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Carnaval Paulistano coloca cultura na vitrine do samba

 

Festa típica do Brasil, o Carnaval indiscutivelmente é uma das manifestações prediletas do brasileiro, seja em virtude da música, da religiosidade ou - é importante admitir - também por conta da folga no calendário e das festividades que ocorrem país afora. O que nem todo mundo se atenta, porém, é que o Carnaval vai muito além disso, sendo uma fonte rica de informação e cultura, principalmente quando analisados os temas dos sambas das escolas que desfilam este ano, nos dias 24 e 25 de fevereiro, no Complexo do Anhembi. Entre os assuntos abordados há, por exemplo, homenagens a Zimbábue, ao Nordeste Brasileiro, referências à migração no estado de SP, exaltações a cidades como Salvador e Curitiba, cultura afro-brasileira e até a relação de amizade entre homem e cachorro entrará na avenida, além de arte urbana e grafite.

Nas duas noites de desfiles no Sambódromo desfilarão, cronologicamente, Tom Maior, Mocidade Alegre, Unidos de Vila Maria, Acadêmicos do Tatuapé, Gaviões da Fiel, Acadêmicos do Tucuruvi e Águia de Ouro; Mancha Verde, Unidos do Peruche, Império de Casa Verde, Dragões da Real, Vai-Vai, Nenê de Vila Matilde e Rosas de Ouro.

 


Fotos: Desfile Nêne de Vila Matilde  -  Carnaval 2016


Desde 2010 como presidente da Nenê de Vila Matilde, uma das principais agremiações que representam a Zona Leste, Rinaldo Andrade, o Mantega, ressalta a importância do carnaval como potência comercial. “O carnaval é um espetáculo maravilhoso que movimenta toda a cadeia produtiva e ainda leva o nome da nossa cidade para cinco continentes. Além de ser um evento cultural, é uma ferramenta de inclusão social. Os empresários deveriam estar mais atentos a este mercado”, comenta.

No desfile deste ano a Nenê de Vila Matilde entrará na avenida com um enredo sobre a cidade de Curitiba, capital do estado do Paraná: "Coré Etuba. A ópera de todos os povos, terra de todas as gentes, Curitiba de todos os sonhos". Para a escolha do tema, segundo o presidente Mantega, foram considerados aspectos como diversidade cultural, inovações urbanísticas, engajamento com causas ambientais, qualidade de vida, infraestrutura e dinamismo econômico, entre outros fatores que destacam a cidade que fica na região sul do Brasil. “Apesar das questões financeiras e econômicas do país, faremos um desfile pautado no esforço de cada pessoa envolvida e na paixão por esse momento mágico do ano. Será um carnaval de superação, de mudanças e realinhamento de posições”, diz Mantega, que é componente da escola há mais de 30 anos.

 


Fotos: Desfile Nêne de Vila Matilde  -  Carnaval 2016


Com um time de ritmistas que carrega grande tradição no carnaval de São Paulo, a Bateria de Bamba da Nenê de Vila Matilde possui como principal característica a cadência, atributo trazido do Rio de Janeiro pelo Seu Nenê (in memorian), fundador e ex-presidente da escola, que visitou as agremiações da Mangueira e da Portela - honrosamente madrinha da Nenê. “Não existe um grande segredo. Bateria tem que ter identidade, e esse é o caso da Bateria de Bamba”, exalta Mantega, que complementa: “Nosso mestre de bateria, Markão, que está em nossa batucada desde menino, preserva essa nossa característica da cadência pura, que aprendeu com Seu Nenê, Claudemir, Pascoal e Mestre Pelegrino [mestres de bateria ainda ativos na escola]. Aqui nós mesclamos experiência com jovialidade, ou seja, transferimos conhecimento, também conhecido como cultura”.

Tamanho o engajamento cultural e social proporcionado pelo Carnaval Paulista - apesar da coincidência, já que o samba foi definido ainda em 2016 -, a Acadêmicos do Tucuruvi, escola também muito tradicional e que representa de maneira assertiva a Zona Norte, trará para o desfile na avenida o tema: “Meu Palco é a Rua”, que abordará histórias de artistas urbanos como os grafiteiros, que usam as ruas e as paredes como telas para suas obras de arte. Um desfile que pode servir não apenas como reflexão sobre o trabalho desenvolvido por esses profissionais da arte, como para despertar e instigar o senso crítico dos munícipes da capital paulista, que vive hoje um momento polêmico envolvendo artistas, sociedade civil e a prefeitura da cidade.

Na primeira noite de desfiles, a Tom Maior homenageará uma das maiores cantoras do Brasil, a Elba Ramalho; a Mocidade Alegre levará para avenida os 50 anos da escola que representa a comunidade do bairro Limão; a Unidos de Vila Maria vai cantar em exaltação à Nossa Senhora Aparecida; representando a Zona Leste no sambódromo, a Acadêmicos do Tatuapé fará uma homenagem à Zimbábue, na África; representando a nação corinthiana, a Gaviões da Fiel, do intérprete Ernesto Teixeira, exaltará as pessoas que vieram de outras localidades do Brasil e ajudaram na construção da cidade de São Paulo; e a Águia de Ouro, que representa a comunidade da Pompeia, cantará em homenagem e em defesa dos animais, em especial o melhor amigo do homem: o cachorro.

Já na segunda noite no sambódromo, como representantes da torcida palmeirense e retornando ao Grupo Especial, a Mancha Verde trará um enredo sobre os ‘Zés’ do Brasil, falando de diversas personalidade chamadas “José”; a Unidos do Peruche cantará em alusão à cidade de Salvador, na Bahia; a Império de Casa Verde leva para avenida a paz, num samba que exalta a boa relação humana e o respeito com a natureza; a tricolor Dragões da Real traz para o Carnaval 2017 uma homenagem ao nordeste, exaltando o clássico Asa Branca, de Luiz Gonzaga; a Vai-Vai  levará a cultura afro-brasileira para a avenida, homenageando a mais conhecida mãe de santo do Brasil, Mãe Menininha do Gantois; e a última escola a entrar no sambódromo, a Rosas de Ouro tem um enredo que fala sobre os grandes banquetes da humanidade: “Convivium. Sente-se à mesa e saboreie”.

 


Fotos: Desfile Nêne de Vila Matilde  -  Carnaval 2016


Os ingressos para os desfiles do Carnaval de São Paulo estão à venda pelo site ingressosligasp.com.br e nas bilheterias do sambódromo e variam de R$ 90 a R$ 2.400 (mesa para 4 pessoas). O sambódromo faz parte do Parque do Anhembi, que conta com infraestrutura moderna e é referência como complexo cultural-comercial na cidade de São Paulo.

 

Por Arilton Batista


 

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