FOTOS

Dia do Sorvete

Toda dia é dia, toda hora é hora para soborear essa delícia

 

O dia 23 de setembro, além de marcar a entrada da primavera, é também o Dia Nacional do Sorvete. É nesse período que o sol aparece e o consumo do sorvete aumenta. A data foi criada pela ABIS (Associação Brasileira das Indústrias de Sorvetes) no ano de 2002 e, desde então, o sorvete se tornou ainda mais importante para o brasileiro. “Criamos essa data para comemorar o início da temporada. O Brasil tem produtos de muita qualidade e temos que celebrar”, conta o presidente da ABIS, Eduardo Weiseberg.

Algumas empresas no ramo do sorvete, como a Saint Luiger, aproveitam a data para realizar atividades sociais e eventos. “Sorvete sempre foi um motivo de festa.  Aproveitamos o dia do sorvete para trazer alegria para as pessoas.”, conta o dono da empresa, Javier Humberto Rodriguez Becker. Outra empresa que também celebra o dia do sorvete no convívio social, é a Kidelícia. São realizadas doações e distribuição de sorvetes em escolas de São Paulo.  

 


História

Mas, quem toma um sorvete hoje, nem imagina que está segurando três mil anos de história. Essa delícia gelada teve início com os chineses, que misturavam neve e frutas afim de tentar novas aventuras culinárias. A técnica foi aprimorada com a adição do leite de arroz, e, muitos anos depois, seria uma das sobremesas mais populares do mundo.

Após os chineses terem essa brilhante ideia, Alexandre, O Grande (356-323 A.C.), rei da Macedônia e o imperador Nero (54-68 D.C), haviam adotado o sorvete em seus banquetes luxuosos como sobremesa e iguaria proveniente de suas conquistas. Até então, o sorvete ainda não havia chegado à Europa e quem faria esse trabalho seria o navegante e explorador Marco Polo (1254 - 1324 D.C). O veneziano, em uma das suas viagens ao Oriente, encontrou na China, a sobremesa que traria frenesi mundial. De volta a sua terra natal, Marco Polo apresentou aquela espécie de “raspadinha” aos italianos, que logo aperfeiçoaram a técnica. 

O gelado se tornou moda entre os reinos, mas somente a corte e os poderosos poderiam desfrutar dessa delícia. Pois é... Sorvete já foi artigo de luxo! A sobremesa foi servida em diversos sabores no casamento real de Catherine de Medici, rainha da França, nascida na Itália, com Henrique II, e então a corte finalmente provava a delícia dos poderosos. Mas, o consumo dela entre o povo só aconteceu tempos depois, e aí então, a sobremesa finalmente conquistou o mundo.

 


Tipos de Sorvete

Você deve estar se perguntando: Como então o sorvete veio parar no Brasil? Os americanos inovaram em escala industrial e passaram a ser os maiores produtores de sorvete. Em 23 de Agosto de 1834, dois cariocas decidiram importar dos EUA, 217 mil toneladas de gelo, e passaram a produzir a sobremesa em terras tupiniquins, utilizando frutas locais. Como não havia ainda a técnica de conservar o sorvete, esse tinha que ser consumido na hora do preparo. Diferentemente do passado, hoje em dia consumir o sorvete na hora é sinal de qualidade e sabor. A Nat Fruit aposta no sorvete na chapa, feito na hora. O processo exige muita técnica e equipamento próprio e de produção brasileira para tal. A composição do sorvete não possui conservantes ou corantes e são feitos com frutas e legumes frescos! O cliente ainda escolhe quais sabores e como quer o seu próprio sorvete. Os sabores vão desde o popular Detox 3 (couve, cenoura, maçã e gengibre), os doces, como o de leite em pó com morango ou creme de avelã, e os de frutas, como banana com paçoca e morango com maracujá. Os sabores são diversos. “O sorvete hoje deixa de ser uma sobremesa e passa a ser parte da alimentação, como o Detox ou os sorvetes de frutas e legumes. ”, afirma Marcio Morgado, dono da Nat Fruit. 

A gama de tipos de sorvete só aumenta hoje em dia. Com a globalização, fica mais fácil agregar novas ideias ao mercado. As paletas mexicanas são um ótimo exemplo disso. A Kidelícia, empresa de vinte anos de história, apostou nas paletas como novo produto. “A paleta, quando entrou no mercado, foi novidade. Hoje em dia, fazemos distribuição para mais de oitenta padarias nas regiões norte e leste de São Paulo,” afirma José Maurício Dias, diretor da Kidelícia. A Saint Luiger também viu nas paletas uma ótima aposta de negócio “O consumidor associa inovação no mercado com novas experiências. Mas, o ciclo de vida dessas novidades é muito curto porque o consumidor está sempre pedindo mais. O que vem agora? Na nossa linha agregamos as paletas como um produto a mais, para aproveitar o ciclo de vida delas,” explica Javier.

 


Além da paleta, que é novidade, ambas as empresas possuem uma grande variedade de tipos de sorvete. A Saint Luiger foca em dois tipos de consumo: o consumo do lar e o consumo por impulso, sendo esse último, os picolés e produtos que compramos na rua. “Hoje, o consumo no lar é mais expressivo, pois as embalagens são mais econômicas e possui um custo menor. O mundo leva as pessoas a curtirem mais o consumo em casa pelo conforto e segurança. ”, afirma Javier da Saint Luiger. Os tipos de sorvete da empresa são bem diversos; desde sundaes, açaí, sorvetes finos até os potes de massa, dos sabores mais variados: manjar de coco, cheesecake e os sabores tradicionais. “O paulista gosta de sorvetes que contenham chocolate”, Javier conta.

A Kidelícia aposta no varejo e na distribuição para mercados, docerias e padarias. O carro chefe da empresa são os sorvetes de massa em potes, cujos sabores vão desde os tradicionais napolitano, chocolate e frutas, aos saborosos Torta de Limão e Pavê. “Temos uma linha completa de tipos e sabores para atender todos os paladares do nosso consumidor”, explica Maurício.

 


Mercado

O mercado do sorvete no Brasil é bem expressivo e cresceu muito de alguns anos pra cá.  O presidente da ABIS, Eduardo Weisberg, explica: “O brasileiro consome cerca de 1 bilhão e trezentos mil litros de sorvete por ano, sendo que 70% desse volume vem do Sul e do Sudeste. ”

A perspectiva para os próximos anos é crescer ainda mais! “Continuaremos numa crescente! Mas poderíamos crescer bem mais, pois o mercado brasileiro é muito bom. O Brasileiro consome 7 litros por ano, o Europeu 18, 20! Aqui tem espaço para crescer mais, principalmente pelo clima que temos”, afirma Eduardo. 
Javier Becker complementa a perspectiva otimista do mercado: “O mercado é muito grande. Se você fizer tudo direitinho, sempre tem espaço para crescer. ” 

Sorvete no frio?

A ABIS defende que o sorvete alimenta: é rico em cálcio, vitaminas e pode ser consumido o ano todo. “Já tomou um sorvete sabor vírus? O sorvete não causa gripe... Precisamos promover uma mudança cultural no Brasil e tirar esse mito da sociedade, e uma ferramenta que a ABIS utilizou foi a criação do Dia do Sorvete. Outro artifício utilizado por nós, foi colocar o sorvete na merenda escolar, assim as crianças aprendem que sorvete também alimenta”, conta o presidente da ABIS. O mito de que sorvete causa gripe está muito enraizado na nossa cultura, mas, para desmistificar isso, a Dra. Eliane Terezinha Rocha Mender afirma “As pessoas associam o frio, o gelado, com o aparecimento de gripe, mas não tem nada a ver. Se a pessoa tiver que pegar gripe ou o vírus já estiver encubado, a pessoa pega gripe independente de tomar ou não sorvete.”

 


O que muitas sorveterias têm feito, é adaptar o sorvete em sobremesas, assim o brasileiro começa a transformar o preconceito cultura de que sorvete no frio não combina: “Esse ano entramos com o sorvete assado, que vai bolo, salada de frutas, sorvete, cobertura, marshmallow e, no final, vai ao forno. É servido quente, porém o sorvete fica frio. Temos também o brigadeiro belga com sorvete, brownie, petit gateau...tudo com sorvete, porém transformado em sobremesa de inverno.”, explica Marcio, dono da Nat Fruit. 

O sorvete já é sobremesa popular entre os brasileiros e o dia do sorvete está aí, pronto para ser saboreado. Tipos e sabores não faltam, falta só tirar um pouquinho do preconceito de que sorvete e frio não combinam e atacar logo essa delícia! Bom dia do sorvete!


 

Por Juliana Sonsin


 

Voltar