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Separamos, e as crianças?

Psicóloga explica qual a melhor maneira de contar aos filhos sobre o divórcio

 

A separação é um momento difícil, principalmente se o casal tiver filhos. Não importa a idade, para eles é sempre complicado aceitar e entender a decisão dos pais de não viverem mais juntos. A psicóloga do São Cristóvão Saúde, Aline Cristina de Melo explica a melhor forma de abordar o assunto e ajudar as crianças a lidarem com o divórcio.

Para a profissional o melhor momento para informar aos filhos é quando esta decisão está seguramente resolvida pelos pais, “isso evita gerar angústias desnecessárias para a criança ou adolescente, caso eles mudem de ideia”. Não existe receita para dar essa notícia aos filhos, mas Aline lembra que adaptação do discurso para a realidade dos pequenos e a sinceridade são pontos que devem ser levados em conta, “posicioná-los sobre a separação de forma clara, sincera e verdadeira, transparecendo tranquilidade e segurança faz com que a criança identifique tais sentimentos e apazigue sua angústia por meio deste acolhimento. Não há necessidade de expor os reais motivos do divórcio, porém é muito importante que fique claro para a criança que ela não teve qualquer culpa ou participação nesta decisão”.

Paciência e sensibilidade também são muito importantes diante das dúvidas que surgirão no decorrer deste processo, “na grande maioria dos casos a criança não absorve bem a notícia, pois tal aspecto implica no surgimento de muitas fantasias em suas mentes que vão desde a culpa e a contribuição delas para a separação, até a possibilidade do divórcio afetar no amor que os pais sentem por ela. Fora a angústia da ausência do pai ou da mãe que sairá de casa”. Aline Melo comenta que a rejeição da criança pode ser temporária, “ela dura até que perceba que embora sua rotina mude, o carinho e amor que recebe dos pais não mudará”. “Com o tempo essa reação de rebeldia tende a se dissipar conforme a criança recupera a segurança em sua família e nos laços afetivos com os pais”, acrescenta a psicóloga do São Cristóvão Saúde.

Em alguns casos as crianças podem apresentar uma mudança no seu comportamento e no seu rendimento em algumas atividades, inclusive na escola. Quando isso acontece, Aline Melo conta que é importante que os pais juntamente com seu filho reflitam sobre o que pode estar interferindo. “A falta de motivação para as atividades pode estar ligada a aspectos emocionais relacionados a dificuldade em compreender e aceitar a o divórcio, como também uma forma de chamar atenção, mesmo que seja através de um aspecto negativo e prejudicial”, diz a psicóloga do São Cristóvão Saúde. Aline aconselha que os pais conversem com os educadores sobre ao assunto, “investiguem se a criança expõe suas insatisfações e angústias perante a separação dos pais em ambiente escolar, essa é também uma forma de compreender melhor o que ocorre”.

Segundo a especialista, evitar expor os filhos aos conflitos do casal deve ser a maior preocupação dos pais, “é importante salientar que os filhos não devem ser usados para afetar o outro, isso poderá se refletir negativamente na criança. Um pai não pode falar mal do outro para a criança, o ideal é que eles saibam separar a relação deles como casal da relação deles como pais”. A dica da profissional é que eles mantenham um relacionamento saudável, ou pelo menos, tenham um diálogo cordial, “ter um bom relacionamento é importante pois eles precisam dialogar e se organizar quanto aos cuidados, atenção e rotina dos filhos, que perceberão que sua família passou por uma grande mudança, mas que tal situação não afetou no carinho e amor dos pais.

Quando isso acontece, os filhos percebem que não há motivo para sentirem-se abandonados”. Em alguns casos a separação traz alívio, principalmente quando as situações de conflitos vivenciados pelo casal eram presenciadas pelos filhos, “muitos pais depois da separação conseguem até melhorar a convivência com as crianças, gerando uma relação ainda mais próxima” diz a psicóloga. “Caso a criança tenha dificuldade em lidar com todas as mudanças causadas pela separação dos pais, a psicoterapia pode ser um auxílio valioso na compreensão dos sentimentos e nas mudanças que serão enfrentadas” finaliza a psicóloga.


 

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