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Cinerama é o nome de um registro de patente de um processo cinematográfico de “widescreen” – tela bem horizontal na proporção 16x9 - que trabalha com imagens projetadas simultaneamente por três projetores de 35 mm sincronizados para uma tela de proporções gigantescas e extremamente curva, com um arco de 146°. É também o nome da corporação que patenteou o processo. Foi o primeiro de uma série de processos introduzidos nos anos 1950, época da reação do Cinema ao avanço da televisão. Sua denominação combina as palavras cinema e panorama, já que o objetivo do processo era dar ao amante do cinema uma "visão panorâmica" do que se passava na tela, fazendo com que o espectador se sentisse participante do processo.

O sistema original envolvia três câmeras sincronizadas dividindo um único disparador. Nos cinemas, os filmes em Cinerama era projetados de três cabines de projeção, postas na mesma disposição que as câmeras, em uma tela extremamente curva. Cada uma delas projetava um terço da imagem total que compunha a cena. O processo, no entanto, nunca conseguiu eliminar de todo as "emendas" que ficavam aparentes no ponto onde as imagens se alinhavam. Ainda hoje, em alguns lançamentos em DVD de filmes executados neste processo, pode-se perceber essa falha.

Por mais que os seus inventores, Fred Waller e Merian Cooper acusavam as salas de cinema por estas falhas, o processo foi posteriormente abandonado em favor de um sistema de disparo de 70 mm através de uma única câmera.
A projeção em 70 mm inaugurou definitivamente uma nova fase do cinema. Em adição ao impacto visual das imagens, o Cinerama foi também um dos primeiros processos a usar múltiplos canais de som. O sistema, desenvolvido por Hazard Reeves, um dos investidores do Cinerama, tinha sua trilha sonora gravada em 6 e depois 7 canais e reproduzida através de cinco autofalantes colocados atrás da tela. Um "canal surround", depois dois, jogava o som por trás através de auto falantes instalados na plateia.

 


Wilson Luchetti                           Anúncio da Folha de São Paulo usando
                                                    uma foto registrada no dia da
fotos: Acervo Memorial                   inauguração do Cinerama no Brasil
Penha de França                                                                       

O Cinerama chegou ao Brasil em 14 de Agosto de 1959 com a inauguração do Cine Comodoro. Numa noite repleta de “glamour”, a Av. São João ficou congestionada de automóveis e gente nas calçadas ansiosas em conhecer esta nova tecnologia que provocava sensações na plateia. O espectador se sentia “dentro do filme” e cenas de ação provocava reações como segurar-se na poltrona com firmeza. Nesta inauguração, o Cine Comodoro utilizou o sistema original do Cinerama com três projetores. Dois anos mais tarde, o sistema foi substituído pelo projetor único de 70 mm.

O Cinerama chegou na colina da Penha de França em 1966. Foi o primeiro e único da cidade de São Paulo fora do centro. 

O Cine Penha Palace, da empresa Cinematográfica São Jorge, foi inaugurado no ano de 1955 com capacidade de 2.350 lugares e tinha uma média anual de 730 sessões e 184.340 espectadores. Localizava-se no ponto mais central da Penha, na Praça 8 de Setembro, 115. Era a maior sala de cinema da região e para a surpresa geral, um dia fechou suas portas para reforma. Quando reaberto, mudou seu nome para PENHARAMA e anunciava a projeção de filmes na tela imensa no sistema 70 mm.

A população da colina foi ao delírio. Agora era possível assistir as grandes produções como “Grand Prix” ou “2001-Uma Odisseia no Espaço” sem sair da Penha, bem mais perto de casa. O penhense não conseguia esconder seu orgulho.

 


Cine Penha Palace em 1962 - foto: Acervo Memorial Penha de França


PENHARAMA: EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA NO CENTRO CULTURAL DA PENHA

O Centro Cultural da Penha abre uma exposição com fotos antigas da Penha de França em parceria com o Memorial Penha de França. São 40 painéis com os principais monumentos de arquitetura da história da colina, retratos de famílias penhenses pioneiras no desenvolvimento da região e como não poderia faltar, os antigos cinemas como o São Geraldo, o Penha Príncipe, o Penha Palace e Júpiter. O nome da exposição, PENHARAMA, homenageia a grande sala de cinema que trouxe a então tecnologia de ponta para a Penha, o Cinerama. A exposição acontece de 3 de Novembro a 15 de Dezembro na Galeria Wilson Luchetti, no segundo andar do Centro Cultural da Penha, com entrada franca.

GALERIA WILSON LUCHETTI

A mostra fotográfica PENHARAMA inaugura no Centro Cultural da Penha uma galeria para exposições fotográficas e artes plásticas bidimensionais. Wilson Luchetti tem seu nome neste novo espaço. Luchetti foi um grande fotógrafo da região. Trabalhou durante toda a sua vida para o Foto Penha e Foto Moderna. No auge do turismo religioso na Penha, Luchetti chegou a fotografar 20 casamentos num mesmo dia, com sessões no estúdio e igreja. Dono de um estilo inconfundível, Luchetti tinha o dom de conquistar a expressão natural dos fotografados além de inovar composições de estúdio. Quando não estava trabalhando, Luchetti carregava sempre a sua Minolta 45mm para os flagrantes do cotidiano, alguns deles nesta exposição.

 

Por Memorial Penha de França • Rua Betari, 560 - 11 2092.2319   folco@memorialpenha.com.br


 

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