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Parlapatões, Patifes e Paspalhões marcam a reinauguração oficial do Centro Cultural da Penha
Peça que reconstrói textos de Shakespeare de forma bem humorada faz público encher a sala do Teatro Martins Penna



Fechando o ciclo de comemorações dos 20 anos do grupo e também pelo 50º ano de carreira do diretor da peça, Emílio Di Bias, os Parlapatões, Patifes e Paspalhões Hugo Possolo, Raul Barreto e Alexandre Bamba apresentaram no palco do teatro Martins Penna, entre 7 e 9 de dezembro, o espetáculo PPP@WllmShkspr.Br, que retrata de maneira resumida e bem humorada os textos do famoso poeta inglês William Shakespeare. "A peça representa todas as obras de Shakespeare numa única peça, que tem 90 minutos. Mas tudo não passa de uma grande brincadeira com a obra do poeta", conta o ator Hugo Possolo, 50.

A forma descontraída, engraçada e muitas vezes exagerada de mostrar Romeu e Julieta, Ramlet e Otelo, entre outros, é talvez o maior motivo do sucesso de bilheteria do espetáculo, que expõe técnicas de circo e teatro de rua; que já foi apresentado mais de 500 vezes e estreou há 14 anos, voltando a ser colocado em cartaz em janeiro de 2012. "Talvez as pessoas achem que Shakespeare é uma coisa séria, sisuda ou chata. E isso é uma coisa que é passada para o público. A gente faz como imagina que era o teatro do Shakespeare na época dele, um teatro popular, alegre, festivo. De certa forma, o que fazemos não é uma peça shakespeariana, e sim uma homenagem ao Shakespeare brincando com toda a obra dele", explica Possolo.

Outra particularidade marcante do trabalho é a forte interação com a platéia, que participa, de fato, em algumas etapas da apresentação. "A gente não separa muito o palco da platéia. A gente acha que está todo mundo participando da mesma peça. Nós convidamos o público a participar, a gente se envolve no meio da platéia para fazer as nossas brincadeiras", diz Hugo, que explica que o porquê do nome PPP@WllmShkspr.Br: "PPP é Parlapatões, Patifes e Paspalhões. Arroba é de apresenta. WllmShkspr significa William Shakespeare abreviado, que é uma característica da peça, ser abreviada. E Br é por ser uma versão brasileira do trabalho".

Já o batismo de Parlapatões, Patifes e Paspalhões aconteceu de uma maneira um pouco mais curiosa. O nome era, à princípio, de um texto feito por Hugo Possolo para a terceira peça que eles haviam montado. Jairo Mattos, que pertencia ao 'time' na época, insistiu durante seis meses para que este fosse o nome do grupo, em vez de apenas o título de uma peça. O nome foi aceito e na sequência Jairo saiu. "Era um texto meu, anterior ao grupo. Foi a terceira peça que a gente montou. Aí o Jairo Mattos encheu nosso saco pra gente colocar esse nome. A gente demorou uns seis meses para aceitar. No dia que aceitamos ele saiu do grupo. Saiu porque tinha um outro trabalho. Mas é um grande amigo, um grande parceiro. Ele foi um dos fundadores", conta Possolo.

Com quase 21 anos e mais de 46 espetáculos diferentes na bagagem, apresentar-se e fazer parte da reinauguração oficial do Centro Cultural da Penha, especialmente do teatro Martins Penna, foi algo especial para os Parlapatões, segundo Hugo. "A gente teve até a oportunidade de inaugurar outros teatros fora de São Paulo, inclusive teatros municipais de algumas capitais, mas de repente estar num teatro distrital, num bairro importante como a Penha, num eixo da cidade, que é a Zona Leste, pra gente tem muito significado", diz.

Hugo Possolo faz questão de salientar a importância da criação e manutenção de espaços culturais criados pelo Governo com o propósito de atender os moradores de bairros mais distantes da região central da cidade, do eixo Avenida Paulista - Centro. "É muito legal saber que o poder público, que a Secretaria Municipal de Cultura, teve o cuidado em realmente fazer uma manutenção e aprimorar esse tipo de equipamento cultural. É muito significativo você poder estar em lugares diferentes da cidade, e lugares com cada vez mais qualidade", comenta o ator. "É muito comum espetáculos que fazem temporadas nas regiões mais centrais circularem, porque a cidade é muito grande. Ter um teatro mais próximo do público é melhor", finaliza.


 

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