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Jurandy Valença novo diretor do Centro Cultural da Penha

 

O Centro Cultural da Penha, uma das poucas unidades integradas da cidade de São Paulo tem um novo diretor. Jurandy Valença, oriundo da área de cultura, com grande experiência em gestão cultural, além de ser poeta e fotógrafo. Acompanhe nosso bate papo e o que ele prepara para nossa região.

CityPenha: Fale um pouco de você, da sua experiência.

Jurandy: Sou alagoano e me formei em Engenharia Química e Jornalismo na Universidade Federal de Alagoas. Também sou artista visual e fotógrafo. Entre 1991 e 1994 morei e trabalhei com a escritora, poeta e dramaturga Hilda Hilst. Nessa época, em 1992 publiquei meu primeiro livro de poesia “Faca de Vidro”. Trabalhei com moda no extinto Phytoervas Fashion, no qual fui coordenador de produção, entre 1996 e 1998.

CityPenha: Phytoervas Fashion foi o precursor da São Paulo Fashion Week, não é mesmo?

Jurandy: Isso, era o evento criado pela Cristiana Arcangeli, junto com sua marca de cosméticos. Esse evento dava o ponta pé inicial na carreira de grandes estilistas, quando ela vendeu o evento virou Morumbi Fashion e depois o São Paulo Fashion Weak.

CityPenha: Voltando a sua trajetória profissional...

Jurandy: Trabalhei com a Isabella Prata entre 2000 e 2002 no extinto site www.artenet.com.br, fui coordenador da Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo, entre 2007 e 2010, e na minha gestão realizamos várias reformas no prédio, ressuscitei o ateliê de gravura que estava parado e que continua até hoje, reformei a galeria de arte que também continua até hoje, e o teatro que também está superativo. Fui diretor de projetos do Instituto Hilda Hilst, em Campinas, entre 2012 e 2014, onde criei um projeto de residência artística que recebeu 70 residentes do mundo todo entre acadêmicos, tradutores, poetas, escritores, jornalistas, dramaturgos que ficavam um tempo produzindo os seus trabalhos.

CityPenha: Paralelo a tudo isso você manteve sua carreira artística?

Jurandy: Eu desenvolvo trabalhos em fotografia desde o final dos anos 90, tendo participado de mais de 70 exposições, entre individuais e coletivas, nas quais recebi três prêmios, realizei diversas curadorias e fui tema de um Documentário exibido na TV Sesc-Senac. Possuo obras em acervos públicos e em coleções particulares. Colaborei entre 2008 e 2013 para as revistas Bamboo, Dasartes e Mag!, entre outras, escrevendo sobre artes visuais, arquitetura e design. Sou redator do Mapa das Artes São Paulo há mais de dez anos e nesses últimos 9 meses eu retomei meu segundo livro que chama “Narciso Cego” que vou publicar em breve.

 


CityPenha: Você tem experiência de sobra para dar uma dinamizada no Centro Cultural!

Jurandy: Acho que sim a ideia é essa. O equipamento já existe faz tempo então queremos que o Centro Cultura da Penha abrigue atividades de fusão e de formação voltada para o bairro e o entorno, mas também que ele seja cada vez mais um instrumento público da cidade, atraindo outros públicos, de outros bairros. Queremos que eles venham para cá sabendo que no Centro Cultural da Penha está acontecendo um show X, um espetáculo de teatro Y, um seminário ou uma oficina muito bacana. Queremos dar mais visibilidade ao Centro Cultural.

CityPenha: Para isso é preciso formatar bem a programação?

Jurandy: Com certeza, mas logo de cara vamos ter mais de 20 oficinas que vão acontecer nesse primeiro semestre. A programação efetiva começa em abril e vai cobrir maio e junho, depois fechamos a programação do segundo semestre. Estamos no início da gestão e preciso conhecer a dinâmica do espaço e o público que frequenta para ajustar tudo. Por exemplo, vamos ter o projeto Quartas Musicais que começou no dia 29 de março e vai até junho, onde quinzenalmente teremos shows no teatro. Começa com o Comitê do Soul, um grupo com mais de 10 anos, em seguida o Edu Sereno, depois Alicia Mess, e também Samba do Tempo, a Roda de Samba do Rosário

CityPenha: A programação, incluindo as oficinas é bem variada?

Jurandy: Com certeza, estamos trabalhando em todas as frentes da cultura e da arte. Quero ressuscitar o Cozinhando Música que aconteceu no ano passado e foi muito interessante. Vamos ter oficinas de fotografia, uma com o Folco e outra com a Melissa, violão para iniciantes, canto e coral para iniciantes, percussão, oficina de voz para atores, oficina de produção musical, oficina de ballet infantil, dança de salão, dança afro, dança de rua, iniciação teatral para crianças e adolescentes, oficina de produção teatral, técnicas circenses, oficinas de desenho, de yoga, de figurino para teatro, uma oficina de patrimônio histórico e cultural, porque acho sempre importante bater nessa tecla do resgaste, da importância conceitual desse patrimônio que o bairro tem, e outras tantas. 

CityPenha: Em termos de estrutura você já pensou em algo?

Jurandy: Estamos verificando tudo o que é necessário para desenhar um projeto geral. Um projeto que já estamos viabilizando é a disponibilização de wifi gratuito em todo o Centro Cultural. A antena que reproduz e replica o sinal do wifi gratuito no Largo do Rosário está localizada aqui no nosso prédio, então eu conversei com a Secretaria de Inovação e Tecnologia e eles enviaram 4 pessoas aqui, 2 do Prodan e 2 do Wifi Livre e a ideia é que daqui 2,3 meses nós tenhamos Wifi Livre no prédio todo.

CityPenha: Isso é muito legal porque vai melhorar a ocupação das instalações.

Jurandy: Com certeza. Toda pesquisa, todos os trabalhos, as criações que as pessoas estiverem fazendo ganham agilidade com a disponibilização do wifi gratuito, será um benefício importante para quem desenvolve cultura.


 

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