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Com histórico de sucesso e superação, Cleusa Alvarinho encerra carreira em alta
Apaixonada por dança desde criança, a coreografa penhense pendura as sapatilhas com a sensação de dever cumprido
por Arilton Batista



Bailarina e coreografa, Cleusa Alvarinho, 51, escolheu o ano de 2012 para encerrar a carreira e direcionar os holofotes exclusivamente para a família. Com trabalhos realizados em diversos programas de show de calouros da televisão brasileira, apresentados por famosos comunicadores, a dançarina - que também é pedagoga - iniciou-se no mundo do ballet aos cinco anos de idade sob forte incentivo da mãe, que também se encantava por dança. Antes de completar vinte anos abriu a primeira academia. “Eu danço desde os cinco anos de idade. Já comecei a fazer ballet nessa época. Depois, com 19 anos, abri a academia e comecei a dar aula”, conta.

Na academia que levava seu nome, Cleusa foi professora de ballet clássico, jazz e sapateado, além de ser a principal administradora ao lado da mãe, que, segundo ela, sempre lhe apoiou em tudo. Fora as modalidades de dança, o espaço também oferecia serviços de artes marciais, como judô e karatê. Foi neste período que começaram a aparecer as primeiras oportunidades de atuar com TV. A academia Cleusa Alvarinho foi aprovada no concurso do programa Silvio Santos e, durante quatro anos, revesou atuações no semanal com mais quatro escolas de dança. “Fomos aprovados e trabalhei quatro anos diretos com o Silvio. Foi emocionante demais. Sempre que teve show de calouros eu trabalhei. Na ocasião eram quatro academias que trabalhavam no programa. Cada semana era uma apresentação diferente. O Silvio lembra de mim até hoje”, lembra Alvarinho.

Eliana, Xuxa, Bozo, Simoni, Mara Maravilha, Raul Gil e Sérgio Mallandro são alguns dos apresentadores, ex-apresentadores e programas que já receberam os grupos de dança da academia Cleusa Alvarinho. Ela também carrega com muito orgulho no currículo todo o trabalho realizado no bairro da Penha, e que não foi pouco. “A gente se apresentava bastante em teatros, festivais de dança, em festas temáticas de outras cidades e na maiorias das festas aqui da Penha. Fizemos muitas festas no Clube Esportivo da Penha”, diz.
A primeira grande dificuldade veio com o falecimento de sua mãe, que, como sempre destacou, era como um braço direito, que a apoiava e incentivava em tudo. O fator psicológico foi o principal agravante para que encerrasse as atividades da academia. “Eu parei com a academia quando minha mãe faleceu. Ficou muito difícil para mim, porque minhas duas filhas, que também davam aula lá, acabaram seguindo para outras profissões”, conta

Mesmo com as portas da academia fechadas Cleusa não parou de dar aula. Neste período passou a atuar como professora em colégios e sempre manteve um grupo para possíveis apresentações em programas de TV. Em meados de 2006, porém, reabriu seu espaço. Com um aspecto mais específico, em vez de academia, a bailarina inaugurou um estúdio exclusivo de dança. “Eu fechei a academia, mas nunca parei de dar aula. Trabalhei em alguns colégios também. Há seis anos eu reabri meu espaço. Era um estúdio, não uma academia”, comenta Alvarinho. Durante a carreira teve a oportunidade de trabalhar como coreografa dos grupos Chocolate, Balão Mágico e Menudos.

Sem esperar e nunca ter experimentado, Cleusa aceitou o convite feito pela Escola de Samba Leandro de Itaquera para fazer a coreografia da comissão de frente para o carnaval de 1999. Ela não entendeu como eles conseguiram seu contato, pois nunca havia trabalhado com carnaval. Mais tarde veio saber que foi por intermédio de um aluno da academia que também desfilava pela escola. “Nunca havia pensado em trabalhar como coreografa de escola de samba. Daí, em 1999, a Leandro fez contato comigo e eu até pensei que fosse trote. Depois descobri que um aluno meu, que era da comissão de frente da escola, que me indicou. Fiquei lá dois anos. Foi muito bom, valeu a pena”, lembra.

Em 2012, após o falecimento de sua filha mais nova, Cleusa decidiu se focar mais em atividades familiares, passeios e viagens, pois os trabalhos com dança sempre exigiram muito tempo, além de disposição. E, tendo em vista todo o trabalho que já realizou, todas as conquistas, realizações e exposição na mídia, acreditou ser o momento de pendurar as sapatilhas de vez. “Minha filha faleceu em 2012, então eu resolvi parar e ficar mais perto dos meus outros filhos e dos meus netos. Pretendo viajar com eles, passear. Quero me focar mais na família”, explica.

Entretanto, o sabor que fica é de dever cumprido e satisfação. Muitas das alunas que aprenderam na academia e no estúdio Cleusa Alvarinho hoje são professoras em colégios da Penha e região. “Grande parte das professoras de dança aqui da região já foram minhas alunas”, diz. “Eu vou ficar com saudade, mas já trabalhei bastante. Agora eu vou descansar, passear e aproveitar a família”, finaliza.

 

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