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Caridade: É amor, dó ou pena?

 

Vivemos numa mudança muito significativa e intensa de época, conceitos e referências. As pessoas estão em constante busca do sentido da vida e da vivência dos valores que permanecem, capacitando sempre melhor as relações intersubjetivas em vista de uma sociedade mais humana. 

Os grandes avanços da tecnologia e a velocidade sempre maior da comunicação, não podem ocultar os sentimentos, a capacidade reflexiva, a fé, a esperança e a caridade dos seres humanos, para que a fome, a corrupção, as guerras, as injustiças sociais, o individualismo não se tornem paisagem cotidiana.

No Brasil comemora-se no dia 19 de julho de todos os anos o Dia da Caridade. Apesar de pouco conhecida, essa data foi estabelecida pela lei federal nº 5.063, de 4 de Julho de 1966, em plena ditadura militar, pelo então presidente Humberto Castelo Branco, e propõe que:

Art. 2º A organização do plano para as comemorações ficará a cargo dos Ministérios da Saúde e Educação e Cultura, constando obrigatoriamente, sem prejuízo de outras iniciativas, de visitas a hospitais, casas de misericórdias, asilos, orfanatos, creches e presídios, e a todos os demais lugares onde a pobreza e a dor mais se façam sentir.

Um dia especial, que muitos desconhecem, para a Caridade possibilita a todos (as) refletir e resignificar o sentido e valor da caridade nos dias atuais, bem como sensibilizar a sociedade para a sua importância.


Se buscarmos no dicionário o significado da palavra Caridade, encontraremos:

A palavra “Caridade” tem sua origem no Latim, de um termo que significava “afeto ou estima”; Caritas. Este termo latino, por sua vez, é derivado de outro Carus, que significava “agradável, querido”. 

Na história da humanidade, a caridade sempre se fez presente sendo evidenciada não apenas pelas igrejas, mas por diferentes grupos, famílias, pessoas que, de inúmeras formas, se sintam chamadas à prática do bem. 

Segundo o Catolicismo

A doutrina católica classifica a caridade como uma das virtudes teologais e uma das sete virtudes. O Cristianismo afirma que a caridade é o “Amar ao próximo como a si mesmo”.

A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos como os nossos semelhantes, sejam eles: nossos inferiores, nossos iguais ou nossos superiores.

Segundo o Protestantismo

No original grego, assume um significado especifico, que tem mais sentido como um comportamento, uma escolha do que propriamente com sentimentos, tendo como possíveis significados: afeição ou benevolência, amor caridoso e querido. Aparece em inúmeros textos bíblicos 

• O amor de Deus ou de Cristo como em RM 5:5; EF 2:4;

• Amor fraterno como em 1CO 4:21;

Segundo o Espiritismo

A Doutrina Espírita entende a caridade como um dever moral de todo homem e que não se resume apenas ao auxílio material. No Livro dos Espíritos, item 886 de Allan Kardec.

Segundo o espirito EMMANUEL, psicografado por Francisco Cândido Xavier, define que o verdadeiro sentido da palavra caridade:

• Benevolência para com todos,

• Indulgência para as imperfeições dos outros,

• Perdão das ofensas.

O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejaríamos nos fosse feito.

Segundo o Budismo

A caridade não é um conceito chave no Budismo. Um conceito importante e próximo é o da Generosidade. A generosidade é o primeiro e mais básico paramita, ou seja, uma das maneiras de atravessar de samsara para a iluminação. 

Há três tipos de generosidade: material, de conhecimento e a de tirar os seres de um estado de medo. Sendo o amor, que é a motivação de querer que os outros seres sejam felizes e a compaixão, que é a motivação de querer que os outros seres não sofram.

Segundo o Judaísmo

O conceito de caridade é praticamente inexistente na tradição judaica. “Os judeus não fazem caridade: em vez da caridade, o judeu faz Tsedacá, Justiça. Quando um judeu faz uma contribuição em dinheiro, tempo ou recursos aos necessitados, ”não está sendo benevolente, generoso ou caridoso, está fazendo aquilo que é certo e justo”. (Baseado nos ensinamentos de Lubavitcher Rebe).

Assim, na maioria das religiões o Amor é a força que rege o Universo e a caridade é o ato pelo qual deixamos fluir o amor que abrange todas as relações com os nossos semelhantes.

Didaticamente se considera a existência de dois tipos de caridade: material: quando damos o que temos e a moral: quando damos o que somos. 

A material supre as necessidades do corpo físico, mata a fome, aquece o corpo do frio e de outras tantas carências. A caridade moral é mais difícil, mais elaborada e complexa, pois exigem de nós sentimentos como a humildade e a paciência, buscando ajudar a quem precisa sem absolutamente nada de volta.

É muito importante a existência de um dia específico para a caridade, mas independente da data, a caridade deve estar presente em todos os dias de nossas vidas. Muitos são os exemplos de pessoas especiais que vivem pra fazer o bem: Jesus Cristo, Francisco Cândido Xavier, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Buda, Papa João Paulo II e tantos e tantos outros, inclusive muitos anônimos que dedicam a vida ao próximo.

Podemos exercitar a caridade no dia a dia. Confira:

Seja gentil com as pessoas: Um sorriso, um abraço, ceder lugar a um idoso ou a uma gestante no transporte público mesmo não estando em lugar reservado e uma palavra de carinho são ações que podem mudar o dia de outra pessoa.

Seja gentil no trânsito: A violência no trânsito ainda é uma triste realidade. Seja paciente, dirija com cuidado e atenção, respeite os pedestres e veículos de menor porte e se beber, não dirija.

Cuide do planeta: Economize água, reduza, recicle e reutilize, cuide dos animais e evite o desperdício.

Contribua com uma instituição de ajuda humanitária: A ajuda pode ocorrer por meio de trabalho voluntário, de iniciativas para arrecadação de recursos e de doações de dinheiro, roupas, sapatos, cobertores, brinquedos, alimentos, etc.

Conheça e se engaje em uma causa: Exploração sexual, violência contra crianças, tragédias e fenômenos naturais como seca ou enchentes são causas que geram grande mobilização. Conheça entidades que lutam por essas causas e participe de sua luta.

Em pensamento: Orando pelos necessitados e abandonados, uma prece de coração os alivia.

Em palavras: Dirigindo aos nossos companheiros de todos os dias alguns bons conselhos;

E existe, porém, uma muito mais penosa e bem mais meritória: é a de Perdoar aqueles que Deus colocou no nosso caminho, para serem os instrumentos e submetendo-nos à prova de paciência.

É imprescindível compreender para praticarmos a caridade plena:

• A perversidade como loucura,

• A revolta como ignorância

• E o desespero como enfermidade.

Com esta compreensão, agimos com o coração repleto de generosidade onde: Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. 
A necessidade de caridade existe em todo lugar. E você onde esta?

 

Por Cida Lopes • Gestora/Produtora de Eventos/Docente – MBA em Hospitalidade •  cida.aparecida.lopes@gmail.com


 

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