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A beleza das novas mulheres da atualidade

 

Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu? Dependendo da época, a resposta para essa pergunta infame pode variar muito. O conceito de beleza é deixar quem quiser segui-lo arrancando os cabelos.

As transformações dos padrões de beleza do corpo feminino ao longo do tempo marcaram a evolução de diferentes visões sociais acerca do modelo estético que deveria ser incorporado pelas mulheres. 

Mas vale lembrar que como a cultura e o conceito de beleza são dinâmicos, nada é para sempre. Gostos e hábitos mudam. Assim como a moda, os padrões de beleza estão em constante mutação. 

Quando ouvimos que “Me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”, de Vinícius de Moraes, paramos para definir: afinal, o que é belo? É aquilo que eu digo que é bonito? É o que você taxa como perfeito? Quem é que determina os padrões e conceitos sobre o que é feio ou não?

A beleza é relativa; o que eu acho bonito pode não ser para o outro. O que era belo ontem, hoje pode não se encaixar nos padrões. E é exatamente isso que aconteceu com as mulheres ao longo dos milhares de anos que se passaram. 

Padrão de beleza na sociedade 

Egito Antigo (Cerca de 1290 a 1069 a.C.) - Corpo ideal: Rosto cujas duas faces são iguais, cintura alta, ombros estreitos e corpo pequeno.

Grécia Antiga (Cerca de 500 a 300 a.C.) - Corpo ideal: O que figurava nessa época eram os corpos cheinhos com pele clara.

Renascença Italiana (Cerca de 1400 a 1700) - Corpo ideal: As moças mais gordinhas eram idolatradas e os seios fartos e barriguinha eram sexy. Quadril largo e pele clara completavam o pacote. Tinham tanto orgulho das sobras, que as exibiam. 

Inglaterra Vitoriana (Cerca de 1840 a 1901) - Corpo ideal: Um pouco mais magras do que as anteriores, a cintura mais fina, mas ainda roliças com espartilhos que diminuíam a cintura e ressaltavam que mulheres eram seres frágeis.

Anos Vinte (Década de 1920) - Corpo ideal: E voltou a época das mulheres pequenas, dessa vez com cabelos curtos.  A emancipação feminina prega um look menos sensual: faixas achatam cinturas, seios ou quadris, para deixá-los na mesma proporção.

Era de Ouro de Hollywood (Cerca de 1930 a 1950) - Corpo ideal: Corpo estilo ampulheta: com seios grandes e cintura fina. Nos anos 40 estão mais duronas após a 2ª Guerra Mundial, as mulheres passam a desejar ombros largos. 

Anos Sessenta (Década de 1960) - Corpo ideal: O que vale agora é o físico adolescente, tudo bem magrinho com pernas finas e longas. A onda hippie e a busca pela juventude levam a corpos com poucos seios ou curvas
Anos Noventa (Década de 1990) - Corpo ideal: Mulheres com corpos extremamente magros e frágeis eram a beleza da época.

Beleza pós-moderna (de 2000 até hoje) - Corpo ideal: Hoje em dia, o que conta é um corpo “saudável”, barriga reta e bumbum grande. Um corpo difícil de conseguir, mas que, graças a intervenções cirúrgicas, muitas mulheres entram no padrão.

Podemos ver que o conceito de mulher, dona de casa, mãe e esposa, mudou com o passar dos anos. As mulheres ainda são mães, esposas e donas de seus lares, porém, junto a tudo isso está no mercado de trabalho atuando de forma efetiva com diversas funções, no comando de empresas, na chefia de cargos públicos, entre outros. As conquistas são constantes, e as quebras de tabus são diárias, sendo mulheres independentes, confiantes e distribuindo competência, em meio a esta avalanche cultural que temos vivido.

 


A sociedade exige uma dupla ou tripla jornada de trabalho à mulher e diante de tudo isso vem o stress, a não aceitação de seu corpo mediante comparações com a mídia, as dietas malucas, distúrbios de alimentação.

Vivemos hoje um verdadeiro massacre humano, de mulheres, adolescentes se matando para atingir um inatingível padrão de beleza imposto por uma sociedade democrática, as mulheres tornam-se escravas da indústria da beleza, tão difundida pelos meios de comunicação, os quais têm dilacerado a nossa juventude, pessoas que estão perdendo o prazer de viver, por estarem inconformadas com sua forma física, controlam alimentos que ingerem, para não engordar; esta escravidão assassina à autoestima, produzindo uma guerra contra o espelho e gera uma auto rejeição terrível.
As cobranças que as mulheres tem feito a si mesma para atingir o padrão de beleza imposto, e quando observam não ter conseguido, explode a frustação começando a complementar com acessórios e roupas inadequadas para tapar este buraco psicológico. 

Indústria da beleza

O discurso da mídia decorre de uma pluralidade de produtos e avanços tecnológicos a fim de aprimorar a estética e forma física. O país pode estar na maior crise financeira de todos os tempos, mas a indústria da beleza não para de crescer. Para todos os lugares que se olha, se ve a influência ao culto de um corpo perfeito, uma barriga sarada, uma constante luta contra a balança, uma conta de calorias presente em cada refeição. Os meios de comunicação apresentam diariamente o glamour da glória e do sucesso, de pessoas magras e em forma se dando bem em tudo que fazem, sem sofrer nenhum tipo de preconceito, apenas bem e com intensa ascensão social.

Diante desse quadro a sociedade vivencia um quadro conflitante. De um lado, a mesma recomenda o padrão de beleza magro; de outro, está à mídia bombardeando também com suas publicidades de fast-food, alimentos hipercalóricos, etc. Todos esses fatores, acrescidos ao avanço da tecnologia da perfeição cooperam ainda mais para a procura por opções não naturais.  

Mas começamos a ver a luz no fim do túnel; a proibição de mulheres magérrimas em desfiles de modas, tanto que nossa referência brasileira de passarela despontou valorizando as curvas e seios fartos e nossas modelos Plus Size fazendo enorme sucesso.

Os novos lançamentos da boneca mais popular que conhecemos “Barbie”, podendo aparentar pessoas de verdade, já que não precisam usar salto alto o tempo todo e nem estar constantemente impecável.

Até as nossas princesas da Disney começam a ter corpos reais e fora do padrão habituais ocidentais, como a nossa “Fiona” a protagonista do desenho “Sherek” e o conflito da beleza perfeita e de ser verdadeiramente como se é.

A mais célebre dessas campanhas, da marca Dove, com a campanha “Real Beleza”, explora a diversidade feminina e busca o belo em variadas formas de expressão. 

E de maneira ainda sutil, estamos a perceber que “Tudo em excesso faz mal”.

Ser escrava da beleza torna você superficial; mas não ter vaidade, bombardeia sua autoestima; não fazer exercícios ou cuidar da alimentação, causa aumento de peso e doenças diversas; ser viciada em exercícios também causa problemas e deformações.

Cada vez mais as mulheres e parte da mídia estão se revoltando contra a ditadura da magreza e, principalmente, contra comportamentos extremos que muitas mulheres praticam para ter um corpo idealizado, colocando em risco o bem-estar e a própria vida. Mais e mais espaço vem sendo aberto para que o corpo da mulher real seja mostrado e apreciado da maneira que é, seja com curvas avantajadas ou não, estrias, celulites e, muitas vezes, excesso de gordurinhas.

Acredita-se que muitas mulheres devem estar se sentido aliviadas e muito mais felizes. Se correr atrás de medidas perfeitas é uma tarefa difícil e arriscada, o melhor a fazer é procurar a beleza particular que existe em cada mulher, ao invés de se envergonhar, 

No dia em que aprendermos a valorizar nossas características tão pessoais, difíceis de serem imitadas, certamente encontraremos um Botticelli para pintar-nos como Vênus, estonteante com sua cintura larga e olhar misterioso.

 

Por Cida Lopes • Gestora/Produtora de Eventos/Docente – MBA em Hospitalidade •  cida.aparecida.lopes@gmail.com


 

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