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Lázaro Ramos

É o Mister Pai

 

Apaixonado por seu ofício na sétima arte, Lázaro Ramos é um dos nomes mais respeitados no segmento, desde sua estréia, há 20 anos, no filme “Jenipapo”. Ao todo já são 30 filmes incluindo o mais recente, “Mundo Cão”, com direção de Marcos Jorge. Na história ele é Nenê, um cara impulsivo que após uma briga pela morte de seu cachorro, promete vingança contra o funcionário da Zoonoses/SP, interpretado por Babu Santana. O público teve a oportunidade inédita de ver nas telonas uma faceta desconhecida no trabalho de Lázaro: foi a primeira vez que se aproximou da figura de “vilão” em sua carreira. No ar semanalmente em “Mister Brau”, a série está em sua segunda temporada e conta com participações especiais a cada episódio. Em setembro do ano passado estreou a peça “O Topo da Montanha” em São Paulo ao lado da esposa Taís Araújo. Ambos excursionaram pelas cidades do interior paulista contando a história do ativista social, Martin Luther King e, no mês passado, retornaram com o espetáculo ao palco do Teatro Faap.

Sim, ele é a personalidade em total evidência nas linguagens mais distintas da dramaturgia. “Realmente me sinto um privilegiado. Não esperava nada disso no começo, minha pretensão era continuar fazendo teatro meu grande sonho de artista”, enfatiza o artista que é dono de um dos sorrisos mais cativantes. Aos 37 anos, celebra o êxito profissional priorizando a educação e valores preciosos passados aos dois filhos, João Vicente (4) e Maria Antônia (1). Agosto é o mês dedicado a todos os pais, por isso, não poderíamos escolher melhor representante nesta data tão especial. Acompanhe os principais trechos desse bate-papo. 

CityPenha: Você vive Nenê, bandido que arma uma vingança no decorrer da história do filme “Mundo Cão”. A nuance de vilania te atraiu nesse trabalho?

Lázaro Ramos: É a primeira vez que faço um personagem que se aproxima da vilania. Sempre fugi desse tipo de perfil. Em “Mundo Cão” me senti preparado, foi o momento certo para fazer. Nenê é bem diferente de mim. Ele é muito impulsivo, mais apaixonado por futebol e cachorros do que por seres humanos. Entender como o ser humano consegue chegar ao limite por esses dois motivos foi um processo interessante de trabalho. 

CityPenha: Conta um pouco da experiência em trabalhar com Babu Santana, Adriana Esteves e os demais atores do filme.  

Lázaro: Fiz o filme “O Homem do Ano” e quase não contracenava com Babu, ele tem qualidades que aprecio, é um ator que admiro profundamente. Essa trupe montada me interessou muito. Desde que vi o longa “Estomago” dirigido pelo Marcos Jorge, achei interessante o roteiro, a forma como contava a história e fiquei com vontade de trabalhar com ele. A Adriana Esteves é minha amiga-irmã, não contracenamos, mas sempre nos encontrávamos no hotel e falávamos sobre o filme. Conhecer Tainá e Vinicius foi incrível, estrearam bem no cinema. 

 


Pré-estreia filme Mundo Cão em São Paulo.  Foto Aline Arruda


CityPenha: O que sentiu ao saber que a série Mister Brau teria uma segunda temporada na TV?

Lázaro: Fiquei animadíssimo, pois ganhamos mais episódios, ano passado foram 13 e nessa fase, 18. Começamos a gravar músicas novas que é sempre desafiador. 

CityPenha: Pode citar o que te encanta nesse personagem e sua história?

Lázaro: É um humor que fala de auto-estima com afeto aos seus personagens. Jorge Furtado vem com um roteiro afinado, ele é um dos melhores do país. Brau é impulsivo, normalmente sou uma pessoa racional, ele não pensa em nada do que vai fazer, daí surge sua criatividade. É um cara que gosta de suas origens. Ficou milionário, mas o que curte é celebrar a vida com os valores que adquiriu do lugar que veio. 

CityPenha: Lázaro, você se considera uma pessoa consumista ou lida bem com dinheiro?

Lázaro: Desde cedo meu pai me ensinou a ser responsável com dinheiro. Quando fui morar no Rio de Janeiro eu era mão segura mesmo (risos), não queria passar fome na terra dos outros. Eu gasto meu dinheiro com algo que me dá prazer, um livro, cd ou uma camisa, nada de ostentação. Eu tenho uma produtora, então, a questão financeira para mim sempre foi organizado. Sei o que é chegar ao final do mês e ter que pagar os funcionários. 

CityPenha: A peça “O Topo da Montanha” retornou à capital paulista e fica em cartaz até setembro. Dá para descrever o sentimento em contar a história de Martin Luther King, um dos maiores líderes do movimento dos direitos civis dos negros, nos Estados Unidos?

Lázaro: O sentimento é de responsabilidade. São idéias que até hoje continuam atuais e que poderiam ter sido escritas agora. Mas junto da responsabilidade, vem um conceito, mostrá-lo homem, com suas fraquezas e humanidade no tipo de humor. O texto o tira do pedestal, o coloca como um de nós. Faz pensar que todos podem contribuir para um mundo melhor sem precisarmos ser um grande herói como ele. É um prazer enorme falar de um ícone com proximidade, como propõe Katori Hall.

CityPenha: No atual momento político que vive nosso país, o que considera o maior problema do Brasil: corrupção ou a burocracia?

Lázaro: Não dá para medir essas coisas, há várias questões que precisam ser trabalhadas. O desafio é saber como iremos conseguir voltar a ter diálogo real no Brasil, vivemos em uma época que muito se fala e pouco se escuta. Não conseguimos encontrar um consenso do bem comum de toda comunidade. Ao invés de eleger o maior problema, prefiro eleger o maior desafio 

CityPenha: Poucos artistas têm a chance de transitar tão bem e simultaneamente em linguagens distintas como você, que no momento está com uma série na TV, uma peça de teatro em SP, e, recentemene, lançou um filme. Qual balanço faz de tudo isso?

Lázaro: Realmente me sinto um privilegiado. Não esperava nada disso no começo, minha pretensão era continuar fazendo teatro meu grande sonho de artista. Mesmo se para alimentar esse sonho precisasse exercer outra função. Sou extremamente grato às pessoas que acreditaram em mim. Trabalho muito. Carreira de ator é incerta, hoje pode estar legal e amanhã não. 

CityPenha: Taís e você formam um dos casais mais discretos e carismáticos do meio artístico. Ambos estão convivendo bastante em dois trabalhos, TV e teatro. Como faz para relação não se desgastar passando praticamente 24 horas juntos?

Lázaro: O que guia nossa relação é a qualidade dos personagens e da história. Antes de nos casarmos já era um admirador de seu trabalho, ela é uma atriz que sempre pensei em trabalhar. É algo prazeroso e não uma área de conflito. 

 


Lázaro Ramos e Táis Araújo.  Foto Globo/Sergio Zalis


CityPenha: Estamos em agosto mês dedicado aos pais. O que tem a dizer de sua relação com o seu?

Lázaro: Meu pai é um cara admirável que começou a trabalhar aos 16 anos de idade. Mesmo vindo de uma família humilde, ele sempre se preocupou em investir na minha educação. Não tem curso superior, mas é uma pessoa super disciplinada e correto com o trabalho. O lema dele era estudar, estudar e estudar. Quando se tem uma inspiração dessas dentro de casa isso influencia todo resto. 

CityPenha: O interesse exacerbado da imprensa e público na vida pessoal do artista é algo que te incomoda? Como você lida com a questão dos paparazzi quando se trata de seus filhos?

Lázaro: Dentro da cultura em que vivemos quando optamos em sermos figura pública, já sabemos que termos de lidar com isso. Porém, alguns limites precisam ser estabelecidos. Criança não pode ser fotografada, pois elas têm seus diretos defendidos. E em relação a mim já sei que minha rotina é essa. 

CityPenha: Seu engajamento em causas sociais sendo um dos mobilizadores do “Criança Esperança”, por exemplo,  é algo que pretende passar à sua prole?

Lázaro: Quando penso no melhor para as crianças que trabalhamos, ao mesmo tempo é o melhor para os meus filhos também. Precisamos nos doar e nos transformar todos os dias. 

CityPenha: Como define a experiência de participar do reality social “Click Esperança” recentemente no Fantástico?

Lázaro: As questões sociais são dinâmicas. Foi maravilhoso. Os 12 jovens participantes já eram atuantes, foi importante dar visibilidade a eles. Aprendi coisas novas sobre várias questões, era essencial escutá-los. Precisamos ficar atentos a esses jovens. Fizemos também um debate que passou na GloboNews, discutimos temas importantes como educação, preconceito e gêneros. Me senti honrado em participar. 

CityPenha: Através de sua imagem e visibilidade, você consegue influenciar outras pessoas ao engajamento social. Falta essa iniciativa em muitos colegas do meio artístico também? Muitos poderiam levantar bandeiras nesse sentido?

Lázaro: Ninguém é obrigado a nada, gente! As pessoas precisam fazer aquilo que faz sentido às suas vidas. A primeira função de um artista é produzir sua obra. Claro que temos de ter a consciência da importância que é segurar um microfone para potencializar outros assuntos, faz diferença. Porém é uma escolha individual. 

 


 

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