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Criança na cozinha

 

No mundo contemporâneo, alimentar-se de forma a suprir as necessidades fisiológicas e, ao mesmo tempo, manter-se conectado à comida enquanto valor nutricional, cultural e simbólico representa um desafio.

Neste contexto, é necessário escolher o que comer usando o bom senso, propondo uma reflexão entre o “comer” e a “comida”, no intuito de contribuir para a ampliação dos cuidados necessários sobre o que comemos.

Atualmente, com o aumento da obesidade infantil e doenças vistas apenas na terceira idade, a formação e a adoção dos hábitos saudáveis devem ser estimuladas em crianças, pois é durante os primeiros anos de vida que ela estará formando seus hábitos, assumindo assim um papel de educação para a saúde. 

Além da importância do bem alimentar, cozinhar virou febre nos nossos tempos e todo mundo criou interesse por panelas e utensílios. Nem as crianças ficaram de fora, como se pode atestar pelos reality, shows gastronômicos, aulas em Shopping estrelados por elas.

E quem disse que a diversão não pode ser na cozinha? Esse espaço da casa pode ser o lugar onde a criança coloca a mão na massa enquanto se diverte e aprende uma porção de coisas diferentes. 

A presença deles neste ambiente é fundamental para uma boa relação com os alimentos desde pequenos e como é importante para entender melhor como que as refeições são produzidas antes de chegarem à mesa.

Quando colocamos a criança em uma cozinha para participar, contando a história dos alimentos, criamos um habito e incentivamos uma relação diferente com o alimento e aumentamos a vontade de experimentar, muitas vezes aquele alimentos que antes eram rejeitados, uma vez que foi ela mesma que os preparou e viu sua transformação. 

Como estimular as crianças a participarem na cozinha:

O primeiro passo é mostrar que o saudável também é gostoso. Buscando montar um prato sempre colorido e com opções saudáveis, opte pelo caminho da orientação, e não proibi-las de comer doces ou alimentos gordurosos, mas sim fazer com que entenda a importância de cada elemento do cardápio para seu corpo.

Caso haja muita resistência, a princípio escolha versões de receitas que a criança gosta muito (biscoitos, bolos, massas), e aos poucos vá progredindo e optando por outras mais diferentes.

Mostre todas as transformações do preparo: crianças mais novas adoram observar essas transformações. Ver uma massa semilíquida virar um bolo é extremamente interessante para elas;

 


Escolha uma receita com um alimento que seu filho não aceita e perceba como o envolvimento vai mudar a relação e aceitação deste alimento por ele;

Cada faixa etária trabalha com sistemas diferentes de sentidos e, consequentemente, diferentes desafios. 

De 1 a 2 anos: Trabalham, basicamente, usando os cincos sentidos básicos do ser humano (tato, olfato, paladar, visão e audição) que, nessa fase, ainda não estão completamente desenvolvidos. Nessa fase, eles gostam de usar as mãos para conhecer novas texturas e objetos. 

De 3 a 4 anos: Começam a criar a prática da leitura e fazem exercícios para exercitar a memória, tentando reconhecer os objetos utilizados na cozinha e testam misturas. 

De 5 a 6 anos: Com livros de receitas, desenvolvem receitas de culinária regional e estudam outras épocas e o que se comia nelas; podendo participar de processos que envolvam medidas. “Quantas xícaras de açúcar vão nessa receita ou quantos ml de leite precisamos dessa vez?”. Deixe-os contarem.

Até 12 anos: Não é bom permitir a participação deles em tarefas que envolvam o forno ou fogão ligados. 

Além disso, independente da idade, deixe bem claro a importância de hábitos de higiene obrigatórios na cozinha e cuidado com os alimentos. 

Segundo psicólogos infantis, o ato de criar cozinhando, trabalha a concentração, a organização, a autonomia, a voracidade, a capacidade de esperar, o desenvolvimento do paladar e, principalmente, da autoestima. O manuseio do alimento ajuda a reduzir a timidez dos pequenos mais introvertidos e a desenvolver a capacidade de ordenação, pois é preciso se organizar para colocar uma receita em andamento.

Cozinhar tem sua ciência, seus segredos e mistérios. Enquanto a criança está seguindo a receita, sem perceber, ela trabalha diversas áreas do conhecimento através de uma atividade bastante lúdica:

Português: Por meio das receitas e dos rótulos das embalagens, as crianças melhoram a leitura, a capacidade de interpretação e aprimoram o vocabulário.

Matemática: Ajuda com conceitos de soma, subtração, divisão e multiplicação e jogos de estimativa e trabalha unidades de medidas (quantidade, tempo, temperatura, massa, entre outros). 

Ciências: A utilização dos mais variados ingredientes ajuda a conhecer sua origem, os estados físicos de cada um deles e a diferença entre material orgânico e não orgânico. 

Geografia: Ainda em relação aos alimentos, pode-se estudar a região de onde vêm os alimentos - como o tipo de solo, clima e hidrografia.

História: Estuda-se a cultura das regiões por meio de seus hábitos alimentares. 

Arte: Ao modelar e imaginar novas formas de preparar os alimentos, completa e integra o trabalho. 

Temos que ter em mente sempre: NUNCA DEIXAR A CRIANÇA SOZINHA NA COZINHA, eles precisam de supervisão o tempo inteiro. 

Comprar os acessórios como avental e toquinhas, evita de manchar suas roupas e também ajuda a empolgá-los em participar das tarefas na cozinha, fazendo com que se sintam próprios chefs. 

Seja paciente. Os pequenos farão menos erros se estiverem se divertindo no processo, e não preocupados se vão levar uma bronca.

Coloque roupas mais justas e sem mangas. Não fica sujando, e evita qualquer chance de pegar fogo.

Para os que têm cabelos longos, é bom prendê-los (ninguém fica muito feliz quando encontra um fio de cabelo na comida);

Vire os cabos de panela para a parte de dentro do fogão: Nunca em cima de outra boca, ou para fora, onde eles possam esbarrar.

Banquinhos são ótimos para que eles alcancem o balcão, mas precisam ser estáveis. Nada de banquinhos ou cadeiras leves.

Dê atividades com o mínimo risco possível para eles: lavar frutas e vegetais, despejar ingredientes no pote, mexer a massa do bolo. Começando como assistente é um ótimo jeito de deixá-los empolgados.

Deixe as partes mais perigosas com você: Qualquer coisa que envolva o forno ou o fogão, muita força. E os mantenha longe dos objetos cortantes e pontiagudos, principalmente se forem chefs de primeira receita.

Vale ressaltar novamente que o uso de facas e o contato com o fogo só é recomendado quando a criança atingir 12 anos. E a cozinha deve ser sempre visitada ao lado de um adulto.

Uma pitada de companheirismo, duas xícaras de gargalhadas e três colheres de sopa de lições matemáticas podem ser a receita para levar os pequenos para frente do fogão.

Depois de tudo isso, faça um jantar ou almoço especial com toda a família à mesa para prestigiar os pratos da criançada! Gostou da ideia? Então não se esqueça de contar e elogiar como foi esse banquete preparado pelos pequenos!

 

 

Por Cida Lopes • Gestora/Produtora de Eventos/Docente – MBA em Hospitalidade •  cida.aparecida.lopes@gmail.com


 

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