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Os Ipês de Vila Matilde

 

Dizem - não sei se é verdade,
Pode até não ser, talvez
Mas dizem que em Vila Matilde, 
Desafiando a cidade
havia muitos ipês.

Resistindo à expansão
Dos prédios de olhar tristonho
Quando floriam, que sonho!
O bairro era luz e festa
Pintado como floresta

Eram tantas cores vivas
Ouro e fogo num tropel
Que a respiração se prendia
Olhando o ipê, recortado
Tendo por moldura o céu

Mas o ipê tinha um defeito
Que todos passantes viam
Suas flores, que caiam
Depois de adornar o mundo
Uma hora, elas morriam

Ao cair, sina malvada
Sujavam toda a calçada
Numa pasta que fedia

Onde a cor da naturezaSe perdia com presteza
Em meio ao lixo da via

E não bastasse a sujeira
árvore inútil - culpada! 
Vivendo no anacronismo
De resistir ao urbanismo
E crescer numa calçada

E o pior, então, os carros?
Era de ver o desespero
Ao cair, as flores murchas
Manchavam toda a pintura
Polida um domingo inteiro

A solução foi humana
Prática e bem racional
Cortaram-se todos ipês
Cimentaram-se as calçadas
E acabou-se todo o mal

E hoje, quem passa defronte
Dos Padres Olivetanos
Entrando na rua a direita
Ainda talvez possa ver 
O único, que resta, teimoso
Lá na casa do Ipê

 

Por Coronel Luiz Eduardo Pesce de Arruda • comandou o 2º BPM/M (Av. Amador Bueno da Veiga), Professor Universitário, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, e assessor parlamentar do Deputado Estadual Coronel Camilo


 

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