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O Despertar de um Vôo: Jogadores Sobreviventes

 

Mas quem poderia imaginar que todo um grupo com o mesmo objetivo poderia ser desfeito de maneira tão inesperada e funesta. No que se refere ao objetivo do grupo, todos estavam a caminho de mais um teste de desempenho, aquilo que qualificamos como jogo de futebol, e neste caso, não somente mais um jogo e sim um fato histórico para este clube, diga se de passagem, fundado em 1973, e este jovem grupo de jogadores, junto da comissão técnica, que estavam a caminho desta disputa emérita.


 O futebol, esporte este que desperta o interesse de milhões de aficionados em todo o mundo e que, independentemente de qualquer origem, idioma, gênero ou raça, fala uma mesma língua ligada ao fenômeno sócio cultural que é, e requer uma logística desmedida, que ultrapassa as linhas do grande retângulo, ou seja, vai além dos noventa minutos que estamos acostumados a assistir em nossas telas.
 


 Este esporte demanda uma energia de muitos profissionais, estes alguns, que também estavam presentes no mesmo vôo, mas que tratavam de jornalismo, de imprensa, de organização, e de outros valores geradores do resultado final, o grande espetáculo televisionado para milhares de amantes do futebol. Mas e os sobreviventes? Os que literalmente renasceram...

 Como tratar o psicológico destes atletas? Tarefa árdua esta que vai demandar tempo para colocar o trem nos trilhos, pois muitas perguntas advindas de um evento traumático como este podem surgir. A insegurança de poder estar vivo e de não poder mais compor este grupo campeão. A dúvida que paira sobre os que ficaram que se auto perguntam: “por que eles e não eu? ” 

 Neste caso, a frustração não é oriunda de um fracasso durante o jogo por perder uma jogada, ou um pênalti, mas sim de perder o conjunto que forma o todo, que independente, de qualquer que seja o resultado de um jogo, por mais importante que este seja, a perda neste caso é irreparável. Por este motivo, a reconstrução emocional dos que ficaram deverá ser colocada em pauta pensando em um processo de reconhecimento de suas capacidades físicas e motoras e elevação de seu potencial emocional enquanto ser humano, posteriormente de seu potencial atlético, enquanto jogador, buscando o auto dialogo e o auto reforço, e confiar que voltar a jogar futebol é algo possível.

 Portanto, hoje, nós, amantes do futebol, vestimos a camisa da solidariedade para com os esportistas e todos os envolvidos neste desastre aéreo, sabendo que a vida transcende qualquer time ou camisa de nossos amados clubes.

 

 

Por Vinicius Hirota • Docente da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Professor da disciplina de futebol e pesquisador de aspectos emocionais no esporte


 

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