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Mateus Solano
o queridinho das artes


Em cartaz com a peça “Selfie” em São Paulo, no ar com o humorístico “Escolinha do Professor Raimundo”, o ator se prepara ainda para lançar filme e novela em 2017

 

Impossível não se emocionar ou cair na gargalhada – na mesma proporção – quando o ator Mateus Solano entra em cena, seja na TV, cinema ou teatro.

Mestre das artes cênicas independente da linguagem, aos 35 anos, o artista conquistou seu espaço no coração do público brasileiro.

Reunindo características pessoais como talento, bom humor e simpatia, fica difícil não se render aos seus encantos 
artísticos. Não por acaso, é disputado pelos autores mais respeitados na hora de representar personagens distintos da dramaturgia.

Foto: Globo / Pedro Curi
Tudo começou nas aulas de teatro da escola “Tablado”, lá teve a chance de desenvolver e aprimorar algumas técnicas do ofício. Mais tarde realizou graduação na UniRio em sua área. Em seguida, participou de diversas montagens teatrais até chegar à Rede Globo de Televisão. Sua estreia na telinha se deu no ano de 2003, fazendo uma participação na série policial “Linha Direta”.

Passou cinco anos integrando o elenco de apoio da emissora. Nesse período fez “Um Só Coração”, “Malhação”, “A Diarista”, “JK”, “Sobe Nova Direção”, entre outros. O primeiro trabalho de destaque ocorreu somente em 2009, na série “Maysa – Quando Fala o Coração”, vivendo o músico Ronaldo Bôscoli. Dali em diante viu sua carreira deslanchar. Quem não se lembra dos gêmeos Miguel e Jorge de “Viver a Vida”? De patinho feio o cientista atrapalhado Ícaro, transformou-se em um charmoso partido em “Morde e Assopra”.



Já em “Amor à Vida” fez o público odiar no início da trama o espevitado Félix, porém, no decorrer da história, caiu nas graças do mesmo expectador com suas tiradas e frases pra lá de divertidas. A cena final do último capítulo foi arrematador entre Solano e seu pai na ficção, Antonio Fagundes.

Mesmo casado e pai de dois filhos, o astro consegue equilibrar os cuidados com a família e seus projetos profissionais. O ritmo anda mais frenético do que nunca. No ar na segunda temporada da “Escolinha do Professor Raimundo”, tem por missão levar todos ao riso com o bom humor de seu Zé Bonitinho. Vem conciliando as gravações do seriado com o espetáculo “Selfie”. Durante a temporada paulistana o espetáculo lotou os 440 lugares do Teatro Renaissance. Êxito total. E foi no camarim do espaço, após mais uma apresentação, que Mateus recebeu nossa reportagem para uma entrevista exclusiva. Confira.  

CityPenha: Conta um pouco do seu personagem no espetáculo “Selfie”.

Mateus Solano: Claudio um dia perde todas as suas informações que continha no celular, descobre que toda a sua vida estava lá, e se pega confuso sem saber o que fazer. Através das figuras de sua vida, começa a procurar a si próprio, já que colocou tudo que é na memória do celular. 

CityPenha: Na peça, você e Miguel Thiré utilizam bastante o imaginário e a expressão corporal. Como foi incorporar essas técnicas no espetáculo?

Mateus Solano: Eu sou um ator que será eternamente um estudante. Digamos que não recuperei essas técnicas, mas estou sempre as exercitando. Eu e Miguel já temos uma parceria nesse sentido, em outras três peças só usávamos o corpo para avisar onde estávamos, quem éramos e qual era nosso objetivo em cena. 

CityPenha: Então cada pessoa da platéia interpreta da sua forma os objetos imaginários das cenas?

Mateus Solano: Exatamente. E o Miguel tem um papel importante na peça porque falamos de tecnologia sem competir com ela. Ao contrário. Fazemos de uma maneira que só a simplicidade do teatro é capaz de trazer. Utilizamos a imaginação do tema para contar as histórias. Cada pessoa enxerga um espetáculo de uma forma diferente; seja uma cadeira, mesa ou vestimenta para os inúmeros personagens que o Miguel interpreta. Falamos do mundo virtual usando a imaginação do público. 



Foto: Vitor Zorzal


CityPenha: Existe alguma personalidade que você tem vontade de tirar uma selfie?

Mateus Solano: Eu tinha vontade de tirar com o Michael Jackson. 

CityPenha: O que você pensa sobre o uso excessivo da tecnologia, da internet utilizada em demasia no mundo atual, situações abordadas na peça em alguns momentos de forma extremista e caricata? 

Mateus Solano: A peça critica ao mesmo tempo em que nos faz refletir, mostra os pros e os contras, essa é um pouco a nossa função ali. Eu concordo com o Miguel, quando ele diz que ainda estamos nos lambuzando muito dessa novidade que é o celular, nossa relação com o mundo virtual. É um espetáculo que fazemos há mais de dois anos e ela não envelheceu. 

CityPenha: Em um pequeno espaço de tempo, você consegue construir e desconstruir perfis complemente distintos na sua carreira. Os personagens vão desde um criminoso, vilão, homossexual a uma comédia. É uma facilidade ou algo difícil realizar esse processo em curto período?

Mateus Solano: É possível sim. Basta olhar o exemplo do Miguel na peça, ele faz 10 personagens em 50 minutos. Isso é tão bacana é a minha alegria fazer personagens tão diferentes, me encanta. 

CityPenha: Logo que terminaram as gravações de “Liberdade, Liberdade”, onde você fazia o maquiavélico Rubião, logo emendou com a “Escolinha do Professor Raimundo”. Como se sente realizando um trabalho tão leve e divertido vivendo o Zé Bonitinho?

Mateus Solano: A gente se diverte muito. Só recebemos o nosso texto, dá para rir com os nossos colegas. As pessoas sempre me perguntam se o Rubião me trazia um peso, uma carga negativa e tal. Pelo contrário. Eu jogo esse peso ali na cena, saio leve (risos). 

CityPenha: Planos na carreira para 2017?

Mateus Solano: Vou fazer a novela “Pega Ladrão”, no horário das sete, mas não comecei a ler nada ainda. E devo lançar o filme “Talvez uma História de Amor”.

 

Por Michele Marreira


 

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