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Base Aérea de São Paulo
75 anos trabalhando pela Força Aérea e para o Brasil

 

Neste ano de 2016, a Base Aérea de São Paulo (BASP) completa 75 anos de existência. Esta organização militar é a Base Aérea mais antiga do Brasil e sua história acompanha a criação da Força Aérea Brasileira nos anos 40. Fomos conversar com o Coronel Aviador Reginaldo Pontirolli, Comandante da Base, que nos contou um pouco dessa história e do importante trabalho desenvolvido na BASP. Acompanhe os melhores momentos do nosso bate papo.

CityPenha: Conte-nos um pouco desses 75 anos de história.

Cel Pontirolli: A Base Aérea completou 75 anos, e tenho imenso orgulho, como guarulhense que sou, em comandá-la neste momento tão importante de sua gloriosa trajetória. A BASP possui um importante e dignificante legado de participação na história do Estado de São Paulo e do Brasil. Eu costumo ressaltar e, consequentemente lembrar, que a Força Aérea Brasileira nasceu no período da Segunda Guerra Mundial, em 1941. E tão logo nasceu a FAB, nasceu também, no mesmo ano, a Base Aérea de São Paulo, inicialmente estabelecida no Campo de Marte. É importante destacar que é uma das mais antigas do país.


CityPenha: A Base incialmente foi criada no Campo de Marte; quando veio para Guarulhos?

Cel Pontirolli: Desde sua criação no Campo de Marte, começou-se a procura por uma localização definitiva para a Base Aérea, e em 1946, cerca de 5 anos depois, ela já estava em Guarulhos, em uma área que foi doada pela família Guinle, à época da guerra. A mudança efetiva aconteceu em 26 de janeiro de 1946. São 70 anos nessa cidade que nos acolheu e nos acolhe de braços abertos. Como guarulhense, posso dizer que a nossa BASP é um orgulho para Guarulhos e nos trouxe muito progresso. Nossas instalações são muito bem conservadas, e muitos prédios fazem parte das instalações originais dos anos 50, incluindo a Residência Oficial do Comandante da BASP, bem como parte de seu mobiliário, que se tornaram um patrimônio histórico.

 


CityPenha: O que compõem a Base Aérea?

Cel Pontirolli: São várias as Unidades aqui sediadas: temos o Quarto Esquadrão de Transporte Aéreo (ETA-4), o Instituto de Logística da Aeronáutica (ILA) e o Centro de Catalogação da Aeronáutica (CECAT), importante Unidade Militar que cataloga os itens utilizados nas aeronaves voadas pela Força Aérea Brasileira. Esse trabalho tem alcance internacional e auxilia inclusive a indústria nacional. Recentemente tivemos países da OTAN acessando nosso sistema de catalogação, procurando produtos brasileiros para comprar. Isto mostra a importância do trabalho realizado das organizações sediadas na BASP.

Eu costumo dizer que o que define o adjetivo “Aérea” de uma Base é a sua Unidade Aérea, com suas aeronaves. E nós temos muito orgulho do nosso 4º ETA. Cabe também a Base Aérea dar todo o suporte para a atividade aérea aqui desenvolvida. Aqui na BASP já foram sediados diversos esquadrões de voo, tradicionais dentro da Força Aérea, como os esquadrões de Busca, Salvamento e Resgate, esquadrões de caça e de reconhecimento, dentre outros, quando ainda não tínhamos o aeroporto. A partir da década de 80, quando foi escolhido o local para ser o futuro Aeroporto Internacional de São Paulo, a Base Aérea, ciente da importância de sua contribuição para o desenvolvimento de Guarulhos e de São Paulo, cedeu boa parte da sua área patrimonial para que aqui fosse instalado o maior aeroporto do país.

 

   


CityPenha: O aeroporto ocupa parte da área da Base Aérea?

Cel Pontirolli: Sim, nós cedemos boa parte da nossa área patrimonial, aquela onde ficavam sediados nossos esquadrões de voo, para o aeroporto. Mas a GRU Airport administra essa área sob a forma de concessão pública, e a área ainda está no Tombo da BASP. Hoje, temos aqui em Guarulhos o maior do país e trabalhamos em estreita sintonia e colaboração, principalmente nos grandes eventos como Copa do Mundo e agora nos Jogos Olímpicos de 2016. Estamos terminando os preparativos e estamos focados nos ajustes finais para receber as autoridades e Chefes de Estado. Aliás, essa é outra característica da Base Aérea de São Paulo ser a porta de entrada das grandes autoridades que visitam São Paulo e desembarcam na nossa área VIP, reservada aos mandatários de maior importância mundial.

CityPenha: Isso quer dizer que as autoridades que pousam no aeroporto são recebidas na Base Aérea?

Cel Pontirolli: De certa maneira sim. Dependendo do status da autoridade, em colaboração com os pedidos oriundos do nosso Ministério das Relações Exteriores e da GRU Airport, e em função da disponibilidade de espaço no nosso pátio operacional, recebemos essas autoridades, nacionais ou estrangeiras. Temos a área VIP e uma Sala de Autoridades para onde são direcionados os dignitários, como Chefes de Estado, Primeiros Ministros, Presidentes, Príncipes, Chefes de Governo, etc. É comum o aeroporto pedir para que a BASP receba alguma personalidade VIP que aqui desembarque, ainda que não seja uma “autoridade”, na acepção da palavra. Temos na Sala de Autoridades um livro histórico, com assinaturas e registros das passagens de diversas autoridades e celebridades, como por exemplo, Príncipe do Japão, Primeiro Ministro da Suécia, Rolling Stones, Iron Maiden, U2, Cold Play e muitos outros.

 


CityPenha: Além da recepção de autoridades e VIPs, existe outro apoio ao aeroporto?

Cel Pontirolli: Sim, nós temos um relacionamento muito estreito com a administração do aeroporto, pois é à Base Aérea que está subordinado todo o serviço de bombeiros. São os militares da BASP que prestam esse serviço a todo avião que pousa em Guarulhos, seja ele civil ou militar. Isso particulariza a nossa relação, pois em todos os outros aeródromos compartilhados entre Bases Aéreas e aeroporto civil, como Recife, Brasília e Galeão, no Rio de Janeiro, o serviço de bombeiros de aeródromos fica a cargo do aeroporto. Em São Paulo, esse trabalho ficou com a BASP, e eu não tenho dúvidas que hoje o melhor Corpo de Bombeiro Militar de aeródromo do país é o da BASP. Tanto é assim que somos uma referência para os alunos-bombeiros que estão sendo formados na Escola de Especialistas da Aeronáutica, e que vem fazer a parte prática do seu estágio aqui na BASP. Nossa equipe de bombeiros conta com mais de 100 homens, que estão dedicados exclusivamente a essa atividade. É um trabalho silencioso e incessante, que é prestado 24 horas por dia, durante todos os 365 dias do ano. E recentemente, tivemos a honra de empossar, como Chefe de Equipe de Bombeiros, a primeira mulher, no Brasil e no mundo, a desempenhar essa importante função em um aeroporto do porte do Aeroporto de Guarulhos. Foi um marco nas comemorações dos 75 anos de história da BASP.

CityPenha: As Forças Armadas dão a oportunidade independente de qualquer relação com o sexo?

Cel Pontirolli: Sim, eu afirmo que as Forças Armadas estão entre as instituições mais democráticas do nosso país, pois não faz diferenças entre gênero, etnia, condição social ou religião. O jovem ingressa pelo seu próprio mérito. Se for aprovado nos testes operacionais, se conseguiu atingir os níveis que estavam previstos para aquela função, assumirá seu posto e seguirá em frente, numa carreira de extrema dedicação à Pátria, com frequentes mudanças de localidades com seus dependentes e outras imposições da vida militar, mas que lhe trará muita satisfação pessoal e sentido a sua vida, em servir ao seu país. Aqui na BASP existem muitas oportunidades para os jovens que sonham em ingressar em uma carreira militar.

CityPenha: Hoje qual é o universo de pessoas da Base?

Cel Pontirolli: Nós temos, dentro da nossa Organização Militar, mais de 200 famílias que residem na nossa Vila Militar de Cumbica. Isso também é um impulso econômico para a região. Cruzam diariamente pelos nossos portões, aproximadamente 1000 militares, sem contar aqueles militares que aqui estão para realizar alguns dos cursos ministrados aqui dentro, no ILA ou CECAT. A maioria desses militares possuem escolaridade em nível superior completo ou em fase de conclusão, e com distintas formações. Temos aqui psicólogos, pedagogos, arquivistas, jornalistas, dentistas, farmacêuticos, enfermeiros, médicos, assistentes sociais, profissionais de educação física, engenheiros, nutricionistas, administradores, profissionais de ciências contábeis. E até Aviadores! (sic).

CityPenha: Pelo que conseguimos perceber, existe uma grande interatividade com a comunidade de Guarulhos, que participa de várias atividades. O pessoal vem até fazer caminhada na Base.

Cel Pontirolli: Essa parte de relacionamento com a nossa sociedade também é um fator muito importante, que vem sendo mantido pelos Comandantes, através de um bom relacionamento com a sociedade local.

Gostaria de destacar uma missão aérea que realizamos aqui no 4º ETA, que é a missão de Transporte de Órgãos e Tecidos. Temos uma equipe de sobreaviso, a qualquer hora do dia ou da noite, capacitada a decolar com uma aeronave para apoiar esse tipo de missão, transportando órgãos para transplante, ou até mesmo equipes médicas para realização de cirurgias em outras cidades e estados. É a BASP salvando vidas!

Temos também grupos da terceira idade que realiza caminhadas pelas alamedas da Base, com a orientação de professor de educação física.

 


Dentro desse aspecto de relacionamento com a sociedade, desenvolvemos aqui um importante Projeto Social que nos dá muito orgulho: é o PROFESP (Projeto Forças no Esporte), desenvolvido em parceria com os Ministérios da Defesa, dos Esportes e do Desenvolvimento Social. Através de nossos militares, acolhemos crianças, na sua grande maioria carentes e de escolas públicas do entorno da Base Aérea, para a realização de atividades esportivas. Isto acontece três vezes por semana, sempre no turno contrário ao escolar. Quem estuda de manhã vem à tarde, e quem estuda à tarde vem de manhã.

São cerca de 150 crianças, de 7 a 14 anos, que recebem refeições balanceadas e controladas por nutricionistas da Força Aérea. Aqui, realizam diversos tipos de atividades físicas, como esporte, ciclismo, jogos e lutas. Também recebem aqui aulas de reforço escolar e de cidadania, ministradas pelos militares voluntários. Ao final do turno, elas fazem um lanche e regressam para suas casas. Há um interesse muito grande dessas famílias para incluírem seus filhos neste projeto. Inclusive as escolas atendidas relatam um grande aumento de procura por vagas, devido á divulgação da possibilidade de serem incluídas no PROFESP. Entretanto, reputo como nossa maior contribuição à vida desses jovens o fato de procurarmos devolver a eles, a esperança que lhes foi roubada; desenvolver neles a capacidade de acreditar em si, e que seus objetivos podem ser alcançados. Apesar de não ser o nosso objetivo primário, alguns deles até descobrem sua aptidão para a carreira militar. Mas no geral, procuramos devolver para sua escola e para seus pais, jovens melhores do que aqueles que recebemos; damos a eles uma nova perspectiva de vida, com uma esperança de futuro melhor, e despertando neles alguns valores que ultimamente estão fora de moda, como disciplina, amor à verdade, coragem, honra, lealdade, dever e pátria, bem como o respeito aos mais velhos. Tudo isso ajuda a devolver a eles a autoestima que há muito tempo se foi. Esse é um importante e destacado papel social que prestamos a nossa comunidade local.

 

 


 

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