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O quanto do seu coração é fraternidade?

Fraternidade é um termo oriundo do latim frater, que significa “irmão”. Por esse motivo, fraternidade significa parentesco entre irmãos. 
A ideia de afeto, união, carinho ou parentesco entre irmãos estava presente na palavra correspondente no grego comum do primeiro século - adelfótes. Segundo o apóstolo Pedro, fraternidade é o tipo de união que identifica os verdadeiros cristãos. 
A fraternidade universal designa a boa relação entre os homens, em que se desenvolvem sentimentos de afeto próprios dos irmãos de sangue.
A ideia da fraternidade está baseada no conceito de que todos os seres humanos são iguais e, neste sentido, devem ser tratados igualmente com dignidade e respeito. É o laço de união entre os homens, fundado no respeito pela dignidade da pessoa humana e na igualdade de direitos entre todos os seres humanos. Convivência harmoniosa e afetiva entre as pessoas. 
Assim, a fraternidade faz com que todos os seres humanos sejam igualados ao status de irmãos, devendo possuir direitos iguais, independente da orientação sexual, etnia, religião ou classe econômica.
É um conceito filosófico profundamente ligado às ideias de Liberdade e Igualdade, sendo uma ideia que estabelece o homem como animal político, fez uma escolha consciente pela vida em sociedade e para tal convive com seus semelhantes numa relação de igualdade, visto que em essência não há nada que hierarquicamente os diferencie, são como irmãos (fraternos). 
A fraternidade pressupõe que a minha liberdade não se possa realizar sem a liberdade do outro, é considerada um princípio que está na origem de um comportamento relacional e, exatamente por isso, além de ser um princípio ao lado da liberdade e da igualdade, aparece como aquele que é capaz de tornar esses princípios efetivos. 

Origem do Dia da Fraternidade Brasileira

O Dia da Fraternidade é celebrado anualmente em 13 de maio no Brasil, também conhecido como Dia da Fraternidade Brasileira, esta data celebra um dos valores mais importantes para manter a união e paz numa sociedade.
O Dia da Fraternidade Brasileira foi criado a partir da Campanha da Fraternidade, criada em 1961 por três padres responsáveis pela Caritas Brasileira, uma organização humanitária da Igreja Católica.
E neste contexto, o Dia da Fraternidade procura alertar as pessoas para as desigualdades que ainda existem no mundo.
A fraternidade expressa no primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos de que “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos, são dotados de razão e de consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”.
Este conceito é a peça-chave para a plena configuração da cidadania entre os homens, pois, por princípio, todos os homens são iguais. 
O reconhecimento de igual dignidade a todas as pessoas está consubstanciado na Constituição Federal Brasileira, assim como o objetivo da construção de uma sociedade fraterna, plural e sem preconceitos. 
Hoje o Brasil enfrenta graves problemas que afetam a dignidade humana, com os rostos da violência: rosto dos que sofrem violência racial; rosto dos que sofrem violência de gênero; rosto dos que sofrem violência doméstica; rosto das vítimas da exploração sexual e do tráfico humano; rosto dos trabalhadores rurais e dos povos tradicionais; rosto das vítimas do narcotráfico; rosto das vítimas do trânsito; rosto que sofre a exploração de mão de obra em condições análogas às de escravos e a exploração do trabalho infantil. 
No Brasil, criou-se um discurso conveniente, segundo o qual o povo brasileiro é pacífico; contudo, basta observar com cautela a sociedade para perceber como a violência está presente no dia a dia das pessoas. A convivência pacífica e a sociabilidade violenta parecem disputar os mesmos espaços no cotidiano.
Segundo estudiosos, a violência cultural institui na sociedade uma situação em que alguns atos violentos são reconhecidos como legítimos ou naturais.
Quando se apresenta a violência como cultura, parte-se de uma análise da realidade em que comportamentos, mídias, expressões verbais, músicas etc. foram se tornando “normais”, “comuns”.
Essa cultura é produzida pelos indivíduos, que, ao mesmo tempo, se tornam vítimas do próprio sistema de violência.
A cultura da violência é uma cultura excludente, pois a associa às classes sociais e raciais, criando, assim, estigmas sociais como “o povo daquele país não presta”, “aquele rapaz tem cara de bandido”, “aquela mulher merece apanhar”. A sociedade ainda se pauta na reação, e não na prevenção; na punição, e não na educação para o senso de pertença. 
Em busca de soluções alternativas à violência para resolver os conflitos assumiu, atualmente, um caráter de dramática urgência. É, portanto, essencial a busca das causas que originam a violência, em primeiro lugar as que se ligam a situações estruturais de injustiça, de miséria, de exploração, nas quais é necessário intervir com o objetivo de superá-las 
A violência apresenta-se nas mais variadas formas: física, psicológica, institucional, sexual, de gênero, doméstica, simbólica, entre outras. Superar as várias faces da violência é tarefa de todos. Exige o compromisso de cada pessoa no enfrentamento das múltiplas formas de ofensa à dignidade humana que se naturalizam escandalosamente em nossa sociedade.
É preciso passar de um sistema excludente, elitista e descartável para uma sociedade fraterna, responsável e inclusiva.
Não basta identificar a violência como cultura e como sistema e distinguir suas vítimas; é preciso iluminar essa realidade com a conscientização do que é fraternidade.
Para amenizar e erradicar essas chagas sociais não basta a mudança legislativa, é preciso mudar o paradigma social. 
Assim, para frear a crescente precarização dos direitos na complexa sociedade contemporânea, a dignidade humana tem que figurar em primeiro plano, o que dependerá de uma transformação da sociedade, implicando em uma alteração simultânea de todos os códigos pelos quais a sociedade é guiada, enfim, uma revolução mental, configurando um verdadeiro desafio ético e fraterno. 
A fraternidade é eventualmente confundida com a expressão caridade e solidariedade, embora elas tenham significados radicalmente diferentes. A fraternidade expressa a dignidade de todos os homens, considerados iguais e assegura-lhes plenos direitos (sociais, políticos e individuais).
Segundo, Ana Carolina D’Angelis, indulgência (perdão, misericórdia) não vê os defeitos alheios, e se os vê, evita comentá-los e divulgá-los. Os oculta, pelo contrário, evitando que se propaguem, e se a malevolência os descobre, tem sempre uma desculpa à mão para os disfarçar, mas uma desculpa plausível, séria, e não daquelas que, fingindo atenuar a falta, a fazem ressaltar com pérfida astúcia.
A indulgência jamais se preocupa com os maus atos alheios, a menos que seja para prestar um serviço, mas ainda assim com o cuidado de atenuá-los tanto quanto possível. 
Não faz observações chocantes, nem traz censuras nos lábios, mas apenas conselhos, quase sempre velados. 
Exercemos esse sentimento tão doce, tão fraternal, que todos devem ter para com os seus irmãos, mas que tão poucos praticam.
A igualdade se mostra universal na concretude, através do reconhecimento do outro, sem com isso implicar a anulação das diferenças, ao contrário, pressupõe a aceitação da diferença, e é essa aceitação que possibilita a construção de um mundo propriamente humano.

Cida Lopes • Gestora/Produtora de Eventos/Docente – MBA em Hospitalidade •  cida.aparecida.lopes@gmail.com


 

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