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Trolls também discute a felicidade!

 

Não é só na fase adulta que o assunto FELICIDADE (ou a falta dela) vem à tona. Já lemos, ouvimos e presenciamos tantos casos de jovens e até de crianças que sofrem com depressão nos dias de hoje. Então, nada mais atual e pertinente do que “discutir a felicidade” com nossos pequenos. E é exatamente isso que faz o longa-metragem da Dreamworks, o colorido Trolls. Trata-se de uma produção divertida e, ao mesmo tempo, muito sensível.

As criaturinhas Trolls são alegres, natural e verdadeiramente felizes. E demonstram isso cantando, dançando e se abraçando. E daí, qual é o problema? E daí que a felicidade incomoda aqueles que não conseguem nunquinha desamarrar a carranca! Esse é o caso dos Bergens - monstrinhos feios, caras fechadas, que só encontram a felicidade ao devorarem um Troll. Ou seja, a felicidade vem de fora, é “engolida”. Bela metáfora, não? Para os mal humorados dos Bergens, os Trolls são, nada mais nada menos, o que o dinheiro, a melhor posição no emprego, o peso ideal, o cabelo liso, o carro importado, a viagem que o vizinho fez e o par perfeito são pra gente. Ou o que brinquedo caro, a boneca da coleguinha, o resort mega master demais são para as crianças. Tudo externo. Tudo fora da gente. Tudo pronto para ser devorado (ou consumido?).

 


Sorrir apenas pelo grande motivo de estar vivo? Abraçar pelo simples desejo de agradecer pela vida? Pelo companheirismo? Pelo sol? Pela saúde? Por uma segunda chance? Hoje em dia isso é tão “estranho”, tão raro, que os Trolls parecem de fato serem fantasiosos para nós. E os Bergens? Derrotados, conformistas, sempre esperando pelo pior, privando-se da felicidade simples de uma boa companhia, de um bom aconchego, de um momento, de um curto e eterno momento. Será que eles são mesmo seres tão imaginativos assim? Ou refletem muitos de nós - crianças, adultos e idosos? Quem somos nós: Bergens ou Trolls? Quem são nossas crianças? Quem deveríamos ser?

Uma outra figura muito contemporânea no filme é o curioso Tronco (Branch, na versão em inglês). Originalmente um Troll, esse rapazinho perdeu a cor, perdeu o brilho e ficou, literalmente, “cinza” – baixo astral, pessimista, reclamão, sempre esperando o pior. E por quê? O que tirou a vivacidade desse Troll? Ah, a mesma coisa que deixa a vida de tanta gente nublada: a decepção, a frustração, a desilusão... Tronco sofreu um forte golpe do destino e apagou dentro dele a chama da felicidade. Passou a ser aquele ser que só prevê o mal, que não faz um comentário positivo, que só reclama, que sempre tem uma história pior pra contar. Conhece alguém assim?

E onde está a magia de Troll, então? O que faz desse filme tão especial? O óbvio. Isso mesmo, o óbvio. O final feliz clichê não desaponta: Tronco ainda tem dentro dele uma sementinha de felicidade. A sementinha é germinada pelo amor que descobre sentir pela princesa Pop, uma Troll também. Ele descobre a felicidade que está adormecida dentro de seu ser. Ela, Pop, que também havia ficado meio “cinza” com as desilusões de sua trajetória, volta a ser um verdadeiro arco-íris. E sua alegria contagia, espalha-se e colore definitivamente a escuridão dos Bergens. Happy end!

Que bom para as nossas crianças poder assistir na telona o óbvio vencendo e imperando. Que maravilha verem numa grande produção que a felicidade é simples, óbvia e mora bem dentro da gente e só a gente pode permitir que ela seja liberada e compartilhada. Em Trolls, a simplicidade e, ao mesmo tempo, a intensidade com que se fala sobre “ser feliz”, são altamente recomendáveis não só para as crianças, mas, principalmente, para muito marmanjo por aí. E que deixemos nossos Trolls aflorarem! 

 

Por Cláudia Fernandes • professora, jornalista, tem 35 anos e é mãe do Breno e do Davi.


 

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