FOTOS

Desconfiança ainda permeia a amizade entre homem e mulher

 

Amizade entre homem e mulher ainda é um tema bastante discutido e posto em pauta por grande parte das pessoas. Há quem acredite ser algo impossível e há muitos que acham pouco provável esse tipo de relação ser mantida sem que haja segundas intenções. Casais de namorados, por exemplo, em sua maioria, já passaram por alguma situação de ciúmes envolvendo alguma forte amizade do sexo oposto. E lidar com esse cenário, equilibrar os lados e fazer desse vínculo algo saudável para todos os envolvidos requer, sobretudo, bastante jogo de cintura, bom senso, maturidade e confiança.

A assistente comercial Alessandra Anuncciato, 23, que namora há três anos e meio (quatro meses morando junto), se viu numa situação delicada quando o namorado passou a se incomodar com um amigo que ela mantinha na faculdade. O que mais o incomodava era a presença constante do amigo entre os grupos de estudo e, segundo Alessandra, o que mais causava ciúmes era o fato de eles já terem ficado no primeiro semestre do curso. “Da minha parte não tinha nada a ver, nada demais. O cara era meu amigo mesmo, de verdade, nada além disso”, garante Alessandra, que se distanciou do amigo para não prejudicar o namoro.

Para minimizar uma possível crise com o namorado e melhorar a qualidade do relacionamento, Alessandra decidiu por conversar com seu amigo e expor a situação. “Eu disse que era melhor nos distanciarmos, mas que não era necessário não nos falarmos nunca mais. De certo modo eu entendia o lado do meu namorado e fiz o que deveria ter feito para não correr o risco de perdê-lo”, comenta. O amigo estranhou à princípio e se sentiu incomodado em ter que mudar a forma como se relacionavam, mas aos poucos também foi compreendendo e aceitou. Hoje eles se falam esporadicamente pela internet. “A gente seguiu caminhos bem diferentes e não nos vemos há anos, mas mesmo assim meu ‘namorido’ ainda sente ciúmes”, conta, com bom humor.

 


A psicóloga Dra. Letícia Paula Seivane Rocha, 39, explica que é possível, sim, existir amizade verdadeira, sem interesse, entre homens e mulheres, principalmente em ambientes onde se passam muito tempo juntos, como no trabalho e na faculdade, por exemplo. Para ela, um dos motivos do impedimento da amizade entre pessoas do sexo oposto é se na relação não houver limite e/ou respeito de ambos. Ela ressalta que o papel de quem namora e mantém amizade com pessoas do sexo oposto é muito importante para derrubar o fantasma da insegurança no(a) parceiro(a). “O ciúme pode existir, porém, se a pessoa passar segurança a outra isso pode ser controlado. Creio que o desconhecido assusta, então, se essa amizade for apresentada ao companheiro ou companheira diminuem-se as fantasias em torno da amizade”, pontua.

O designer gráfico Brunno Ajudarte Davi, 26, teve uma breve, porém intensa amizade rompida de forma repentina devido aos ciúmes do parceiro da garota. Por seis meses Brunno e a amiga, que se conheceram por decorrência do trabalho – ela cliente dele –, saíram e partilharam histórias de seus relacionamentos amorosos. “Eu acabei ajudando ela no casamento, que estava por um fio, mas nada além disso. Eu já namorava há bastante tempo e sempre respeitei minha namorada. Nunca houve intimidade nenhuma, somente amizade mesmo e troca de experiências e problemas”, conta. Quando o casamento da amiga foi restabelecido ela foi conversar com o amigo Brunno e explicar que o marido estava incomodado com a amizade deles, que durou apenas mais algum tempo mantida pelas redes sociais e aplicativos de celular. Depois disso ela excluiu o perfil na internet, trocou de número de telefone e saiu do antigo emprego, pivô da amizade.

A psicóloga Dra. Letícia Seivane acredita ser cabível a diminuição da frequência com a amizade a pedido do(a) parceiro(a). “Infelizmente existem amigos(as) que competem com o namorado(a), por carência, por inveja ou até egoísmo. Nossas vidas são feitas de escolhas. E escolhas geram perdas. Precisamos saber qual a importância e a prioridade das pessoas em nossas vidas, seja ela amigo ou namorado”, diz a profissional, que ainda destaca algumas atitudes que podem evitar estresse no relacionamento por conta de alguma amizade do sexo oposto. Entres elas, saber dosar o tempo de dedicação à amizade, cumprir com os compromissos - dias e horários - do namoro, dar sempre segurança ao companheiro(a) em relação aos sentimentos, além de ser muito importante evitar comparações. “Independentemente de ser com amigos do mesmo sexo ou do sexo oposto, devemos equilibrar as relações sociais com a vida conjugal. Esse equilíbrio é possível, sim, sem agredir ou constranger nossos companheiros”, encerra a Dra. Letícia.

 

 

Por por Arilton Batista


 

Voltar