FOTOS

Presença do padrasto não deve tirar a autoridade do pai na educação dos filhos

Diálogo e respeito regem o convívio entre padrasto, mãe, pai e a criança, que é a maior beneficiada quando há o bom senso na relação

 

A separação de casais quase sempre vem acompanhada da real necessidade de adaptação, principalmente quando envolve os filhos menores e, mais ainda, quando surge, posteriormente, a figura de um padrasto – ou, para a criança, o novo marido da mãe. Sentimentos de ciúmes por parte dos pequenos e de disputa pelos adultos são comuns nesse tipo de situação. Ponto importante para a educação e desenvolvimento dos filhos, a questão da autoridade entra em jogo e a relação, sobretudo, passa a exigir ainda mais maturidade e bastante diálogo. Especialistas, porém, dizem que há espaço para pai e padrasto na relação com criança, e que cada um pode exercer seu papel de maneira assertiva.

Algumas atitudes por parte do padrasto podem contribuir para um bom relacionamento com o filho da companheira, ou o enteado. Entre elas – e talvez a principal –, o cuidado para que a criança saiba bem que a figura paterna deve ser sempre o pai, além de respeitar as normas da casa e de convívio estabelecidas pela mãe, mesmo que não esteja de acordo. Outro ponto importante apontado por sites especializados é respeitar o tempo de adaptação dos pequenos, já que o fato de ter um outro homem dentro de casa, inserido à família, pode parecer, muitas vezes, ameaçador. A paciência pode ser a chave nestes casos.

Psicóloga clínica, fundadora do Instituto de Psicologia IPSI-Brasil e professora convidada da Universidade de São Paulo – USP, Tina de Souza diz que a mãe também tem papel fundamental nesse processo de adaptação e que é dela o dever de pontuar e apresentar aos filhos menores quem é seu novo marido. “Muitas vezes o padrasto é confundido com alguém que vai tomar o lugar do pai. Mesmo em casos de falecimento, o padrasto jamais o substituirá. É muito importante a mãe deixar bem claro para os filhos que o novo companheiro não ocupará o lugar do pai biológico”, diz.

 


Pensando em melhorar o relacionamento e dar mais confiança, o padrasto também pode criar o hábito de participar das atividades cotidianas do enteado, como, por exemplo, ajudar com as tarefas escolares, acompanhá-lo nas práticas esportivas ou com algum jogo de vídeo game, entre outros. “Dar apoio sempre que estiver com as crianças ajuda a estreitar o vínculo e para elas será apaziguador saberem que podem contar com o padrasto além do pai. Acompanhar nos diversos fatores que ajudam no desenvolvimento pessoal faz com que o respeito mútuo se instale naturalmente”, orienta a psicóloga Tina de Souza.

Outra preocupação comum nos casos de separação e da inserção do padrasto no ambiente familiar é com relação a educação da criança, que estava acostumada com os orientações passadas eminentemente pelos pais. Para Tina de Souza cabe ao padrasto ter o feeling para dar continuidade aos ensinamentos que o enteado já vinha recebendo do pai e da mãe. “Não haverá interferência na educação e na criação do filho se o padrasto perceber e respeitar a linha de conduta que já existe. Basta seguir, apoiar e, se for o caso, ampliar o que já está sendo desenvolvido”, ressalta a psicóloga.

Nos casos em que o casal original, pai e mãe, não tem um bom relacionamento é preciso uma atenção a mais, pois a criança não pode servir como instrumento de ataque ou ofensas ao parceiro, segundo Monize Minatti, psicopedagoga, terapeuta comportamental infantil e gerente do Espaço M&E, localizado na Zona Norte. “O que não pode acontecer é a mãe, por estar mais tempo com os filhos, falar coisas para prejudicar o ex-marido, como ‘seu pai não manda em nada, quem cuida de você sou eu’, ‘quem está com você todo dia é fulano [padrasto], não seu pai’. Isso faz com que a criança questione a autoridade ou a importância do pai em sua criação. A autoridade do padrasto deve ser explicada para criança e não imposta”, comenta a profissional.

Em famílias reconstruídas após a separação do casal, o padrasto – assim como a madrasta, se for o caso – não deve ser visto como um sub-membro, mas, sim, como um novo integrante que tem, assim como a esposa, o controle da casa – o que deve ser explicado às crianças. Mas quem tem o poder de dar as ordens aos pequenos são os pais, tendo o novo marido da mãe o papel de aconselhar e orientar. Mas nunca exigir algo das crianças. Quando essas e outras questões envolvendo a relação pai x mãe x padrasto x enteado não são claramente resolvidas é orientado que se procure ajuda de um psicólogo para que a situação possa ser cadenciada da forma mais branda e saudável possível. “Às vezes a causa [do desentendimento] está ligada com a separação dos pais e não com a presença do padrasto”, finaliza a psicóloga Tina de Souza.

 

Por Arilton Batista


 

Voltar