FOTOS

O poder de um pé no traseiro

 

Muitas pessoas passam pela vida por momentos críticos, seja no âmbito profissional ou pessoal, que todos conhecem como: a hora crítica, o dia do facão, ou mais popularmente, o “pé no traseiro”.

Pé no traseiro dói mesmo, mas não é incurável. Como dizem: Ele até te empurra pra frente e cada pessoa reage de maneira diferente a esses episódios. Um “pé no traseiro” pode ser um empurrão para frente, ou para trás, a escolha é de cada um. 

O que motiva uma pessoa a tomar determinadas atitudes tão diferentes? Esta é uma questão que ainda não foi plenamente respondida, pois, apesar de várias pesquisas terem sido realizadas e diversas teorias formuladas visando explicar a motivação humana, perduram, ainda, muitas lacunas, distorções e desconhecimento acerca do assunto, mas o que é certo é que cada um é único na sua reação. 

No momento fatídico do pé no traseiro, só há choque. Choque com o fato de que acabou o que se mantinha na zona de conforto, de que se perdeu, de que se foi. Tem que conviver com o fardo de se perguntar o que fez de errado, se não era bom (a) o suficiente, e, ao mesmo tempo, tentar lidar com o sentimento partido. Não é nada fácil.

Embora o choque dure, também existem as lágrimas. Litros e litros de lágrimas, intermitente, porque as emoções são demais para suportar, e está simplesmente devastada.

Na primeira semana é sempre a pior, então, dizer que você melhorara rápido seria uma mentira.  Ainda perdura a raiva e a indignação, na verdade o choque passou e é preciso lidar com o sentimento em frangalhos.

Assim que, após um mês chega ao fim, o choque foi oficialmente embora. Você aceita que esta é a sua vida agora, ainda que a contragosto, porque não aceitamos as decepções. Sua raiva e tristeza se revezam com o inicio do reconhecimento de suas forças, mas ainda irritado (a) com a situação, e até com raiva de si mesmo (a). Talvez até se culpe em alguns aspectos, mas não caia nessa. Você já precisa lidar com muita coisa, não adicione mais uma à lista.

O ser humano possui o reconhecimento das forças como necessidades interiores que representam a fonte de energia de seu comportamento. Ele agi em busca de fatores de satisfação capazes de evitar a sujeição a graus desagradáveis e ameaçadores de tensão que o pé no traseiro traz. E a força de vencer nos faz reagir.



Tem cura?

Há evidências que nos mostram que o cérebro humano já tenta nos fazer seguir em frente logo após o pé no traseiro. Nesse sentido, podemos nos apegar àquilo que mais nos motiva e nos deixa felizes. 

Parece uma bagunça, mas nosso cérebro faz tanta confusão assim com uma boa intenção; ele só quer nos ver bem de novo e, por mais que pareça exatamente o contrário, a ideia é regular nossas emoções e, dessa maneira, seguir em frente.

A lista de superação é extensa, então vamos a algumas delas:

Aprenda a lidar com a rejeição: As coisas nem sempre são como queremos, infelizmente ou felizmente, o que planejamos nem sempre acontece da forma que esperamos. Mas, não se deixe perder em meio a sentimentos remoídos e frustrações com o fracasso, e saiba que o fracasso de hoje, pode ser o seu sucesso de amanhã. 

Liberte-se: Enxergue a rejeição como uma libertação: a situação está deixando você livre para outras oportunidades e experiências, abrindo caminho para vivências melhores. 

Aprender a lidar com o inesperado: O ser humano é um bicho complicado e momentâneo, uma hora dessas temos a certeza de que haverá uma reviravolta da nossa vida. Como isso acontece? Quando menos esperamos.

Ter menos expectativas em relação aos seus sonhos: Se você sonhou  demais e se estrepou, paciência! Mas não cobre nada de ninguém e das situações que te cercam. 

Chorar: Não adianta fingir que nada aconteceu, relembrar os momentos da situação e ir até o fundo do poço é fundamental, para ter impulso e subir. Chorar sem dó é fundamental, nada de colocar sentimentos debaixo do tapete.

Falar sobre o que aconteceu: Sair do isolamento traz bem-estar. Nada como alugar a orelha dos amigos e despejar a raiva, a tristeza e o sentimento recolhido. Às vezes, nossos amigos podem ficar fatigados do assunto, se perceber, busque alguém com um pouco mais de maturidade e que te inspire confiança. 

Não se sinta diminuído: Não ser correspondido nos seus sonhos não significa que você é inferior ou não tem valor. 
Investir mais tempo em si mesmo: É comum nos doarmos para a pessoa que a gente ama, para um trabalho que acreditamos ser o melhor para nos, mas não podemos esquecer de fazer o que gostamos, afinal a felicidade deve ser compartilhada e não limitada.

Aceitar: O que perdemos, possivelmente não vai voltar. Acabou. Você precisa virar a página. Parar de alimentar expectativas, mas aceitar que o leite já está derramado é a melhor opção e reconhecer que a gente não ganha sempre. É a vida!

Deletar e bloquear: Pare! De que adianta saber das ultimas novidades? Por que cutucar a ferida? Se o coração não sente o que os olhos não veem, buscar notícias com amigos em comum não ajudam em nada a esquecer a situação.

Distrair: Sabe a vontade de assistir ao capítulo seguinte do seriado? Ou quando você olha para o relógio e percebe que ficou horas absorta na leitura de um livro? Pois é, você precisa de coisas que vão te tirar do buraco. Vale ir ao cinema, ver shows de comédia ou ir ao teatro. 

Arrumar os seus pertences: É terapêutico organizar as coisas: você mergulha na sua bagunça, separa o que precisa ser arrumado e o que não te serve mais. Desapega e deixa espaço para o novo. Além do mais, você ganha por estar num lugar mais arrumado e redescobre o tanto de tralhas que tem.

Perdoe: Você errou. Erraram com você. Às vezes machucamos e somos machucados, aprenda a se perdoar e a perdoar os outros. Você só conseguirá seguir em frente quando resolver internamente qualquer possível pendencia que o pé no traseiro tenha deixado. 

Acredite; ela vai passar: Não existe dor suficientemente grande para que destrua um futuro inteiro de possibilidades. O ser humano é uma máquina incrível com o poder da adaptação. Ela sofre, ela trava, ela dá pane, ela quase para, mas ela segue ir em frente. 

É muito interessante como entenderemos algumas coisas que acontecem conosco somente lá na frente, passado o tempo, quando pudermos analisar tudo a uma distância segura. Assim, nada como a sensação de entendimento e de sossego que sentimos ao percebermos que tudo ocorreu exatamente como deveria.

Na verdade, a maioria das pessoas se torna melhor após sentir na pele dores intensas, após passar por experiências desesperadoras e doloridas. É como se o sofrimento nos esvaziasse os sentidos, para que, aos poucos, fôssemos nos preenchendo de esperança e de força para lutar. Após sofrer toda a devastação emocional que nos atropela, nós nos reerguemos, porque temos que continuar, que sobreviver, que voltar a trabalhar, voltar a amar, voltar a viver.

Por essa razão, embora não consigamos ficar inertes frente ao que de ruim nos acontece, termos a convicção de que o melhor ainda estará por vir nos ajudará a passar pelas noites escuras com uma ponta de esperança que fará muita diferença. Acreditar que merecemos o melhor não é ingenuidade, mas necessidade, para que os nãos nos esbofeteiem com menos força e não nos retirem o foco de luz que carregamos dentro de nós.

 

Por Cida Lopes • Gestora/Produtora de Eventos/Docente – MBA em Hospitalidade •  cida.aparecida.lopes@gmail.com


 

Voltar