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Hospital das Bonecas

Uma história de sucesso construída sobre a emoção de cada um de nós



Um brinquedo quebrado é choradeira na certa - levante a mão para quem nunca ficou triste ao ver uma boneca sem uma perna ou um carrinho sem uma roda.
Lidar com os sentimentos de uma criança que vê seu brinquedo quebrado nunca foi uma tarefa fácil, mas para o que parecia um problema, às vezes incontornável, existe o Hospital das Bonecas, Brinquedos e Games.

E quando Primo Capelo começou a consertar Bonecas de parentes e vizinhos, nos anos 30, ele jamais iria imaginar que ali estava começando a construir a maior empresa de Consertos de Bonecas e Brinquedos do país.

Fundado por ele em 1937, o verdadeiro Hospital das Bonecas foi crescendo e se adaptando aos novos tempos, e a cada geração da família, acrescentando técnicas para os novos Brinquedos que surgiam.

Hoje o Hospital se comporta realmente como um hospital, para dar mais realidade às crianças (e porque não para os adultos) dos cuidados que são prestados ao brinquedo. Tudo começa na entrada quando, ao chegar, o cliente pega uma senha e aguarda para ser atendido.

Na recepção, as atendentes usam uniformes de enfermeiras, e ali são feitas as fichas do cliente e da boneca ou brinquedo. Em seguida o médico chama o cliente, e pergunta dos sintomas do brinquedo defeituoso: o que não funciona, onde está o problema...

Em alguns casos a “ambulância” retira os brinquedos “doentes” e os leva para o Hospital onde o “doente” fica para ser tratado de seu problema. Horas depois, ele recebe “alta” e pode voltar para a casa. “Se o cliente puder esperar, ele leva o brinquedo para casa no mesmo dia”, explica Leandro Primo Capelo, atual proprietário do Hospital, a terceira geração a administrar o negócio. Quando assumiu a gestão do Hospital das Bonecas, e trouxe novas ideias que foram alcançadas ao longo desses 32 anos em que está no comando, a empresa evoluiu tecnologicamente passando a consertar não somente bonecas, mas também, brinquedos eletrônicos, brinquedos com mecanismos, brinquedos elétricos e até aparelhos de última geração como tablets. Por isso a empresa passou a se chamar Hospital das Bonecas, Brinquedos e Games.

Ele conta que, além da recepção parecida com a de um hospital, os funcionários se comportam como médicos e enfermeiras e usam roupas brancas. Há também um cenário que imita um centro cirúrgico para os casos mais complexos.

O tratamento diferenciado encanta crianças e adultos. “As pessoas chegam aqui e dizem “não acredito que vocês têm isso “, conta Capelo. As meninas dão um beijo nas bonecas antes de elas entrarem no centro cirúrgico e, quando já estão “de alta”, são deixadas no berçário e entregues às garotas pela enfermeira. Mas não são somente as crianças que demonstram afeto: adultos até abraçam seus brinquedos antigos - e quebrados - antes de deixá-los no hospital - na verdade, um cuidado que não tem idade.

Para Leandro a principal razão para o seu negócio dar certo é o apego emocional. “O povo brasileiro é muito saudosista, tem amor por suas coisas. Todo mundo tem um brinquedo que não joga fora, pois o valor sentimental daquele objeto é muito grande. Muitas vezes recebo crianças que pedem para que os pais, em vez de comprar um novo, consertem o velho. Também é muito comum os adultos restaurarem seus brinquedos de infância para dar de presente aos filhos. Eu mesmo conservo, até hoje, um cavalinho de lata que o meu pai me deu.”

A singularidade da atuação do Hospital das bonecas é tão grande que a empresa já participou de vários programas televisivos como, Jô Soares-Globo, Programa da Eliana-SBT, Programa Amaury Junior-Rede TV, A noite é uma criança-Band, Zaping Zone-Disney Chanel, SPTV-Globo, Agendinha TV Cultura, Mais Você-Globo, Manhã Maior-Rede TV, Hoje em dia-Record e outros.

Muito mais do que consertar brinquedos o Hospital das Bonecas mantem vivos os sonhos das crianças e seu amor pelos seus brinquedos.

Ao longo dos anos, seu negócio precisou se modernizar para acompanhar todas as mudanças do mercado. “Nossa técnica foi se aprimorando, principalmente devido à influência das novidades tecnológicas, como os videogames e jogos eletrônicos em geral”. Contudo, as bonecas, desde as mais novas às mais antigas, ainda são o produto mais recebido pelo hospital. Normalmente, vêm de senhoras de 70, 80 anos, que confiam a ele a recuperação de algum brinquedo que marcou sua infância. “Nossa responsabilidade é muito grande. Quando recebemos uma boneca antiga para restauração, não podemos deixá-la com cara de nova. Precisamos ter o máximo cuidado e utilizar tintas e tecidos especiais para que ela fique perfeita, como na época em que foi produzida”, explica Leandro.

E todo este esforço é realizado para as mais de 1.500 pessoas que mensalmente buscam o Hospital das Bonecas, Brinquedos e Games.

Para Leandro todo o cuidado com a parte técnica e emocional se justifica pela filosofia da empresa: ”A satisfação de nossos clientes é ponto de honra”.


 

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