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Geeks e Nerds: como distinguir um do outro

 

Quem viveu tempos escolares até os anos de 1990 e começo de 2000 sabe bem o que significa a expressão “CDF” - Crânio-de-Ferro -, que geralmente era atribuída aos melhores alunos da sala, aqueles que tiravam sempre notas altas e se mostravam estar à frente da turma, sendo destacados pelos professores, diretores e nas reuniões de pais. Eles também eram chamados, pejorativamente, de “NERDS”. Hoje, porém, existe um novo grupo social que não dificilmente é confundido com os nerds: são os GEEKS, que têm como principal característica o engajamento com tecnologia, games, quadrinhos, filmes, séries, jogos de tabuleiro e super-heróis. A grosso modo, geeks são consumidores, entusiastas e amantes da cultura pop, enquanto nerds são pessoas profundamente estudiosas de determinado tema, independente do segmento ou da área - por exemplo, um cientista, uma geóloga ou um matemático.

Para o cartunista, escritor e produtor de conteúdo Pedro Ivo, 36, a confusão que existe na distinção entre geeks e nerds, na verdade, é provocada por questões sociais e que o que há mais em comum entre eles é a paixão. Geek e nerd, Pedro enxerga a cultura pop como uma ferramenta de ascensão social, já que através de obras como games, quadrinhos e livros muitos jovens são impactados e despertam inspirações que podem refletir no cotidiano, na vida real. “Adolescentes se inspiram num herói e compreendem problemas morais e éticos, a noção de justiça, de certo e errado. E o mais interessante é que esses personagens e obras se atualizaram e hoje você tem heróis que representam classes sociais e étnicas. Isso é importante”, comenta.

Um ponto que pode ser observado na diferenciação entre um geek e um nerd é também no visual. Como quase todos os geeks têm um ou mais personagens preferidos dentro do universo dos quadrinhos, filmes e séries, muitos exibem camisetas com estampas de super-heróis, como Batman, Homem-Aranha, Lanterna Verde, The Flash, entre outros. Aos que usam óculos, a escolha por uma armação mais grossa também pode fazer parte do visual geek, assim como a sobreposição de peças. Evidentemente, como amantes da tecnologia, costumam estar sempre antenados e utilizam, cada um dentro da sua possibilidade, celulares e tablets modernos.

 


Também geek, o jornalista, escritor e programador de jogos digitais Gabriel Ribeiro, 29, enxerga de maneira positiva o crescimento da cultura pop e dos geeks no Brasil, já que a maior procura por itens e produtos relacionados com o tema faz com que o setor disponibilize mais e melhores opções nas prateleiras. “Até uns dez anos atrás era bem complicado comprar algo que me agradava. Até tinha uns bonequinhos de Cavaleiros do Zodíaco ou G.I. Joes para quebrar o galho. Agora, em praticamente todos os lugares eu consigo comprar algo de qualidade do Homem-Aranha, de Star Wars, ou, se tivesse a grana, uma réplica da Mjolnir ou do escudo do Capitão América. Por mim, quanto mais produtos desse tipo forem produzidos e trazidos para o Brasil, melhor”, comenta.

Apesar das diversas miniaturas de personagens decorando seu quarto, Gabriel tem verdadeira paixão pelos livros, tanto que, em 2016, lançou, pela editora Alternativa Books, seu primeiro livro, Icarus - Revelações Vol. 1. A história se passa num futuro distante, quando o mundo vive um momento de paz e o índice de violência diminui a quase zero graças aos avanços tecnológicos da empresa Icarus Inc. Tudo muda quando uma onda de sequestros toma conta do mundo. O jovem Will Shepherd descobre ser especial e precisa se juntar a outros como ele para desvendar os mistérios por detrás daqueles acontecimentos. “Agora estou seguindo com a conclusão do Vol 2, me certificando que a história como um todo esteja fluida e bem amarrada. Infelizmente, por causa de horário de trabalho e estudos, ainda não tenho um prazo definido para esse lançamento, mas pretendo realizá-lo ainda esse ano”, revela Gabriel.

Assíduo colecionador de gibis, Pedro Ivo é autor do livro Cidadão Incomum, publicado pela editora Conrad e que tem a cidade de São Paulo como cenário. A história gira em torno de Caliel, um jovem adulto que descobre ter superpoderes e resolve, sem mais nem menos, virar super-herói. O problema é que, junto disso, ele percebe que a vida real é bem diferente dos quadrinhos e filmes, fazendo com que as coisas não saiam exatamente como planejado. “O Cidadão Incomum nasceu de uma pergunta que todo geek se faz: o que aconteceria se eu tivesse superpoder?”, diz Pedro, que possui também um canal no YouTube, chamado Canal do Pedro Ivo - De Onde Vieram as Coisas. “Ali eu falo sobre a filosofia que existe dentro do universo geek e das coisas. A ideia é trazer à superfície todos os questionamentos mais importantes da atualidade, mas de um jeito divertido e fácil”, conta Pedro.

 

 

 


 

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