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Miguel Perrella, o novo Subprefeito da Penha



Fizemos uma visita para conhecer o novo subprefeito da Penha, Miguel Perrella, Engenheiro Civil de formação com mestrado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas na área de Política Urbana, que assumiu o cargo junto com o prefeito Fernando Haddad. Acompanhe como foi nossa conversa.

CityPenha: O senhor já tem uma história com a nossa região?
Miguel Perrella: Eu nasci na cidade Patriarca, vizinha aqui da Penha, sempre estive nessa região, jogo bola até hoje. Participo das comunidades e sou fundador do Partido dos Trabalhadores na região. Somado a isso, eu estive aqui na subprefeitura na gestão da Luiza Erundina quando fui Chefe de Gabinete e também estive no período da Marta Suplicy onde fui supervisor de obras e coordenador de obras novas.

CityPenha: Vamos ter agora não só a mudança do subprefeito como também da gestão geral da prefeitura. O que deve mudar?
Miguel: Com certeza nós iremos continuar as ações que estavam sendo feitas, mas com algumas alterações do programa do nosso prefeito, Fernando Haddad. Para dinamizar a Penha esperamos que haja as mudanças que irão gerar oportunidades, rendas, melhorar a situação social e gerar emprego. O pessoal da nossa região tem que se deslocar até 1 hora e meia para outras regiões para conseguir emprego e a ideia, segundo o programa, é de polarizar a melhoria social, gerando oportunidades na própria região, para não precisar ter tanto deslocamento, sempre pensando no desenvolvimento da região e na legislação urbana.

CityPenha: Falando em legislação, acontecerá a tão esperada mudança do Plano Diretor para facilitar os investimentos imobiliários na nossa região?
Miguel: Eu tenho conversado com o secretário de subprefeitura Chico Macena e ele tem dito que a orientação do próprio prefeito, Fernando Haddad, é que a gente faça as alterações necessárias, porque se não fizermos é um prejuízo para toda a população. Você acaba fazendo irregularmente, sem um acompanhamento público. Isso é o que planejamos mudar na Câmara Municipal, para que se adapte a nova questão de desenvolvimento.

CityPenha: A subprefeitura tem um papel muito importante no aspecto de zeladoria, mas para algumas necessidades extras é necessário verba de alguma secretaria. Vocês vão ter um pouco mais de facilidade nesse trâmite?
Miguel: A princípio os orçamentos devem ser seguidos. A situação de São Paulo é uma das mais críticas entre os municípios, hoje há uma situação insuportável. Vale lembrar que São Paulo gera 8% do nosso PIB e é necessária uma discussão na mesma proporção, somos o grande centro da América Latina. Nesse momento estamos muito apertados em termos de orçamento, mas temos perspectivas muito boas. Existe um acordo do governo do Estado de realizar 20 creches na cidade de São Paulo, e mais do que isso, o governo Federal, com quem temos uma relação muito forte, já que é do próprio PT, informou que vai liberar verba para mais de 170 creches, para as quais estamos procurando terrenos.
E tem muitas coisas que não precisam passar por uma alçada muito alta, por exemplo, em breve haverá em cada subprefeitura da cidade de São Paulo uma Agência de Desenvolvimento para estar discutindo financiamento com os empresários.
Não são coisas isoladas, estamos falando de um conjunto de ações que vem atender o programa de governo e isso vai além das diversas secretarias somarem esforços com as subprefeituras. 

CityPenha: Uma dificuldade aqui na Penha é a questão do Alvará de Funcionamento, com muitos imóveis irregulares, o que acaba penalizando o empresário que não consegue manter o seu negócio e gerar empregos. Existe alguma ideia para facilitar o processo?
Miguel: Na nossa gestão pretendemos implantar o Licenciamento Eletrônico de todos os projetos, inclusive os alvarás, para ficar muito mais fácil e não parecer que existe uma cidade real e uma cidade fictícia.

CityPenha: Neste início de atuação já deu para focar alguns dos problemas?
Miguel: Visitei o Largo do Rosário no primeiro dia da festa de sábado na feira dos bolivianos e estava uma sujeira.  Mandamos limpar e é possível verificar como está o Largo do Rosário hoje. Queremos fazer o mesmo na Praça Dona Micaela Vieira, porque também está um absurdo, parece um cemitério. Se quisermos valorizar a Penha não dá pra continuar assim. A Praça 8 de Setembro, por exemplo, está bonita, mas do outro lado, onde era o Penharama, está um mato. Já pedi para dar uma melhorada visual com algum projeto.
O Parque Tiquatira e seu entorno queremos que se transforme num parque tipo o Ibirapuera, com atividades, criando oportunidades e melhorias. O pessoal já me falou que querem transformar a Av. Tiquatira na “Avenida da Copa”, o que também é uma forma legal de gerar oportunidades.
Se nós tivermos realmente chance, iremos cobrir o teatro de arena e fazer a infraestrutura para que nele haja eventos com frequência. Precisamos melhorar a questão das enchentes e valorizar o nosso centro da Penha. É preciso focar em formas de gerar oportunidades, gerar melhorias e transformar a cidade para o cidadão, onde as pessoas se sintam seguras, onde o pessoal possa caminhar, tenha onde gastar, estar bem. Nós precisamos de uma cidade de verdade, uma cidade que nos acolhe, que nos dê proteção.

CityPenha: E no tocante a Cultura quais são os projetos?
Miguel: Temos na região várias festas ligadas à igreja, mas é preciso fazer mais, porque temos bens tombados maravilhosos que queremos valorizar, como a própria Casa de Cultura, que foi reformada e está muito bonita. Queremos que as pessoas frequentem esse espaço, sonhamos em ter um cinema do lado de fora também, onde o pessoal possa ver um filme. Temos que dar oportunidade para todos e oferecer uma cidade da melhor qualidade. Fortalecer as festas ligadas à igreja para que gerem turismo, gerando oportunidades, como ali no Largo do Rosário.

CityPenha: Estamos nos aproximando do carnaval. Como estão os preparativos?
Miguel: A questão do carnaval é uma questão importantíssima na nossa região, que de fato, difere de muitas regiões de São Paulo, porque tem uma cultura ligada ao carnaval, temos muitas escolas de samba, temos muitos blocos, somos uns dos poucos locais onde o carnaval é oficial. É uma tradição de 81 anos de carnaval e pessoas de todas as classes sociais se encontram e se harmonizam, e isso é uma coisa muito bonita. Temos também o carnaval que acontece na Avenida Cangaiba, que não é oficial, mas já é o quarto ano que vai acontecer, é necessário valorizar e discutir isso para o ano inteiro.

CityPenha: Mas é possível estender para além do carnaval?
Miguel: Com certeza, imagine agora com essa questão da copa, não podemos ser só uma via de passagem, precisamos fazer também uma transformação, fazer com que todo aquele investimento que está sendo deslocado para a Zona Leste também venha para nossa região, para que a gente não sofra só as consequências do investimento, mas também possamos ter esse ganho duradouro. Eu convido todos os comerciantes, empresários e associações a participar desse debate e ajudar a analisar o que é possível ser feito, e o prefeito Fernando Haddad tem mostrado que quer falar com todo mundo, independente do partido. 

CityPenha: Qual o seu recado inicial para nossa região?
Miguel: Queremos ter uma sociedade mais feliz, e isso acontecerá quando a gente tiver uma condição econômica com menores distâncias entre as classes, nós queremos trazer para a Penha espaços diferenciados.
Como eu não posso ver todos os lugares, ver todos os problemas, os buracos, os lixos na rua, entulho, então nós temos o telefone 156 e o SAC. Vamos ajudar nessa questão da própria limpeza da cidade, vamos participar dessas discussões que o Fernando Haddad e eu, como seu representante, estamos abrindo para um debate de primeira qualidade, buscando atender, principalmente, a questão social para que todos ganhem com isso.


 

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