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Transtorno obsessivo compulsivo: as manias que se tornam doenças

 

O Transtorno Obsessivo Compulsivo ou abreviadamente chamado de TOC, ocupa o quarto lugar entre os distúrbios psíquicos mais frequentes, com quase sete milhões e meio de portadores no Brasil. 

Por diversos motivos, muitos dos quais ainda não esclarecidos pele ciência, as manias podem virar doença. É quando quem sofre do TOC é tomado por pensamentos invasivos ou ideias recorrentes e, para aliviar a angústia causada por essas obsessões, desenvolve comportamentos  repetitivos, ou seja, rituais compulsivos como lavar as mãos diversas vezes ao dia supondo ser para se livrar de algum micro-organismo, fechar e abrir gavetas associando o comportamento a algo que possa acontecer de ruim, cumprir determinadas “tarefas mentais” como repetir inúmeras vezes uma mesma frase ou palavras para ficar livre de pensamentos que atormentam e assombram, verificar repetidas vezes todos os dias antes de dormir se portas e janelas foram fechadas.

Ocorre também cuidado extremo com a forma de colocar objetos, buscando exatidão no alinhamento, pois se não fazê-lo, acredita que um mal terrível pode acontecer. Medo desmedido de se contagiar por vírus, bactérias ou substâncias tóxicas, levando a pessoa a rituais de limpeza exagerados. O nível de ansiedade caso a “tarefa” não seja executada é muito alto.

De todas as doenças da mente o TOC é uma das que mais provocam sofrimento. Transforma seus portadores em “escravos das suas ações e ideias”.

O alimento para o TOC é o medo, assim como ocorre no caso dos fóbicos, porém, os portadores de fobias têm um medo irreal em relação ao objeto real e, evitam entrar em contato com o suposto perigo para evitar o pânico. No caso do obsessivo compulsivo é mais complexo pois o que gera angústia é um pensamento que causa medo. Para se livrar dele adota comportamento compulsivo.

 

 

Um dos quadros mais comuns do distúrbio é o que envolve o medo obsessivo de contaminação. Alguns pacientes chegam a se lavar com produtos pesados de limpeza, como água sanitária e detergente, só porque encostaram em outra pessoa. Muitos não se contentam só com um banho. Só se tranquilizam depois de vários e longos banhos.

Os obsessivos-compulsivos têm consciência de que seus pensamentos e atitudes são completamente ilógicos e também têm plena consciência do seu martírio, mas não conseguem se livrar da condenação imposta por suas mentes.

O impacto do TOC no contexto familiar pode ser devastador, já que o número de relações comprometidas pela mania patológica é muito grande. Nove de cada dez obsessivo-compulsivos sofrem de baixo autoestima, que por muitas vezes faz com que o transtorno se faça acompanhar de outros distúrbios como depressão, alcoolismo e fobias específicas.

Além do sofrimento e angústia causada pela doença em si, o TOC faz com que o paciente carregue o peso da vergonha. Os doentes tendem a disfarçar os sintomas demorando a procurar ajuda, levando mais de quinze anos em média. O fato é que, quanto mais tempo um paciente passa sem tratamento, mais grave torna-se o quadro. Sem ajuda profissional a doença é incontrolável.

As causas do TOC ainda não foram totalmente descobertas. Sabe-se que o transtorno tem componentes ambientais e genéticos. Graças ao desenvolvimento de máquinas capazes de flagrar o cérebro em funcionamento descobriram-se algumas áreas cerebrais que servem de sede para as obsessões e as compulsões. As duas principais, o córtex orbito frontal e os gânglios da base, são responsáveis pelo processamento das informações recebidas e pelo controle do medo.

O TOC não tem cura, mas pode ser controlado. A combinação de medicação com psicoterapia reduz em até 80% a manifestação de sintomas. A psicoterapia utilizada é a cognitiva comportamental onde o psicólogo desenvolve um trabalho voltado para a conscientização do paciente de que suas preocupações são ilógicas. Para isso, ele não só usa argumentos lógicos, como expõe o paciente ao objeto de suas aflições. O objetivo é proporcionar ao paciente uma forma de controle sobre os pensamentos que atormentam, baixando a ansiedade para uma vida com mais liberdade.

 

Por Renaura Silva Francisconi Pardal • CRP 35469-7 • Psicóloga Clínica e Psicopedagoga • Av. Amador Bueno da Veiga, 1.230 cj 1002 • renaura.f@hotmail.com •  99299-0932 • 2791-4005 


 

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