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Animais de estimação ajudam no desenvolvimento infantil

 

A relação e o carinho que o ser humano tem com animais de estimação não é algo recente. Transcende muitas gerações, de centenas e centenas de anos. Em diferentes partes do mundo os povos se identificam com animais de diferentes espécies. No geral, cães, gatos e aves são as mais comuns no meio ambiente doméstico. Naturalmente, entende-se que o bicho é quem está sendo ajudado, acolhido, sendo que, na verdade, acontece uma troca. Ele também exerce uma função muito importante dentro da família, justamente por contribuir com o desenvolvimento infantil, seja por meio de estímulos emocionais ou até mesmo práticos, na criação de senso de responsabilidade, entre outros. Especialistas ressaltam essa característica e até indicam a aquisição de animais.

Para que a criança tenha uma relação saudável e proveitosa com o animal, entretanto, é essencial que um adulto supervisione e administre a situação ao menos nos primeiros contatos. Segundo a psicóloga Dra. Rosana Machado, especializada em psicodrama, psicologia transpessoal, constelação familiar sistêmica e espiritual, que atua há mais de 20 anos no setor, explica que a importância do apoio de um adulto se dá pelo fato de a criança ainda estar em desenvolvimento. A profissional, porém, salienta a importância dessa convivência no aspecto moral. "A convivência com animais de estimação desenvolve responsabilidade e compromisso quando ela acompanha os cuidados com a rotina, como a higiene do bichinho, alimentação, levar para passear, etc.", diz. Além disso, existe o desenvolvimento físico, por meio das brincadeiras que os pets proporcionam.

No campo emocional os benefícios também são enormes, já que a criança passa a perceber a saudade que o animal sente dos donos, o carinho e até o ciúmes. A Dra. Rosana Machado explica que as crianças têm maior facilidade de desenvolver bons sentimentos quando convivem com animais de estimação dentro de casa, como membros da família. "Potencializa a sensibilidade, assim como a afetividade, o carinho, o respeito à vida e a compreensão com a transitoriedade das experiências: doenças e cuidados; vida e morte. Sentimentos como compaixão, solidariedade e respeito desabrocham mais facilmente", comenta.

Para que esses pontos sejam estimulados, principalmente as questões morais e de comportamento, a forma como o animal é inserido na família é muito importante. Segundo a Dra. Rosada Machado, é nesse momento que as regras devem ser conversadas, para que não haja contratempos no decorrer da convivência. "A maneira que é introduzido o animal é importante no sentido de estabelecer regras, rotinas e começar o convívio que irá desabrochar no amor ou não. Às vezes a escolha do animal é idealizada ou impulsiva não considerando o que o bichinho precisa, quais são as necessidades ou as características do animal. Se ele gosta de colo, de criança ou não. Ou quem irá se responsabilizar pela rotina, quais as necessidades; tudo isso precisa ser combinado", orienta Machado.

COMO ESCOLHER O PET? - É a pergunta que muitos fazem antes de adquirir um animalzinho. Saber qual o pet ideal para manter a harmonia familiar é algo que deve ser levado em consideração. Afinal, o bichinho se tornará, a partir de então, mais um membro do lar e estará próximo, diariamente - quando é o caso -, dos filhos pequenos.

A médica veterinária Dra. Carolina Branco Bardese explica que a escolha pelo pet deve acontecer de acordo com o comportamento de cada criança. "Não se pode esperar que gatos façam longas caminhadas ou brinquem igual aos cachorros. Então, os indico para crianças mais calmas e que a intenção não seja gastar tanta energia. Uma criança mais agitada pode ter um cachorro de grande porte, que necessite de caminhadas e brincadeiras, como um Labrador, um Border Collie ou mesmo um SRD (sem raça definida) com essas características. Já uma criança calma, que goste de brincadeiras mais introspectivas, um cachorro mais tranquilo também pode ser o mais adequado", diz.

Outra dica, segundo Baderse, é recorrer aos abrigos de animais. Segundo ela, os tutores dessas instituições já conhecem o comportamentos dos animais, que, em suma, já são adultos. Dessa forma, se torna mais fácil identificar um animal com as características mais adequadas ao modo de vida da criança.

A Dra. Caroline orienta que é preciso atenção com os animais silvestres, e que as melhores opções ainda são as tradicionais. "Não aconselho animais como pássaros e saguis como pets. Como são animais selvagens, sofrem facilmente com estresse. Caso a criança queira um animal não convencional, pode-se considerar um peixe, uma calopsita ou um coelho, por exemplo. Esses animais requerem cuidados iguais aos de cães e gatos, como cuidados veterinários periódicos", diz.

EQUOTERAPIA - Método terapêutico multidisciplinar utilizado no ramo da saúde, a equoterapia tem como principal ferramenta o cavalo e visa o tratamento, eminentemente, de pessoas com deficiência. Os exercícios que ela proporciona, por meio do galope do animal, estimula, sobretudo, a coordenação motora e o equilíbrio, além de ser um benefício ao campo psicológico/emocional.

O CENHA - Centro Social Nossa Senhora da Penha, localizado no Tatuapé, em São Paulo, dentre outras especialidades, presta esse tipo de atendimento a seus pacientes. Segundo Magda Vieira, fisioterapeuta do CENHA, a equoterapia age por meio dos movimentos que o cavalo realiza, estimulando que o paciente acerte seu corpo no lombo do animal. "Através dos movimentos tridimensionais que o cavalo realiza - para baixo, para cima, para um lado e para o outro - o cérebro é estimulado por meio dos movimentos semelhantes à marcha humana, fazendo com que o paciente ajuste o próprio corpo para se manter em cima do cavalo", explica.

Todas as atividades de equoterapia no CENHA - que possui a modalidade há cinco anos - são monitoradas e desenvolvidas de acordo com cada quadro, cada paciente, que chega até o Centro Social por intermédio da SMS - Secretaria Municipal da Saúde. "A equoterapia tem como principal atuante o cavalo . É ele que promove os benefícios tão almejados. Nós, profissionais, somos meros coadjuvantes que atuamos na nossa parte para sanar todas as conquistas alcançadas", finaliza Magda Vieira, ressaltando o importante papel do animal na recuperação do bem estar dos pacientes.


Por por Arilton Batista


 

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