FOTOS

Do namoro ao casamento, vida a dois exige atenção

Cuidados com a rotina, com a aparência e o bom humor são alguns dos pontos apresentados por especialistas para manter o relacionamento saudável

 

As transformações da sociedade trouxeram também mudanças na forma como os casais têm selado seus compromissos. Prova disso é o crescimento da ainda subjetiva união estável - quando o relacionamento é assumido, duradouro, contínuo e há interesse na construção de uma família. Essa relação se caracteriza por transitar entre o namoro convencional e o casamento. Muitos casais, inclusive, entram nessa fase de maneira bastante espontânea, o que faz parecer estarem vivendo uma vida de casados mesmo ainda estando namorando. Segundo especialistas em comportamento, entretanto, é preciso bastante atenção nesses casos, pois pular ou avançar etapas do relacionamento pode prejudicar a vida do casal. Ou seja, juntar as escovas de dente pode não ser algo tão simples assim.

Respeitando as proporções e os diferentes costumes, é comum que o casal passe a frequentar a casa um do outro quando atingem certo tempo de namoro. Com isso, as estadas de fim de semana se tornam frequentes, o que, muitas vezes, se estende para alguns dias da semana até que, sem que haja a intenção, o namoro passa a tomar os moldes de um casamento. Passa-se a ter acesso total a agenda do(a) parceiro(a), às ligações que faz e recebe, exposição de manias e até a participação no controle financeiro.

Para a psicanalista Cristiane Maluf Martin, especialista em terapia de casais, o namoro é um experimento para o casal, que pode decidir ali como e se deve seguir adiante com a relação, ou o que deve ser mudado."Queimar etapas num relacionamento pode fazer falta lá na frente, ou seja, certas dificuldades enfrentadas pelos casais podem ser evitadas se ambos tiverem a oportunidade de se conhecerem melhor antes de assumir algo mais sério. O namoro é o momento de avaliar quem é o outro e o que ele(a) tem que lhe agrada e o que desagrada; se serão capazes ou não de suportar uma dificuldade juntos", explica.

Casais que caminham para um casamento e/ou se encontram na chamada relação estável precisam se manter atentos com alguns detalhes e comportamentos, para que a relação se mantenha viva e sem muitos desgastes. A psicanalista Cristiane Maluf chama a atenção principalmente para a rotina e para a reciclagem do sentimento, que deve ser diário. "É importante 'regar a plantinha' todos os dias, porque, se não nos mantivermos atentos e comprometidos, a rotina distrai, cansa e perde a importância. O maior erro das pessoas é esquecer que o amor é feito um dia de cada vez. Ele é verbo de ação, é escolha diária, é um fazer, desfazer, refazer, começar tudo de novo. Amar é dinâmico, vivo e, por isso, precisa ser nutrido, alimentado", comenta a especialista, listando algumas dicas do que os casais devem buscar na relação:

• Rir de si mesmos e divertirem-se juntos;

• Beijar é fundamental. Muitos se esquecem que tudo começou com o primeiro beijo;

• Brincar de seduzir;

• Lugar de lavar roupa suja é em casa;

• Sair da rotina;

• Cuidar da aparência;

• Compartilhar sentimentos, pensamentos e principalmente sonhos;

• Ser parceiro(a) nos momentos difíceis.

Com o fortalecimento dos laços na relação, que vai se transformando de namoro para casamento, em muitos casos acontece a perda da individualidade de ambas as partes. Homens que deixam por completo as partidas de futebol a pedido da companheira e mulheres que deixam de encontrar as amigas por conta do parceiro são exemplos clássicos de algumas possíveis mudanças que ocorrem com o avanço do relacionamento. O que, quase sempre, causa incômodo e desgasta a vida a dois.

A Dra. Letícia de Oliveira, psicóloga clínica comportamental, ressalta o valor que a individualidade tem para a saúde do relacionamento. "Muita gente acredita que as necessidades pessoais não tem mais importância quando nasce um casal, o que é um erro terrível. Precisamos continuar tendo nosso tempo, fazendo nossas atividades e priorizando outras relações. Equilíbrio é a palavra que ajuda a definir o sucesso do relacionamento. Não podemos viver como se fosse solteiros e nem como se não existíssemos sem a outra pessoa", pontua.

Outro ponto delicado no relacionamento, principalmente quando se esta em transição de namoro para casamento, é a participação das famílias. Muitos criticam o envolvimento dos pais nas tomadas de decisão do casal. Já outros não veem problemas nesse elo e encaram com mais neutralidade. A psicóloga Letícia de Oliveira explica que a participação principalmente dos pais na relação é possível, desde que haja equilíbrio. "A relação deve ser próxima , com respeito e limites bem definidos. Existem muitos casais que não sabem lidar com sogros e acho isso pouco saudável; em contrapartida existem pais que não conseguem perceber que a vida dos filhos já não é mais uma extensão da vida deles e, com isso, acabam interferindo em assuntos que não lhes dizem respeito.

Os filhos devem lutar para manter uma relação saudável, próxima mas com limites importantes", finaliza Oliveira, destacando algumas dicas do que os casais NÃO devem manter na relação:

• Brigar e expor problemas do casal na frente das pessoas;

• Perder respeito (qualquer tipo de agressão);

• Expectativa de mudar o parceiro;

• Não dizer o que incomoda pelo medo de causar uma briga;

• Deixar de ter individualidade, e viver somente em função do parceiro.

 

Por Arilton Batista


 

Voltar