçado pela expansão urbana e seus solos arenosos são atração para o turismo. Sobre Carcavelos, que fez as delícias do Marques de Pombal e das tropas britânicas que lutaram contra a invasão francesa. Os vinhos brancos da região de Bucelas, estão classificados como um dos melhores portugueses.
O Tejo é uma região portuguesa com influência romana e moura. Região conhecida atualmente pela grande acolhida de castas estrangeiras, como a Syrah, Cabernet Sauvignon e Chardonnay, além das castas lusas, as francesas se adaptaram muito bem. As castas portuguesas predominantes são: Tinta: Castelão e Branca: Fernão Pires e Antão Vaz. São vinhos de característica marcante pelos seus blends de castas lusas e francesas.
É muito antiga a produção de vinhos no Alentejo, havendo quem defenda os fenícios , no século X A.C., não só o produziam mas também o comercializavam em todo o Mediterrâneo. Gregos, visigodos, celtas, romanos e árabes passaram pelas planícies alentejanas e nenhum desprezou a qualidade dos vinhos desta terra. No século XX D.C, com a praga filoxera, os vinhedos do aletejanos foram prejudicados, dando em seu lugar plantações de cereais, mas nos últimos anos voltou a fortalecer se , quer em qualidade, quer em quantidade. As castas tradicionais tintas são Aragonez e Trincadeira, as brancas Roupeiro e Antão Vaz.
Os vinhos portugueses, seja de qual for a região é de excelência em sua qualidade, cada uma com a sua particularidade e a sua nobreza. São mais de 250 castas que elaboram néctares fantásticos. Portugal é um país formado por uma grande influência cultural, cada lugar com a sua tradição. Cada garrafa de vinho aberta é uma viagem na história e na cultura. Há uma estrofe na música de Carlos Paião e Cândida Branca Flor que diz: “ Não há Champagne que nos ganhe e ninguém que nos apanhe, porque o vinho é português”, isso resume a qualidade do grande patrimônio e símbolo lusitano, o bom vinho.


Raphael Sena Cardoso Evangelisti
Internacionalista e Sommelier de Vinhos
sena.raphael@gmail.com

 

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