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Entrevista com Brothers of Brazil, Supla e João Suplicy

 

Na sexta dia 16 de outubro um grande show do Brothers of Brazil agitou o teatro Martins Penna no Centro Cultural da Penha. Aproveitando a apresentação dos irmãos Supla e João Suplicy, fizemos um rápido bate papo com eles. Acompanhe como foi:

CityPenha: Hoje vocês estão fazendo sucesso com o projeto do “Brothers of Brazil”, ele está indo de vento e popa, já teve até televisão?

Supla: Na verdade ele começou como uma banda, e virou um programa de TV. Agora a gente já está lançando o terceiro álbum, teve o primeiro que chama Punkanova, depois On My Way e agora Mellodies from Hell, que é o show que a gente vem fazendo e que vamos apresentar aqui hoje.

CityPenha: Como vocês definem o estilo do Brothers? Porque vocês enquanto estavam separados tinham um estilo um tanto quanto diferente. O Próprio Brothers é uma mescla de estilos?

João: A gente tenta achar um denominador comum dos dois estilos, das duas personalidades que são bem diferentes. Tem várias coisas em comum que a gente gosta então a gente tenta achar esse ponto que os dois convergem.

CityPenha: Mantém a individualidade, mas vale a união.

Supla: A individualidade sempre, é daí que vem o som do Brothers mesmo, cada um mantém a sua individualidade dentro do que está fazendo. Acho que o mais importante é independentemente do estilo de cada, porque seria ridículo eu falar “ah, não gosto de música brasileira” e ele falar “eu não gosto de rock”. Então isso não existe, o mais importante é ter uma boa canção, para ter o que dizer, uma boa melodia.

CityPenha: Como vocês avaliam a música brasileira hoje? Porque hoje tem muita coisa popular como funk tomando um grande espaço e se fossemos falar em termos de qualidade, hoje existe muito refrão chiclete também.

João: Eu acho que tem muita coisa popular sim, mas tem muita gente comendo pelas beiradas, pela internet, acho que a internet é uma ferramenta muito poderosa para dar espaço para as pessoas mostrarem seu trabalho. Tem certos segmentos que dominam o mercado, mas a internet é um espaço democrático. Então tem muita gente correndo por esse caminho, as vezes você tem bandas que de repente você nunca ouviu falar e você vai no show dos caras e está cheio de gente, porque o cara está fazendo o espaço dele por outros meios, é fora da tevê, fora do rádio mas que chega nas pessoas.

CityPenha: Vocês estão fazendo vários shows em espaços públicos. Fizeram um recente em Itaquera.

João: Mas não é tanto assim, Brothers é uma banda que ainda não faz muito sucesso.

Supla: Não é uma banda de SESC, nosso ex empresário é um cara que tinha acesso aos SESC, mas ele trabalhava bastante com ícones da MPB, por isso tinha essas entradas, mas para a gente não teve tanta entrada (risos).

João: Fizemos o SESC Pompeia e o SESC Itaquera.

Supla: O SESC Itaquera não foi nem por ele né? Foi por você.

João: Eles entraram em contato porque era uma coisa de família que trabalha junto, por isso o Brothers que são dois irmãos que fazem. Mas a gente tocou no Rock in Rio agora. Já tocamos em tudo que é pubs e bares de norte a sul do Brasil, toca em tudo que é lugar.

Supla: Fora do Brasil também. Fizemos mais de 300 shows no Estados Unidos, fizemos várias turnês por lá.

CityPenha: Vocês estão trabalhando o terceiro álbum, e já tem um projeto para o quarto?

Supla: Eu vou fazer 30 anos de carreira, ano que vem. Eu devo lançar um álbum, ou um livro. O João também deve lançar um trabalho dele. E aí não é para o Brothers, o Brothers vai indo, mas é bom que dá uma recarregada nas energias, a gente volta e faz uma coisa “trash”. É o terceiro álbum, é bastante coisa.

Voltando à sua pergunta sobre a música brasileira, eu nunca fui contra essa coisa do refrão chiclete, eu sempre gostei, não tenho nada contra. Eu acho que o problema é quando as pessoas fazem qualquer coisa para chegar no sucesso. O papel do artista não é para isso, o papel do artista é para transmitir uma mensagem, ter algo a dizer. E muitas vezes vem coisas muito boas de algum gênero musical, mas aí um monte de gente vai atrás para fazer sucesso.

CityPenha: Quando aparece muita gente copiando, por exemplo um MC, isso acaba jogando o nível das músicas muito para baixo?

Supla: Esse que é o problema, mas cada um faz seu tipo de música. Acho que gosto é gosto, você tem que respeitar o gosto das pessoas, mas o que acontece no popular é que um tipo faz sucesso e um monte de gente vai fazer igual. Então cadê a criatividade que é o mais importante do artista?

CityPenha: Você tem que transmitir alguma coisa, se não fica muito vazio. Se ele tiver um bom produtor e um bom cara para vender, acha que vai fazer sucesso.

Supla: Nem sempre também, nem sempre faz sucesso. Eu conheço muito cara que colocou muita grana e o negócio não deu em nada, as vezes o cara não tem nem qualidade e fez sucesso. Um sucesso é uma coisa que ninguém sabe, é uma coisa surpresa.

Se você soubesse a receita era só fazer e pronto. Me lembra o John Lennon quando ele veio da Inglaterra para os Estados Unidos perguntaram para ele “qual a fórmula do sucesso”? Ele respondeu “se eu soubesse não era músico, era empresário”. Não dá para falar: essa música é pop, dá para ter uma noção, mas hoje em dia apontar o que vai ou não vai ser é inexplicável, ainda mais no mundo da internet. E tem muita gente que chega na internet e fala “olha eu tenho 1 milhão de views”, só que você fez 500 mil. Você criou. Tem hacker que conseguem duplicar ou até triplicar, então não quer dizer nada.

CityPenha: Vocês já tiveram essa situação, de acreditar essa música vai estourar, ou essa não vai dar certo?

Supla: Eu posso dizer uma coisa, as músicas que a gente escolheu do álbum para trabalhar, elas deram certo. Dentro da medida que é o nosso público. Do álbum Punkanova eu imaginava que nada daria certo e acabou entrando uma música na novela da Globo, Take the Money and Run Away to Rio e o Samba Around the clock.

João: A gente sabia que eram músicas muito diferentes, não é uma coisa pop.

Supla: Não dá para falar que não era pop, não existe isso.

João: Acho que não é o padrão pop.

Supla: O padrão pop é Taylor Swift, Kate Perry é isso?

João: Esse é o padrão pop mundial, mas esse foi o álbum que abriu nossas portas lá fora.

Supla: É verdade, mas voltando, eu sabia que o On My Way seria uma música de sucesso, ele é até trilha de novela da Record e o Mellodies from hell também, é uma música boa, o clipe era bom, e todo mundo queria escutar de novo, e quando o som é bom você quer escutar de novo. Acho que a gente acertou nas músicas que apontamos como nome do álbum e que puxaram o álbum. O primeiro álbum era realmente isso, nenhuma estourou mas abriram as portas para a gente fora do Brasil.

 


 

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