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O consumo de álcool por adolescentes

 

O álcool é a droga mais consumida em todo o mundo, além de ser a de maior aceitação social. O alcoolismo é considerado uma doença caracterizada pelo consumo excessivo de álcool. É fator de risco para patologias graves e é considerado um autêntico flagelo para a sociedade, pelas consequências danosas e mortais que tem assolado inúmeros indivíduos e inúmeras famílias. 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a doença um problema de saúde pública e que atinge a população mundial em todas as faixas etárias, uma vez que impõe à sociedade uma carga considerável de agravos indesejáveis e as consequências decorrentes do seu uso  que compreendem complicações físicas, psíquicas e sociais.

A OMS enfatiza, também, que é uma ação impactante à população, devido a alta mortalidade e incapacidade que ocasiona. 

Cabe dizer que a transição do consumo moderado e social para a dependência não é repentina, acontece com o passar dos anos e, em alguns momentos, é imperceptível para o sujeito. Outra informação importante é que o álcool pode ser uma droga de estreia e facilitadora do consumo de outras drogas. Tais informações se agravam quando estudos comprovam que o início do uso acontece, em média, aos 13 anos de idade. 

A adolescência é um período crítico na vida das pessoas, no qual ocorrem novas descobertas significativas que são fundamentais para a construção da personalidade e da individualidade, representando um segmento da população que merece atenção, por estarem numa fase fundamental do desenvolvimento: a transição da infância para a maturidade. 

Nessa fase, o sujeito tem mais liberdade e maior mobilidade social. Nesse período de passagem, o jovem começa a imitar uma série de comportamentos dos adultos e, entre eles, o beber está presente.

Todas as ocasiões constituem uma razão para consumo de bebidas alcoólicas, seja em momentos de alegria, como as várias festas religiosas, festivais de música, por ocasião das cerimónias religiosas como batismo, matrimónio, 1ª comunhão, aniversários, nascimentos ou mesmo a morte. 

Vários subgrupos sociais veem as bebidas alcoólicas como forma de proporcionar alegria. O consumo de qualquer bebida alcoólica representa para as pessoas algo “normal”.

Sobre o fator cultura, a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2004) considera que o uso de álcool é cultural, sendo permitido em quase todas as sociedades do mundo, impondo uma carga global de agravos indesejáveis e extremamente dispendiosos, evidenciando assim de forma concreta, que a questão tem uma enorme gravidade. 

 


Por ser consumida por vários povos e culturas diferentes, a bebida alcoólica adquiriu alguns significados positivos na população mundial, pois, por meio de sensações como as de relaxar e de se divertir, o indivíduo abstrai a ideia de “bom” no consumo do álcool. 

O álcool é bom porque faz a gente viajar. Quando a gente bebe, ficamos mais empolgados, se acha o tal. 

Ficam notórios como os adolescentes vislumbram que o consumo da bebida alcoólica é algo benéfico, visto esta propiciar espontaneidade e descontração para aproveitarmos as festas, ela acaba com a minha inibidez, mas também ela não pode ser bebida em excesso, porque a maioria das pessoas só faz besteira, e no outro dia o mal-estar é muito grande. 

Se gasta, as vezes, muito dinheiro para beber e a pessoa acorda no outro dia liso com dor de cabeça, bafo escroto na boca, não sabe o que fez, se brincou ou arrumou confusão e se  arrepende. 

Uma das características dos adolescentes é a percepção de que nada acontecerá e de que podem controlar todas as situações. Esse aspecto leva-os a ter uma menor percepção do risco, dessa forma, as sensações obtidas durante o efeito do álcool no organismo tornam-se prazerosas, porém a busca de novas e intensas sensações pode tornar o jovem um dependente químico.

Evidencia-se que a imagem da família atual é de grupos humanos lidando com fortes pressões socioeconômicas, com padrões educacionais ríspidos ou de plena liberdade no relacionamento com os filhos, aturdidos com o embate de valores culturais, tendo muitas vezes como única possibilidade de lazer a ingestão de bebidas alcoólicas. Esses fatores, quando aliados aos hábitos de seu uso abusivo, têm sido associados, frequentemente, à violência intrafamiliar.

O fato de o adolescente conviver na família com um ou mais alcoolistas pode influenciar positiva ou negativamente na formação deste indivíduo. Filhos de dependentes químicos do álcool apresentam risco elevado para o consumo de bebidas alcoólicas, quando comparados com filhos de não dependentes, numa proporção de risco aumentado em quatro vezes para o desenvolvimento do alcoolismo.

O alcoolismo, ao ser inserido no cotidiano do adolescente, passa a fazer parte do seu cognitivo e de sua comunicação com o seu grupo que pertença, passando a doença para uma dimensão psicossocial, que será fundamental para adoção de um comportamento diante de uma droga tão presente na sua rotina familiar.

Por tal motivo, compreender a relação entre a história de vida dos jovens ao conviverem com um membro da família que é alcoolista irá propiciar um melhor entendimento de sua representação sobre a doença e, a partir dela, a sua atitude frente às bebidas alcoólicas. 

A relação direta e mais comum entre o álcool é a agressão, que é por meio da intoxicação, que ocorre pela falta de inibição do medo, em função da ação ansiolítica, podendo também aumentar a percepção da dor, que pode ser uma das causas de maior agressão defensiva. No entanto, pode servir como um mecanismo de gatilho para desencadear reações violentas independentemente de motivos. 

Os problemas emocionais enfrentados pelos jovens representam uma das causas do alto consumo de álcool. Um sujeito que esteja passando por momento de tensão, conflitos, problemas nos relacionamentos familiares ou afetivos pode consumir álcool para combater a depressão e os sentimentos indesejados. No entanto, o consumo tem efeito depressivo e só pode agravar os problemas.

O adolescente apresenta humor irritado e perda de energia, apatia e desinteresse, retardo psicomotor, sentimentos de desesperança, culpa, perturbações do sono, alterações de apetite e peso, isolamento e dificuldade de concentração. Pode, também, apresentar prejuízo no desempenho escolar, baixa autoestima, queixas físicas (dor abdominal, fadiga e cefaleia), ideias e tentativas de suicídio e graves problemas de comportamento, especialmente quando há o uso abusivo de álcool e drogas.

A Síndrome de Dependência Alcoólica (SDA) é considerado um transtorno que se constitui ao longo da vida, dependendo da interação de fatores biológicos e culturais, com severas repercussões individuais, sociais e económicas à nível mundial, com grandes dificuldades no tratamento (Gigliotti e Bessa, 2004). 

Essas convicções fazem com que os alcoólicos sejam hostilizados dentro e fora de casa, inclusive dentro do próprio sistema de saúde, tendo de conviver com o preconceito. 

Os vários problemas de saúde associados ao consumo e à dependência do álcool e de outras substâncias lícitas e ilícitas demandam maior atenção por parte dos profissionais de saúde que solicitam respostas e políticas públicas apropriadas, que se proponham a resolver ou ao menos minimizar esses problemas, nas distintas sociedades. 

Daí a importância de se somarem esforços provenientes de representantes de todos os segmentos sociais: políticos, legisladores, pesquisadores, profissionais de saúde e outros grupos da sociedade civil.

Saúde sempre !!!!!

 

Por Cida Lopes • Gestora/Produtora de Eventos/Docente – MBA em Hospitalidade •  cida.aparecida.lopes@gmail.com


 

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