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Gula ou apenas prazer ao comer

 

A alimentação é um ato de socialização, dotado de valores e características intrínsecas que varia de acordo com cada grupo, a pratica de comer junto, partilhando a comida faz parte tanto da ordem humana quanto animal, com diferença de que os seres humanos atribuem sentidos aos atos da partilha. 

A festa culinária une os homens, relembram historias, ativam memórias, trazem ancestrais, santos, deuses, mitos, todos reunidos nas mesmas comidas, nos mesmos atos de comer, de marcar datas, ciclos, eventos que identificam sociedades, e por isso são singulares de um povo, de uma região, de uma civilização, de indivíduos... Tendo sempre na comida o elo fundamental que identifica e reconhece, explica LODY. 2008. 

Provavelmente desde que o homem existe ele festeja com comida. O prazer de comer é essencial na vida e comer juntos é uma grande felicidade social. Comer bem, saboreando e sem culpa, com variedades e qualidades, é um dos principais fatores de um estilo de vida saudável.

Até o século XX, muitas descobertas técnico-científicas importantes levaram ao progresso e também à modificação dos costumes alimentares, como:

O aparecimento de novos produtos; a renovação de técnicas agrícolas e industriais; as descobertas sobre fermentação; a produção do vinho, da cerveja e do queijo em escala industrial e o beneficiamento do leite; os avanços na genética permitiram sua aplicação no cultivo de plantas e criação de animais; a mecanização agrícola; e o desenvolvimento dos processos técnicos para conservação de alimentos entre outros.

Duas tendências se desenvolvem no escopo de obter alimentos para o futuro. A primeira, tradicionalista, se baseia em produtos primários e, concede prioridade absoluta à agricultura, recomendando a contenção ou parada na industrialização. Ao esforço de prover alimentos para o futuro, há uma segunda tendência que se encaminha para fórmulas industrializadas: alimentos "de conveniência"; alimentos sintéticos; proteína texturizada a partir de oleaginosas ou produtos de cereais processados e além dos tão discutidos alimentos transgênicos e funcionais.

CASCUDO 2006, compara a humanidade e os animais. O homem imagina o que vai comer antes mesmo de fazê-lo e com quem irá fazê-lo. Já os animais comem apenas para suprir uma necessidade, enquanto o homem “se desarma” ao sentar-se a mesa. 

Não comemos apenas porque precisamos de nutrientes e calorias para manter o corpo funcionando. Comer tem um sentido muito mais amplo, pois envolve seleção, escolhas, ocasiões e rituais. 

Para muitas pessoas a refeição é sagrada. Entende-se que comer bem é um ato de respeito com o meu corpo e de carinho com o meu paladar.

Como distinguir a fome, a vontade de comer ou gula? 


Comer com prazer não é comer com gula. Comer com prazer é saborear sem culpa e com moderação. Parece difícil, mas é só experimentar e persistir.

Comer, também é um ato cognitivo, afinal comer envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, imaginação, pensamento e juízo. 

 


A fome é uma necessidade biológica, um alerta do nosso corpo de que precisamos sobreviver comendo. Já a vontade de comer está relacionada ao desejo, ao prazer que você tem ao comer. E essa vontade de comer (ou a falta dela) vem de inúmeras circunstâncias do nosso dia a dia. São elas:

Visual: A apresentação do prato pode nos fazer querer comer mais ou menos. Se você vê um alimento suculento numa bandeja de prata ele tende a ser mais apetitoso do que uma “gororoba” num pote de plástico. 

Levando em conta o fato de que o primeiro contato que se tem com o alimento depois de preparado é por meio do olfato e, em seguida, pela visão, é possível crer que o dito popular “comer com os olhos” expressa o quanto a imagem do alimento é capaz de influenciar positiva ou negativamente, ou, de certa maneira, manipular o ato de sua degustação. 

Também se observa o trabalho cuidadoso de chefs na elaboração de seus pratos, levando em conta o entrelaçamento de cores, a forma e a materialidade dos elementos, para tornar o prato uma obra de arte, com as associações mentais que os efeitos de composição conseguem provocar, tece uma malha própria capaz de produzir um efeito de persuasão com essas imagens. 

Hoje nos deparamos com o Food stylist também chamado de produtor de culinária ou estilista de alimentos. É o profissional que, por meio de estratégias de manipulação dos alimentos, conhece e reconhece as características do alimento, monta e decora os pratos para que eles fiquem visivelmente mais apetitosos convencendo o observador a realmente desejar degustar a iguaria. 

Facilidade de obtenção: A implacável preguiça. Quantas vezes você já optou pelo Fast-food ao invés de cozinhar em casa? A praticidade é um atrativo para o seu cérebro também, o que nos faz desejar mais os alimentos mais práticos.

Sabores: É a gaveta histórica dos gostos ao longo da nossa vida; A alimentação é um organismo vivo que está em constante e bela transformação. Já que as misturas inusitadas de ingredientes podem criar um prato saboroso. 

Estado emocional: Quem nunca ficou irritado, terminou com o namorado ou brigou no trabalho e perdeu completamente a fome? É normal. O cérebro tem outras preocupações e deixa de lado a fome. Ou ao contrário também acontece: a vontade de afogar as mágoas em um prato super calórico ou numa caixa de bombons? Ou tentar controlar a ansiedade com uma grande bomba de chocolate?

Hoje as pessoas sempre querem chegar, comer e ir embora. Às vezes, há a impressão de que, se pudessem, as pessoas fariam o pedido antes de chegar ao restaurante. 

Os chamado de Fast-food (comida rápida), geralmente lanches, sanduíches, pizzas, batatas fritas, pastéis entre outros que demandam pouco tempo para serem servidos.

Para as pessoas que muitas vezes não dispõem de muito tempo para fazer suas refeições acabam optando por alimentos que na maioria das vezes são muito calóricos.

O Fast-food virou sinônimo de um estilo de vida estressante que vem sendo criticado desde o final do século XX, uma refeição do tipo “abre-aquece-come”. 

Muitas pessoas são contra os restaurantes de Fast-food, porque grande parte dos alimentos vendidos não é saudável e continuam tendo muita oposição, com o principal movimento contrário.

Como uma tendência que começou a surgir no Brasil no começo dos anos 2000 e que hoje está mais forte do que nunca, é a Slow Food (comida lenta), que teve sua origem na Itália, nos anos 80, que é chegar a um restaurante, pedir, esperar sua comida ser preparada naquele momento e que são alimentos frescos e de qualidade e depois saborear vagarosamente cada pedacinho da sua comida, comer com gosto, apreciando a comida, aproveitando todos os aromas e sabores de uma comida feita especialmente para você.

 “O Slow Food é uma resposta ao ritmo frenético da vida atual, ao desaparecimento das tradições culinárias regionais, ao desinteresse pela procedência dos alimentos e à desinformação sobre como nossa escolha alimentar pode afetar o mundo”, afirma a organização do site oficial. Entre as principais iniciativas do movimento está a conscientização sobre a importância do prazer em saborear uma boa comida, fazer refeições tranquilas e evitar a gula, desperdícios e aproveitar cada refeição com prazer.

Se comer está relacionado a tudo o que somos e é também a nossa história, devemos sim preservar rituais, receitas, maneiras, hábitos. Isso significa que  também devemos associar e permitir que as novidades gastronômicas se aproxime, tentando sempre buscar o bom senso, a satisfação e o prazer. Aproveite o dia 26 de janeiro, o “Dia da Gula”.

Por Cida Lopes • Gestora/Produtora de Eventos/Docente – MBA em Hospitalidade •  cida.aparecida.lopes@gmail.com


 

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