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Atleta penhense vai às alturas por meio do highline

 

Caminhar na corda bamba pode ser a definição perfeita para o highline. O esporte, que nasceu nos Estados Unidos nos anos de 1970, consiste na travessia entre dois pontos fixos - geralmente montanhas e edifícios - sobre uma fita de poucos milímetros, a dezenas de metros do solo, e é um subgênero do já mais popular slackline - que é a caminhada sobre a mesma fita, porém a centímetros do chão. Traduzindo do inglês, highline significa a linha alta, o que retrata a adrenalina vivida pelos atletas da modalidade, como é o caso do penhense Maraue Munareti, 24, da equipe Slackmafia, que há quase dois anos se dedica intensamente ao esporte. Do chão às alturas, porém, o processo foi desafiador e exigiu, assim como exige, muita determinação.

Antes de entrar no universo do highline, Maraue praticava outros esportes por hobby, como tênis, basquete, vôlei, futebol, skate, patins, capoeira e judô. Os primeiros passos sobre a fita aconteceram por acaso, durante uma viagem que fez com alguns amigos para São Thomé das Letras (MG). "Chegando lá vi uma galera praticando e, então, decidi começar no slackline para migrar depois ao highline. Meu primeiro treino de slack foi em agosto de 2014", relembra. Daí em diante o processo fluiu de forma natural, já que a prática passou a ser constante e o interesse cada vez maior, junto com o desejo de superar os próprios obstáculos.

O atleta da equipe Slackmafia ressalta, entretanto, que uma das maiores dificuldades para quem pensa em seguir no caminho do highline, como profissional, são os apoios e patrocínios. "Poucos atletas hoje no Brasil vivem apenas do highline. Eu estou tentando ser um desses. Porque é um esporte muito caro, tanto os equipamentos quanto as viagens. É difícil você andar somente por que ama o esporte, é preciso de apoio ou até mesmo um patrocínio para estar sempre viajado e evoluindo", conta.

 


Chapada dos Veadeiros, cachoeira Almecegas 1- foto: Paloma Galvão


Para manter tanto a forma física como aperfeiçoar cada vez mais a técnica, Maraue treina três vezes por semana no Parque Tiquatira, no Parque do Ibirapuera ou no Parque Ecológico do Tietê. Aos finais de semana quase sempre faz alguma viagem para realizar treinos mais específicos e desafiadores, como nos prédios abandonados da cidade de São Bernardo do Campo (SP) ou na chamada Pedreira do Dib, em Mairiporã (SP). Os atletas de sua equipe, a Slackmafia, não são apenas de São Paulo, tendo representantes em outros estados do país, como em Minas Gerais e Goiás, por exemplo.

Segundo o atleta, um dos maiores prazeres do esporte é ter a possibilidade de conhecer lugares e paisagens diferentes a cada treino ou competição. Desde que passou a se dedicar ao highline, esteve em diversas regiões e pontos turísticos do Brasil, como os Canyon de Furnas (MG), a Chapada dos Veadeiros (GO), a Lagoinha do Leste (SC), a Pedra do Baú (RJ), São Bento de Sapucai (RJ), o Morro dos Cabritos (RJ), São Thomé das Letras (MG) e a Cachoeira da Onça, em Guaratinguetá (SP).

Nessa trajetória, o penhense Maraue alcançou e bateu seus próprios desafios, além de ter participado de conquistas em grupo, ao lado de outros atletas do gênero e com sua equipe. Entres as participações mais importantes, lista abaixo as mais relevantes:

• Travessia de 300 metros de waterline (fita sobre a água) com algumas quedas;

• Travessia dos 130 metros nos prédios abandonados também com algumas quedas;

• Travessia sem queda pela ponte Sumaré, de 70 metros de distância;

• Participação na montagem da maior linha de highline da América Latina;

• Participação na montagem do maior waterline do Brasil, com 300 metros;

• Participação na montagem da linha de 130 metros de distância nos prédios abandonados;

• Travessia free solo (sem proteção numa linha com 40 metros de distância e 15 metros de altura).

"No início o principal desafio era me manter em pé na fita e conseguir caminhar com a mente vazia, sem pensar em nada, a não ser caminhar. Depois os desafios foram aumentando e a meta já não era mais apenas ficar em pé na fita e, sim, atravessar lugares mais altos e maiores em distância", explica Maraue. Para quebrar essas barreiras e conquistar seu espaço no esporte, ele garante que é necessário muito treino, dedicação, além de estudos sobre equipamentos, locais, segurança e tudo que gira em torno do highline.

Num universo repleto de possibilidades e muitos espaços vazios entre dois pontos fixos, Maraue Munareti pretende viajar o mundo praticando highline e ensinando o esporte a quem mais se mostrar interessado. "Fui vencendo meus medos, quebrando recordes pessoais e me acostumando a andar no vazio. Quando completei minha primeira travessia já sabia que era isso que eu queria para a minha vida. Quero conquistar um patrocínio e caminhar por lugares onde ninguém passou", finaliza.

 

Por Arilton Batista


 

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